“Estou buscando fazer diferente, sempre participando, junto com o presidente e não na ausência”, dispara Dilson Magalhães Jr.

Atual vice-presidente da Câmara Municipal de Camaçari, Dilson Magalhães Jr. (PATRI), 44 anos, é natural de Machado (MG), mas com 15 dias de nascido mudou-se para o bairro Genaro, em Dias d’Ávila, quando ainda fazia parte de Camaçari.

Há 25 anos com Simone Cerqueira Alves, o vereador é pai de Rafael Antônio Machado Magalhães Alves, Dilson Magalhães Alves Neto e Lívia Antônia Machado Magalhães Alves.

A política vem de família, seu pai, Dilson Magalhães (1948-2014), foi vereador por quatro mandatos em Camaçari e o filho foi eleito dando continuidade ao legado deixado por ele. Porém, defende que agora a meta é fazer com que a população camaçariense conheça de fato quem é Dilson Magalhães Jr., sem a pressão da tradição familiar.

“Obviamente, essa é a minha primeira eleição, meu primeiro mandato, eu consegui ter êxito muito pelo que ele fez não só como político, mas como pessoa e como empresário. Daqui para frente vai depender do que eu fizer e do que estou fazendo”, pontua.

Antes do Patriota, o vice-presidente já foi filiado ao Partido Republicano Progressista (PRP) e ao Partido Social Cristão (PSC). Iniciou na carreira política em 2004, quando se candidatou a vereador em Dias d’Ávila e, somente em 2016 decidiu tentar novamente uma cadeira no legislativo, só que dessa vez em Camaçari.

O patriota é bacharel em Engenharia Civil pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL) e bacharel em Direito pela Faculdade Metropolitana de Camaçari (Famec), além de empresário do ramo da construção civil.

Para os próximos dois anos, afirma em entrevista ao Destaque1 que pretende dar visibilidade ao papel de vice-presidente, aproximando a Câmara da comunidade e em diálogo direto com vereadores. “É isso que eu quero passar para a Câmara, que ela seja mais inclusiva, que ouça mais as pessoas”, destaca. Sobre planos para as eleições municipais, Dilson Magalhães Jr. aponta possíveis mudanças para a sua trajetória, mas assegura querer disputar a reeleição.

Destaque1 – A atuação do senhor na Câmara Municipal nos últimos dois anos tem sido modesta, utilizando pouco a tribuna e quase sem envolvimento em questões polêmicas na Casa. Como se deu a sua eleição para vice-presidente da Câmara Municipal de Camaçari, houve um diálogo com a base governista, foi o senhor que se colocou à disposição ou recebeu um convite?

Dilson Magalhães Jr. – Como em todo lugar, isso é um processo contínuo de conversas. Você vai conversando e os pares, obviamente que entendem a oposição, eles me enxergam como uma pessoa de livre acesso que transita bem e que se comunica bem entre os colegas, isso eu acho, acho não, é o retorno que eles me passaram, que foi o fator preponderante para que eles aceitassem eu na chapa na condição de vice [presidente].

D1 – Mas então foi um convite?

DM Jr. – Não, foi uma conversa. Eu que me lancei e aí fui conversando tanto com a oposição como os vereadores de governo.

D1 – Ao tomar posse como vice-presidente da Câmara Municipal de Camaçari, o senhor disse que quer dar importância e visibilidade ao cargo. Como pretende fazer com que a função tenha protagonismo neste biênio?

DM Jr. – É não fazer o quê 90% dos vice-presidentes, tanto do executivo e do legislativo, fazem, ficar naquela condição de vice sem mostrar para a sociedade que tem uma função, que ele está ali somente para na ausência do presidente se posicionar. Eu não, eu vou tentar fazer diferente. Usando essa condição de vice para abrir mais caminhos, para dialogar mais, usar do cargo para ter um acesso maior às comunidades e aos órgãos que facilitem as bem-feitorias para a comunidade. Não ser só aquele vice de “ah! O presidente se ausentou, você assume”. Eu vou estar aqui na Casa cumprindo a minha função institucional e fazendo com que o cargo de vice tenha um exponencial e uma visibilidade diferente dessa de só “ah, é vice quando o presidente está em falta”. Então, eu vou tentar usar sempre isso, vou tentar usar do cargo para facilitar ainda mais a comunicação entre política, governo, Câmara e o povo.

D1 – E quais são os planos iniciais para o cargo a partir de agora?

DM Jr. – Veja bem, eu estou assumindo agora. Eu tomei posse, a gente ainda não voltou os trabalhos, eu tirei férias com minha família, mas o primeiro passo, nós vamos ter uma reunião agora quinta-feira [14 de fevereiro] com toda a Casa e aí eu pretendo, junto com o presidente [Jorge Curvelo], obviamente que eu não posso ultrapassar a posição de presidente, mas vou pedir a ele que me use mais nessa condição de vice para ser esse interlocutor com a comunidade, com os vereadores: vereador – comunidade, vereador – vereador e Casa Legislativa e Prefeitura, quando ele não puder estar se fazendo presente ou até mesmo em paralelo. Porque o normal é o presidente fazer tudo, é ele que vai para as reuniões com os órgãos mais importantes, seja a nível federal, estadual ou com o prefeito, e o vice fica mais naquela condição, “ah, se ele não for eu vou”. Eu não, eu quero estar junto, eu quero participar, obviamente dentro da minha condição de vice. Eu sou o vice, não sou o presidente, mas eu gostaria e estou buscando fazer diferente, sempre participando, principalmente, junto com o presidente e não ausência do presidente.

O vereador está no seu primeiro mandato e a partir de agora pretende ser mais atuante em plenário. Foto: Hyago Cerqueira

D1 – Falando sobre o seu mandato, qual balanço o senhor faz até agora e a partir de 2019 como será a sua atuação na Casa?

DM Jr. – O meu mandato, eu enxergo assim: o meu pai [Dilson Magalhães] vinha numa sequência de quatro mandatos e a população e quem me elegeu enxerga como se eu fosse uma continuidade do mandato dele. E aí, várias comparações, mas que na verdade não é uma extensão do mandato dele. É o meu mandato, é o meu modo de ser e nesses dois anos essas comparações, não é que me prejudicou, mas me pressionou muito. Então, isso foi um dos motivos de eu não ter ido muito à tribuna, até porque não conhecia a Casa, esperei passar esse primeiro biênio e esse segundo biênio você pode ter certeza que a gente vai estar mais atuante tanto no plenário e ainda mais na comunidade. Porque o pouco tempo que eu tinha de plenário eu compensava isso dentro das comunidades, isso aí eu fiz questão sempre de registrar nas minhas redes sociais e isso está aí visto por toda Camaçari.

D1 – O senhor falou do seu pai. O senhor chegou a acompanhar essa vida política dele? Como é que a atuação política dele reflete no seu jeito hoje de ser vereador?

DM Jr. – Eu acompanhei muito amistosamente pelos bastidores, porque ele saiu para fazer política e eu vivi a área empresarial. Mas com o convívio de dia a dia não com o político, mas com o pai Dilson Magalhães, você absorve muita coisa e obviamente, essa é a minha primeira eleição, esse meu primeiro mandato, eu consegui ter êxito muito pelo que ele fez não só como político, mas como pessoa e como empresário. Daqui para frente vai depender do que eu fizer e do que estou fazendo.

D1 – É sair um pouco dessa sombra?

DM Jr. – É com certeza. Porque, assim, meu pai tinha quatro mandatos, meu pai tinha 40 e poucos anos dentro de Camaçari e ele já tinha uma história consolidada, até eu chegar lá leva um tempo. Então, quando a comparação é positiva: “ele faz igual ao pai”, beleza; mas quando não é, isso me deixa pressionado. Porque eu sou uma pessoa e meu pai era outra, obviamente que os ensinamentos que ele deixou para mim, para os meus irmãos e para minha família ainda servem, tipo, eu sempre ouvi ele dizer: “tudo que eu tenho na vida está aqui”. Tudo o que ele conseguiu na vida foi trabalhando, com poucos estudos, “foi Camaçari que me oportunizou” e quando ele se viu realizado profissionalmente, ele tinha uma fixação de que ele precisava devolver o que Camaçari oportunizou a ele ter na vida. Isso fica na minha cabeça, na de meus irmãos, da minha mãe, da minha família e é isso que eu passo para quem trabalha comigo, para você que está me conhecendo agora.

D1 – Então, a sua meta é fazer com que as pessoas conheçam quem é Dilson Magalhães Junior.

DM Jr. – Não tenha dúvida que é isso.

D1 – Uma das principais áreas que o senhor defende é a segurança pública. Quais projetos apresentados nessa área pelo seu mandato que o senhor destaca?

DM Jr. – O meu tripé na campanha foi infraestrutura, segurança pública e meio ambiente junto com o social, mas nas minhas artes gráficas só saía isso. Mas nas minhas reuniões a gente falava muito desse lado social, não de assistencialismo, mas do social de inclusão. A parte de segurança pública, por eu ter meu irmão que é funcionário público e trabalha na área de segurança pública, eu achei que eu poderia contribuir mais. Mas a própria legislação em si, ela cria barreira para o municipalismo da segurança pública. Tanto é que você não tem um secretário municipal de Segurança, você tem um secretário municipal de Saúde, de Educação, Social, mas o de segurança você não tem. Porém, a segurança pública não é só a ostensividade, polícia na rua, há todo um conjunto de fatores que ajuda na segurança pública. Por exemplo, se você está numa rua que é toda escura e você ajuda a essa rua vir uma iluminação, uma urbanização, você está ajudando na transversalidade da segurança pública e isso eu tenho feito, tenho andado efetivamente nesses dois anos que se passaram dentro dos bairros, principalmente naquelas comunidades mais afastadas do poder público e na zona rural, onde a gente tem feito um trabalho mais intensivo, para buscar isso. Educação ajuda na segurança pública, infraestrutura ajuda na segurança pública. Agora na segurança pública efetivamente, como eu gostaria que fosse municipalizado, aí foi uma conversa bastante prolongada com o Executivo, mas a legislação me veta isso. Porque segurança pública é do Estado, do estado que eu digo é federal e estadual.

D1 – Nas eleições do ano passado, o senhor optou por apoiar Paulo Câmara, do PSDB, candidato a deputado estadual e não o candidato do prefeito Elinaldo Araújo, José Tude, que é da sua base. Por que tomou essa decisão, essa articulação visa às eleições de 2020?

D1 – Quando eleito defendeu a renovação na política, acredita que de 2017 para cá foi possível fazer essa mudança no cenário político de Camaçari?

D1 – O senhor é a principal liderança do Patriota em Camaçari, partido que nas eleições presidenciais tentou atrair Jair Bolsonaro, mas sem sucesso, e acabou tendo como candidato Cabo Daciolo, responsável também por emitir ideias conservadoras. Como fazer a mudança e dialogar com esse novo cenário quebrando esse conservadorismo?

DM Jr. – No meu caso, eu vou lhe explicar bem. Eu fazia parte do PSC, o candidato não era eu, era o meu irmão e para você se eleger com essa legislação hoje, que vigora, você não pode se eleger sem partido. Então, o partido PEN para mim foi um mero instrumento para eu ser candidato, porém eu me acho e tenho um comportamento, e tenho minhas ideias mais conservadoras, sem ir para o extremo do conservadorismo. Mas eu acredito que a família, qualquer tipo de família, não é só pai e mãe, é homem e mulher, família, que os laços familiares ainda são a base de uma sociedade sadia. A questão da segurança pública, é aí que está, eu não vejo com bons olhos o comportamento dos Direitos Humanos no Brasil, que só vê, na minha leitura, na minha forma de ver, protege na linguagem dele a ponta mais fraca da corda, eu não veja dessa forma. Eu me considero conservador sem ser extremista. Tipo, eu hoje tenho um conceito de conservadorismo que eu vou manter para o resto da vida, mesmo eu sabendo que a sociedade vai mudando e vai se reciclando, e eu tenho que acompanhar isso, não como político, como ser humano. Hoje quantos conceitos seus você já não…, era uma coisa antes e hoje você pensa diferente? Para mim, no meu caso o partido Patriota foi um mero instrumento para eu ser candidato. Não foi ideologia, não. É porque foi nas negociações políticas e eu precisava de um partido, e esse foi o que me aceitou.

D1 – Isso quer dizer que o senhor pretende mudar de legenda?

DM Jr. – Com certeza.

D1 – Já tem alguma em mente?

DM Jr. – Não.

D1 – Mas daqui até 2020 já terá uma decisão?

DM Jr. – Com certeza. Primeiro que ele [Partido Patriota] não passou pela cláusula de barreira, ainda é uma indefinição. A gente não tem uma comunicação próxima com o presidente da estadual, as coisas não são bem informadas para gente, as coisas não ficam muito claras e eu não sei se ele vai deixar de existir, se vai fundir com outro partido. Então hoje, o meu posicionamento é de não ter interesse em continuar no Patriota.

D1 – Para finalizar, o que a população pode esperar do trabalho da Câmara Municipal nos próximos dois anos?

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