Nove atletas de Camaçari participam da 94ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre

Já na 94ª edição, a famosa Corrida Internacional de São Silvestre reúne todos os anos milhares de atletas das diversas partes do mundo, em São Paulo. Esse ano são 30 mil inscritos e entre eles estão os camaçarienses Charles Silva, Edson Roberto Silva, Gervásio Ribeiro, Rafael Martins, Elias Júnior, Reginaldo Santos, Allan Freire, Ana Paula Freire e José Cícero.

Dirigido por Charles Silva, de 40 anos, os atletas fazem parte do projeto Saúde e Movimento, fundado há cinco anos, e hoje conta com cerca de 80 pessoas com idades entre 16 e 73.

Charles Silva. Foto: Beatriz Santos

Charles tem 30 anos no esporte baiano e conta que há 23 anos atrás participou da sua primeira São Silvestre e leva essa experiência ao alcance de mais pessoas.

“Fui pela primeira vez com minha família. A corrida que era um sonho, hoje é realidade. No total, já participei 10 vezes da São Silvestre e hoje estamos com esse projeto realizando sonhos de outras pessoas”, conclui.

A corrida de São Silvestre começou na França em 1924. Um ano depois a disputa chegou ao Brasil, iniciada em 31 de dezembro de 1925.

Pela repressão social, as mulheres só tiveram permissão para participar em 1975, quando a ONU promoveu o Ano Internacional da Mulher.

Atualmente a corrida tem um percurso de 15 km, fechando toda a Avenida Paulista. Todos os participantes ganham medalhas independente da chegada.

Ana Paula. Foto: Beatriz Santos

Fazendo parte há um ano do grupo, Ana Paula, 38 anos, já correu meia maratona, 21 km, e participa esse ano da sua primeira São Silvestre, e conta que começou a correr por incentivo do marido. “Comecei a correr para acompanhar meu esposo e acabei gostando. Hoje meu ciclo social e minha saúde é outra, muito melhor. Estou animada para essa minha primeira experiência”, conta.

Os nove corredores da cidade viajam hoje (26). Todas as despesas da viagem e hospedagem são custeadas por cada atleta e, de acordo com os atletas, essa falta de investimento público e privado para os projetos esportivos em Camaçari influencia diretamente na representação que o município poderia ter nas competições. “Aqui temos muitas empresas de grandes nomes que poderiam dar aos atletas da cidade apoio e incentivo. Essa viagem que vamos fazer é um sacrifício pelo amor que temos ao esporte”, critica Charles.

Allan Freire. Foto: Beatriz Santos

Também correndo há um ano, o caminhoneiro Allan Freire, 37 anos, afirma que a corrida transformou sua saúde. “Não estava bem de saúde há um tempo atrás e comecei a caminhar. No começo achei que não iria conseguir. Entrei para o Saúde e Movimento e comecei a fazer treinamento de base, gostei do esporte e já corri 21 km. Hoje me preparo para a minha primeira São Silvestre e espero fazer uma boa prova”, fala.

Assim como Allan, o soldador José Cícero, de 48 anos, começou a correr por motivos de saúde, em 2014. E afirma que não pretende sair do esporte. “Eu tinha uma vida muito sedentária. Minhas taxas sanguíneas eram muito altas e comecei a participar das corridas. Hoje eu sou um competidor. Já fiz uma maratona (42 km) e agora espero me sair muito bem na minha primeira São Silvestre”.

José Cícero. Foto: Beatriz Santos

Cícero diz ainda que incentivou a esposa para a prática esportiva. “Minha esposa hoje também corre. Esse incentivo veio através de mim. O que a gente faz influencia e  muda vidas”, pontua.

Faltando apenas dois anos para as Olimpíadas de Tóquio, 53 atletas brasileiros já estiveram entre os 10 melhores do mundo.

Em 2017 a corrida de São Silvestre fechou a Avenida Paulista com 30 mil atletas. O etíope Dawitt Admasue e a queniana Flomena Cheyech conquistaram os primeiros lugares.

 

Gervásio Ribeiro. Foto: Hyago Cerqueira

Seu Gervásio Ribeiro, de 73 anos, é o mais experiente do grupo e afirma que a corrida mudou sua vida. O maratonista iniciou a vida esportiva há quase 18 anos por problemas de saúde. E realizou sua primeira prova em 2003, em Salvador, correndo 10 km em 58 min. Desse 2004 o atleta participa da São Silvestre, já são 15 medalhas.

“Depois que fiz a cirurgia de glaucoma comecei a correr para melhor meu psicológico porque minha autoestima estava lá embaixo. Hoje meu psicológico é outro e minha autoestima foi recuperada. E fui voltando a viver”.

Por causa da baixa visão, seu Gervásio tem gratuidade na corrida e sai na largada junto com os primeiros do pódio, os quenianos.

De acordo com o Ministério do Esporte, a corrida é uma das atividades físicas mais benéficas para a saúde. Para comprovar isso, Charles afirma que a melhoria de vida é um processo individual e convida as pessoas a conhecerem o esporte.

O último treino do Saúde e Movimento para São Silvestre foi no último domingo, 23 de dezembro, às 6h30, na Barra, Salvador. A Corrida Internacional de São Silvestre acontece no dia 31 de dezembro, às 9h, horário de Brasília.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Para compartilhar esse conteúdo, por favor, utilize o link ou as ferramentas oferecidas na página. As regras tem como objetivo proteger o investimento que o Destaque1 faz na qualidade de seu jornalismo.