Vereadores divergem sobre demolição de prédio histórico em Camaçari

A demolição do prédio que já foi sede da Prefeitura de Camaçari, da Secretaria de Cultura, da Câmara de Vereadores e do Arquivo Público, realizada no último domingo (9), foi tema de discussão na sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (13), no Teatro Alberto Martins. Os vereadores da oposição apresentaram diversos questionamentos sobre a demolição do edifício.

O vereador Jackson Josué (PT) questionou se havia a necessidade de demolir o prédio. “Como que nós vamos construir a história de Camaçari, demolindo o passado, é bem verdade que precisava fazer a restauração, restaurar, teria necessidade de colocar aquela história do município no chão? Já o antigo cinema, eles falaram que vão restaurar a estrutura do cinema se vocês foram reparar, é pior do que o outro. Nós queremos o avanço, mas não se constrói o futuro, destruindo o que aconteceu ali”.

Ao responder o colega, o vereador e líder do governo na Câmara, Zé do pão (PTB), afirmou que havia um laudo constatando que não havia condições de reforma do local. “A vossa excelência não sabe nem o que tá falando, quando fala na demolição daquela obra, aquilo ali tem dados técnicos de engenheiros dizendo que não se pode construir nada em cima daquilo ali o prefeito Elinaldo quer sim revitalizar e trazer de volta a história do município que vocês deixaram lá abandonado, nem pintar vocês pintaram, parem com isso, vamos fazer uma oposição de qualidade como nós fizemos, tomamos a prefeitura de vocês porque não tinha mais condições”.

Logo após, o vereador Dentinho do Sindicato (PT) indagou que a população de Camaçari deveria ter sido comunicada antes da demolição. “Nós temos que ter responsabilidade de apresentar laudos, de chamar a população e explicar ‘nós vamos demolir por isso e isso’, porque abalou a população de Camaçari. Eu senti a indignação da população antiga da cidade, das pessoas históricas, porque eu acho, que o que tá mais comprometido é o prédio do antigo cinema e não aquele. Se tem isso, temos que ter a responsabilidade de pedir a secretária [Márcia Tude] o laudo, de vir aqui e mostrar pra população, se tinha risco pra população tem que mostrar, porque a maneira que foi feita, a maneira que quebraram e demoliram esse prédio, em um dia de domingo, na calada da manhã foi lá e derrubou tudo sem conversar com a população. É isso que nós estamos falando, precisa que o prefeito de Camaçari, que os secretários, façam um debate com a população para que qualquer mudança que venha fazer, seja nos prédios históricos, seja de beneficio à população, qualquer mudança que for fazer, chame o povo para participar, porque é a vida de Camaçari, nós somos filhos de Camaçari e precisamos cuidar disso”, afirmou o vereador.

Até o momento nenhum laudo técnico foi apresentado formalmente pelo Governo Municipal à sociedade. O Destaque1 noticiou (veja aqui) a existência de um laudo da Defesa Civil em que afirma que há necessidade de interdição, mas não faz referência a necessidade de demolição e sim de reparos. O documento foi assinado pelo coordenador do órgão, Ivanaldo Soares, e o estagiário de engenharia civil, Filipe Montenegro. Nenhum outro laudo foi apresentado sugerindo a demolição, com ou sem assinaturas de engenheiros, ao contrário do que disse o líder do governo na Câmara.

O vereador Teo Ribeiro (PT) destacou que a demolição faz com que as futuras gerações desconheçam as raízes da cidade. “É o seguinte, domingo, dia nove, é um dia que vai ficar marcado na memória de Camaçari como o dia da desonra, o dia do desrespeito, porque se pega um prédio público, um prédio que já abrigou a Prefeitura de Camaçari, já abrigou o TCM, a Câmara de Vereadores de Camaçari, e joga no chão sem discutir com a sua cidade, sem fazer a discussão com o Conselho de Cultura, era pra ser feita essa discussão. Escolheram o domingo, quando se faz as coisas sorrateiras, escondidas, é porque sabem que estão fazendo coisa errada. Não veio aqui à Câmara, não veio nada aqui pra Câmara para ser discutido, para se falar na necessidade de jogar aquele prédio no chão. Enquanto todo mundo prima por buscar e zelar sua história e sua cultura, porque um povo que não tem cultura, não tem história, é um povo desalmado, porque o que faz o presente e o futuro, é o passado, que tem que ser contado. Isso faz com que os nossos filhos, as nossas futuras gerações desconheçam as raízes  dessa cidade, que antes dessa cidade ser uma grande metrópole, que ela pretende ser um dia, ela já foi uma cidade de pouco mais de três mil, quatro mil habitantes. Isso que o prefeito Elinado fez agora, chega ali e ‘vamos derrubar’, ‘vamos jogar no chão a memória desse povo’ e vai colocar um prédio lá metido a besta pra doutor não sei quem ganhar dinheiro. É preciso que quando o prefeito for tomar uma decisão dessa, convoque sua população”, salientou o petista.

Já o vereador José Marcelino (PT) reforçou a importância de preservar a cultura da cidade. “A palavra utilizada aqui foi revitalizar, restaurar, e o Destaque1, que é uma imprensa local aqui, deu o laudo, com várias fotos, de um laudo da Defesa Civil informando que não precisava derrubar, tinha fissuras, tava ruim o telhado, mas que não precisava derrubar, isso é dito pelo Destaque1, que é uma imprensa daqui que todo mundo já conhece, ou seja, tem o laudo. Você não derruba cultura, hoje tudo mundo busca, a natureza, de preservar a cultura, e se for derrubar, tem que informar às pessoas de Camaçari, precisam saber, serem informadas sobre isso, aí vai, toma a decisão no final de semana, a gente tem que cobrar das autoridades. Se tinha que derrubar, tem que ter uma justificativa, e tem o laudo que em nenhum momento fala em demolição, estamos falando da cultura. Então, é lamentável ver isso acontecendo”, enfatizou.

O vereador Flávio Matos (DEM) leu trechos do laudo emitido pela Defesa Civil, o mesmo já publicado pelo Destaque1 (veja aqui), e disse que “o laudo técnico ele só mostra o risco de desabamento, é claro, é uma decisão do governo entregar um centro histórico novo”.

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