Tatá Ricardo e conselheiros de Cultura são expulsos da Secult durante reunião extraordinária sobre demolição de prédio histórico

O Conselho Municipal de Cultura de Camaçari havia agendado reunião extraordinária para esta segunda-feira (10) na sede da Secretaria de Cultura, na Cidade do Saber, para debater a demolição do prédio histórico no Centro da cidade, ocorrido neste final de semana.

No entanto, a reunião não aconteceu por falta de quórum, pois estavam presentes apenas quatro conselheiros da sociedade civil e um do poder público, ligado à Secretaria de Turismo (Setur). “Para nossa tristeza não teve quórum suficiente”, confirmou o presidente do conselho, Tatá Ricardo Tavares.

Além disso, o grupo foi expulso da Secult por uma funcionária. “Fomos expulsos pela funcionária comissionada, Guida Moura, que não queria que a gente se reunisse lá. Ela adentrou a sala, gritou aos berros e colocou a gente para fora”, relatou Tatá Ricardo em entrevista ao Destaque1.

O presidente registrou boletim de ocorrência na 18ª Delegacia Territorial de Camaçari, denunciado o fato e garantiu que uma nova reunião extraordinária será marcada para esta terça-feira (11) na sede da Secult, na Cidade do Saber.

“Ficou acordado que enquanto o Conselho não tem sede própria se reunirá na Secult. É um acordo feito em assembleia”, frisou Tatá. “O que me assusta é que não foi uma atitude da secretaria Marcia Tude, que sempre respeitou o conselho”, finalizou.

Ele lembrou que a entidade foi eleita para defender a cultura, história, memória e identidade de Camaçari, e que por isso merece respeito ao trabalho desempenhado. “São cargos voluntariados, não recebemos por isso”.

O Destaque1 esteve na Secretaria de Cultura e tentou falar com Guida Moura, mas a servidora não estava no local. A reportagem foi informada que a funcionária teria ido à Caixa Econômica em Salvador tratar de assuntos relacionados a Secult. Nenhum contato da profissional foi disponibilizado.

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Demolição

O Conselho de Cultura de Camaçari ainda busca resposta sobre a demolição do prédio e afirma que não teve acesso ao projeto de requalificação do Centro Antigo da cidade. Tatá Ricardo reiterou que por diversas vezes, durante reuniões da entidade, solicitou o acesso, mas sem êxito. Foram três ofícios enviados, um no dia 5 de junho e dois no dia 6 de junho, para a Secult e a Coordenação de Patrimônio.

Depois da derrubada do imóvel neste domingo, o conselheiro alega que tentou novamente falar com a secretária de Cultura, Marcia Tude, mas sem sucesso. “Não conseguimos contato com a secretária Marcia. O conselho lamenta essa demolição”, disse.

Tatá Ricardo destaca que “hora nenhuma o conselho anuiu [com a ação], nem sequer sabia. Para nossa surpresa, a gente não via condenação de desabamento como é o caso do cine teatro, claro que eu não sou engenheiro, não posso dar parecer técnico, mas acho que o prédio não estava nessas condições”.

Em entrevista à nossa reportagem, Tatá Ricardo garantiu que a secretária relatou também ter sido pega de surpresa. “Foi um choque para ela também”, contou.

O prédio onde já foi a Prefeitura, a Câmara Municipal, Arquivo Público e a Secretaria de Cultura foi reconstruído ainda na década de 70 e era o único imóvel histórico ainda de pé na cidade. “Eu acho que quem menos tem culpa é o prefeito [Elinaldo], porque ele não sabia [da importância do prédio] e tenho certeza que se ele soubesse não permitiria”.

O presidente do Conselho de Cultura assegurou que a organização continuará indo atrás dos responsáveis pela demolição e permanecerá trabalhando para salvaguardar a memória cultural e a historicidade de Camaçari.

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