Mais de 20 toneladas de óleo foram retiradas das praias de Camaçari, revela Genival Seixas

No início deste mês as praias de Camaçari foram atingidas pelas manchas de óleo que afetam o litoral do Nordeste desde o início de setembro. Guarajuba, Itacimirim, Arembepe, Jauá e Barra do Jacuípe sofreram com a chegada da substância de origem ainda não identificada.

De acordo com balanço realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), mais de 180 praias foram afetadas em todo Nordeste. Em reunião com os prefeitos das localidades atingidas, nesta quinta-feira (17), o governador Rui Costa (PT) revelou que 155 toneladas de óleo foram retiradas dos 10 municípios afetados na Bahia, além do óleo retido nos manguezais e nas pedras.

Em entrevista exclusiva ao Destaque1, nesta sexta-feira (18), o secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Camaçari, Genival Seixas, explicou que durante a reunião com o governador, o principal ponto abordado foi a cobrança de apoio do governo federal, pois muitos municípios não possuem a estrutura necessária para realizar a limpeza contínua.

Seixas ainda ressalta o impacto na economia dos ribeirinhos que vivem da pesca e na morte da fauna e da flora, principalmente, das tartarugas, que estão em período de desova.

Ouça a declaração de Genival Seixas

 

O sentimento dos municípios em relação a esse desastre é uma sensação de impotência, nós estamos em uma sensação de abandono, relata o secretário.

Genival Seixas conta que a principal ação do Poder Executivo é a limpeza imediata, feita assim que é detectada a presença de óleo no local. Ele destaca que tudo é feito com recursos e agentes próprios do município.

A substância retirada das praias está armazenada na Cetrel, onde a gestão municipal reservou espaço para 50 toneladas e já ocupa mais de 20. O secretário ainda contou que será feito um acordo para disponibilizar espaço na Cetrel aos municípios que não possuem local adequado para armazenar o óleo.

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Na avaliação do secretário, a falta de experiência com esse tipo de ocorrência e a origem desconhecida da substância são os principais agravantes da situação.

“O sentimento dos municípios em relação a esse desastre é uma sensação de impotência, nós estamos em uma sensação de abandono. Camaçari tem feito a parte dela, as cidades estão fazendo a parte delas, mas é um evento que nunca aconteceu na orla brasileira, nunca nada nessa dimensão, é um desastre atípico, singular e com um agravante, a gente não sabe a fonte poluidora, qual o volume disso e quanto tempo ela vai se dispersar ainda pelo litoral, então você tem aí, o desconhecido pela frente, ou seja, você tem a falta de experiência com esse tipo de ocorrência e o desconhecido, o que dificulta o seu planejamento, então assim a sensação as vezes é de impotência, porque mesmo a gente trabalhando, a gente correndo atrás, é tudo desconhecido. Não podemos ficar parados, temos que achar a fonte para conter ela na origem. Eu senti na face dos prefeitos uma sensação de desânimo, porque você acaba de limpar uma praia, e no outro dia, está lá, o dobro de óleo. A gente não pode descartar nenhuma possibilidade, já que não temos dimensão do tamanho, da origem e da quantidade desse óleo”, frisou.

Genival Seixas, secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Camaçari. Foto: Hyago Cerqueira/Destaque1

Genival recomenda aos moradores de Camaçari que possuem interesse em ajudar na limpeza das praias, que façam uso dos equipamentos de segurança como botas, luvas e máscaras. Ele enfatiza ainda que não devem ser utilizados sacos plásticos comuns, pois o óleo dissolve o material e retorna para a areia. O ideal é utilizar big bags, sacos feitos com material especial e resistente. Banhistas devem ter cuidado e não entrar no mar caso seja percebida a presença de óleo no local.

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