“Espero que a dedicação de Irmã Dulce queira ser imitada”, anseia Dom Petrini

Irmã Dulce agora é Santa Dulce dos Pobres. Canonizada no dia 13 de outubro no Vaticano, em Roma, o Anjo Bom da Bahia é a primeira santa brasileira. Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914 em Salvador e desde os 13 anos já acolhia pessoas em situação de rua e enfermos em casa.

Após se formar como professora, tornou-se freira em 1933, quando adotou o nome de Irmã Dulce, em homenagem à mãe, e assim, passou a se dedicar inteiramente aos trabalhos sociais. Ela apoiou a criação de diversas instituições filantrópicas na Bahia, educacionais e de saúde, e fundou uma das maiores organizações de caridade do Brasil, as Obras Sociais Irmã Dulce.

No dia 11 de novembro de 1990, começou a apresentar problemas respiratórios e foi internada. Em 20 de outubro de 1991 recebeu no convento a visita do Papa João Paulo II para receber a bênção e extrema unção. No dia 13 de março de 1992 a Bahia perdia o seu Anjo Bom.

Em entrevista exclusiva ao Destaque1, o bispo da Diocese de Camaçari, Dom João Carlos Petrini, falou sobre a importância da canonização de Irmã Dulce e os impactos que isso traz para os baianos.

Aos 74 anos, Petrini expressa grande admiração ao trabalho feito pela santa, que ele teve oportunidade de conhecer, e revela o anseio de que mais pessoas se espelhem no trabalho dela.

Foto: Hyago Cerqueira/Destaque1

Destaque1 – Qual o significado da canonização de Irmã Dulce para os católicos?

Dom Petrini – Eu diria três coisas, em primeiro lugar, a santidade fica com ela, agora Santa Dulce dos Pobres, mais próxima, no sentido de que sabemos que ela morou no bairro de Nazaré, em Salvador, que ela estudou em um colégio em Mussurunga, que ela torcia pelo grupo de futebol Ipiranga, gostava de empinar papagaio quando era menina, quero dizer, temos informações dela que a tornam próximas, como a gente, então isso tem um resultado fantástico, como dizer, bom então eu também posso percorrer um caminho de santidade. A segunda coisa que me impressiona muitíssimo é que diante da situação de pobreza, que podemos imaginar facilmente como deveria ser nos anos 40, 50, ela tinha uma sensibilidade semelhante à nossa, no sentido de que, qualquer um de nós, passando por ali e vendo aquelas pessoas abandonas na rua, sem casa, todo mundo ficaria assim, comovido. Mas, provavelmente, teríamos a seguinte reação ‘por que eles não resolvem?’. Sempre tem uma entidade superior, eles, quem sabe, o governo, os ricos, alguém, eles que têm que resolver, não eu. Então, a compaixão é igual, mas  a postura dela não foi essa, ela se sentiu chamada a entrar em jogo diretamente e isso é uma coisa belíssima, e não pensou eles deveriam resolver, ela se meteu para resolver aquilo que estava ao seu alcance, o que não era muita coisa, já que não tinha nada, nem muita liberdade para sair o horário que quisesse, pois tinha horário para estar no convento, então ela teve coragem, e essa é uma característica fantástica, que nos ensina a ter uma garra para resolver os problemas. A terceira coisa que me impressiona é a audácia, ela não tinha nada e então lhe deram um galinheiro, mas ela a partir dali teve a coragem para planejar uma coisa melhor. Nesse sentido, têm aspectos que são muito semelhantes à nossa realidade e tem aspectos que são diferentes, porque ela se diferencia, na coragem de buscar as coisas, e de onde vem essa postura humana? Isso, para mim, tem a ver com a fé, com o relacionamento com Deus, com a oração, e ali ela encontrava essa fortaleza para não desanimar. Isso é importante para todo o povo da Bahia, não só para os católicos, pois qualquer pessoa inteligente deve ficar admirada vendo a postura humana que ela tinha.

D1 – Qual a consequência para a Igreja Católica? Haverá um novo fôlego a partir de agora?

DP – Ouça.

 

D1 – Como é a devoção por Irmã Dulce aqui na região?

DP – Eu fiquei muito impressionado. Em Roma, eu estive lá na canonização, a reação das pessoas quando o Papa fala o nome dela, era uma coisa linda de se ver. Em Candeias, eu celebrei uma missa campal na praça que tem o nome dela, com uma estátua em tamanho real dela e tinha muita emoção nas pessoas. Então, eu entendo que muitos tiveram oportunidade de cruzar o caminho com ela, é uma coisa muito próxima, muito viva, eu esperava, mas não era tanto, fiquei surpreso com a intensidade. Essa proximidade que desperta todo esse carinho.

Bispo Dom Petrini, à direita, ao lado de Irmã Dulce. Foto: Reprodução

D1 – No último dia 13 foram canonizados cinco santos, dentre eles, Irmã Dulce é a mais contemporânea. Ainda é possível encontrar diversas pessoas que conheceram e conviveram com ela, qual a avaliação que o senhor faz disso?

DP – Ouça.

 

D1 – O senhor acredita que haverá crescimento no turismo religioso da Bahia?

DP – Sim, inclusive conheço pessoas que acreditam que os pontos que ela passou, devem ser incorporados na rota de turismo baiano, e realmente, são locais lindos, são obras de arte que contam histórias.

D1 – O que será feito pela Diocese de Camaçari para fortalecer a santidade dela?

DP – Nós temos lugares que já possuem essa visibilidade como Candeias e Simões Filho, que também são da nossa Diocese, temos capelas sendo construídas em vários lugares, que podem se tornar paróquias e depois vamos seguir o calendário da igreja e realizaremos todo ano a festa de Irmã Dulce, nós estamos fazendo circular um DVD com o filme que foi feito sobre ela e se multiplicarão os relatos, porque ela tinha um horizonte impressionante.

D1 – Qual a mensagem que o senhor pretende deixar para os camaçarienses?

DP – Ouça.

 

Bispo Dom Petrini. Foto: Hyago Cerqueira/Destaque1

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