O tapete branco formado pelos vestidos das baianas, o aroma da água de cheiro e o colorido dos arranjos de flores anunciam a chegada das Festas Populares de 2026 em Camaçari. Neste sábado (10) a tradicional Lavagem de Barra do Pojuca iniciou o ciclo de lavagens no município, manifestação cultural e religiosa que marca décadas de história.
Na parte sagrada da festa, turistas, nativos e autoridades políticas caminham pelo centro de Barra do Pojuca homenageando o padroeiro dos pescadores da orla de Camaçari, São Francisco de Assis. Grupos culturais transformaram a rua Filogônio Gomes de Oliveira em um palco que pulsa ancestralidade e tradição.

Presente na festa, o prefeito Luiz Caetano (PT) discursou nas escadarias do templo religioso e projetou suas expectativas para as próximas festas populares de Camaçari. “Daqui para frente, precisamos realizar todas as lavagens com essa tendência cultural, de desenvolvimento e de acolhimento. Não viemos aqui para brigar, viemos para promover mudanças e melhorar a vida da nossa gente”, enfatiza o gestor.

De acordo com a titular da Secretaria de Cultura (Secult), Elci Freitas, a organização das lavagens em todo o município é realizada com foco no respeito à tradição do povo e na garantia da diversidade cultural. “A gestão municipal trabalha para assegurar a estrutura e a valorização dos grupos culturais e dar continuidade a essa manifestação ao longo dos anos. A Secult é responsável pela organização, pelo fortalecimento do cortejo, que é o coração da lavagem, cuidamos para que esse momento aconteça com respeito à tradição garantindo a participação dos artistas e manifestações que representam a diversidade cultural de Camaçari”, enfatiza.

A titular da Coordenação de Eventos, Aline Marques, comentou sobre a atuação do setor para planejar as festas. “É uma construção constante, a gente não para. Estou muito feliz em poder ver esse resultado, ver que [fazer o cortejo] no sábado deu certo, as pessoas estão aderindo e vindo ao cortejo. Estamos construindo assim, a gente quer que a população participe e que ela possa brilhar nas festividades”, aponta.

Figuras carimbadas e históricas de manifestações culturais, sobretudo na Bahia, as baianas integram o cortejo religioso como símbolos de ancestralidade. As vestes brancas e os adereços coloridos mostram a história de quem persiste em manter viva uma tradição secular. Morando há quatro anos em Portugal, a professora aposentada, Analice Oliveira, 59, retorna ao Brasil neste período só para participar da festividade como baiana, prática que ela não abandona.
“É esse axé que mexe com a gente, pra mim é muito gratificante estar aqui hoje. Nós devemos sempre cultuar as nossas raízes, se estamos aqui é porque precisamos dessa energia positiva que emana por ser baiana. Nós também precisamos sempre estar conectados com o outro”, afirma.

A Companhia de Ação Social e Cultura Espermacete, um dos grupos culturais presentes, busca manter vivo um legado que nasceu há séculos passados, como explica a responsável Milla Bonfim, filha da marcante Mestra Nildes Bonfim. “Minha mãe sempre ensinou para mim e para meu irmão que devemos dar continuidade, para que a cultura popular não morra. Hoje trabalhamos com crianças, adolescentes e o público da terceira idade ensinando a nossa identidade e raíz, sempre valorizando e dando continuidade ao grupo com a energia dela”, explicou a percussionista.
O cortejo saiu da entrada da localidade e seguiu até a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na praça principal, contando ainda com a participação da Charanga Big Band, Percussão Groove dos Tambores, Grupo Circense e Cia. Isarte, dos grupos de capoeira Ginga e Expressão e Obairá, e, da Filarmônica Ambiental, que encerrou o trajeto em frente à igreja.

Para o povo camaçariense, as lavagens populares são uma oportunidade de ter momentos de lazer em outras localidades. Como é o caso de Marizélia Souza, 52, moradora de Arembepe, que frequenta as festas da cidade e se diz uma grande fã da tradição. “É muito importante valorizar a nossa cultura, gosto muito de aproveitar as lavagens. Aqui está a nossa cultura, onde a gente nasceu e se criou, torcemos para que assim permaneça”, relata.
Além do momento religioso, a Lavagem de Barra do Pojuca segue movimentada este sábado, domingo (11) e segunda-feira (12) quando acontece a parte profana da festa. Neste sábado, sobem ao palco os artistas Tiago Sena, Viola de 12, Anna Catarina, Edy Vox e Rafael Brandão. No domingo, a animação fica sob o comando de Carlito França, União do Guetto, Filipe Escandurras, Lívia Nunes e Fogo de Lenha. Já para os apaixonados, a segunda-feira vai ser no ritmo de Rodrigo Lima, Gigante da Seresta e Pablinho do Arrocha.







