Novembro Azul: 55% dos casos de câncer de próstata estão relacionados a causas genéticas, aponta especialista

 

O mês de novembro é mundialmente marcado como Novembro Azul. Um período de alerta para saúde masculina. O câncer de próstata, tipo mais comum entre os homens, é a causa de morte de 28,6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas, doença onde as células anormais se desenvolvem sem nenhum controle e destroem o tecido do corpo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), por ano são diagnosticados 68 mil novos casos da doença em todo mundo.

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, que pesa cerca de 20 gramas, e se assemelha ao formato de uma castanha. Localizada abaixo da bexiga, sua principal função é produzir o esperma. O câncer de próstata se instala numa área qualquer da glândula e à medida que cresce vai ocupando gradativamente os lobos direito e esquerdo.

Não existe uma causa específica para o desenvolvimento do câncer. Nas fases mais avançadas ele invade por continuidade a cápsula que reveste o órgão, para depois chegar aos tecidos ao seu redor, incluindo as vesículas seminais.

Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata e a cada uma hora sete homens são diagnosticados com a doença. Além disso, esse tipo de câncer é responsável por 5% de tumores malignos entre os homens. A estimativa para novos casos este ano no país é de 68.220, segundo dados da entidade.

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) registrou em 2017, 1.609 internações por neoplasia maligna da próstata. Somente na Bahia, este ano a estimativa é de quase 4 mil novos casos. Destes, cerca de 800 devem ser registrados na capital.

Especialista há 28 anos na área de urologia, Drº Jesuíno Pereira, 55 anos, alerta sobre os riscos de não fazer a prevenção precoce do câncer de próstata. O alerta é a precaução, ainda maior, para homens com histórico familiar de câncer de próstata e os de raça negra, que tendem a ter maiores probabilidades de portar a doença.

Foto: João Santos

Destaque1 – Em qual a faixa etária é mais comum à incidência de pessoas com câncer de próstata?

Drº Jesuíno Pereira – Homens já na sétima década de vida são os mais afetados com a doença. Caso já tenha algum histórico da família, esse percentual cai para sexta década. Mas, a grande maioria dos casos acontece dentro dessa faixa de 70 anos.

D1 – Como é feito o exame de toque, por que existe tanto preconceito entre os homens, e partir de qual idade pode ser realizado?

JP – Ao contrário do que muitos homens acham, o exame retal não doí. É um exame simples, não demora, dura 15 segundos. Também é usado anestésico na realização do exame. A partir de 45 anos, os homens já podem realizar o exame. Claro que ele ainda é jovem para ser diagnosticado com o câncer, mas esse é um processo que faz parte da prevenção, ele já estará familiarizado com o ambiente.

D1 – Quais os principais sintomas da doença? Existem casos em que o câncer pode evoluir sem dar sinais?

JP – A doença não apresenta sintomas no início. Quando o câncer vai se agravando aparecem complicações como retenção urinária e a necessidade de utilizar sondas. A partir daí o câncer pode se proliferar, saindo da próstata e se espalhando para outros órgãos, dessa forma os sintomas variam de acordo com o órgão que for acometido. Quando isso acontece, a doença não tem mais cura definitiva. Por isso a importância de começar a se consultar e fazer exame precoce.

D1 – O aumento da próstata pode significar o câncer?

D1 – A doença pode provocar infertilidade?

JP – O câncer de próstata como é uma doença da sexta década não tem risco de interferir na fertilidade, já que é uma idade onde o homem não procria. Porém, a cirurgia para retirada do câncer de próstata pode causar disfunção erétil.

D1 – Qual o risco de um homem que tem histórico de câncer de próstata na família também desenvolver a doença?

JP – O fator que mais interfere no desenvolvimento da doença com certeza é a hereditariedade. Cerca de 55% dos casos de homens que possuem a doença têm relação por causas genéticas. Homens negros pelos seus fatores genéticos têm a probabilidade quatro vezes maior que o branco para ter o câncer de próstata.

D1 – Consumo excessivo de álcool, gorduras e sedentarismo podem colaborar para um câncer de próstata? E quais os principais fatores que geram o câncer de próstata?

JP – Além da hereditariedade, esses fatores de sedentarismo, fumo e má alimentação, incluindo gorduras saturadas, também causam essa interferência no câncer. O paciente deve ter uma boa alimentação e um estilo de vida saudável.

D1 – Quais os tipos de tratamento para o câncer de próstata e o que deve ser levado em consideração para começar o tratamento?

D1 – Existe possibilidade de reincidência do câncer de próstata?

JP – Se o paciente for curado do câncer de próstata não terá mais a doença localizada. Mas pode existir uma recidiva bioquímica, que é quando a doença pode se alastrar para outros órgãos. Isso é diagnosticado pelo PSA, é uma enzima com algumas características de marcador tumoral, sendo utilizado para diagnóstico, monitorização e controle da evolução do carcinoma da próstata.  A partir desse novo diagnostico será estudado e decidido o melhor tipo de tratamento para esse paciente.

D1 – Quais são as recomendações para prevenção da doença?

JP – Pacientes negros e com histórico de câncer de próstata na família, seja o pai, o tio ou o avó, a partir de 45 anos, já é aconselhável fazer uma consulta e realizar o exame PSA. Nesses casos se mede o PSA, que geralmente deve estar abaixo de 2,5 e o exame de toque, onde se sente a consistência da próstata. E claro, hábitos saudáveis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Para compartilhar esse conteúdo, por favor, utilize o link ou as ferramentas oferecidas na página. As regras tem como objetivo proteger o investimento que o Destaque1 faz na qualidade de seu jornalismo.