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Trabalhadores da Ford ameaçam entrar em greve caso empresa demita 700 funcionários

Camila São José

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Reunidos na manhã de hoje (28) em assembleia na porta da Ford em Camaçari, trabalhadores da companhia aprovaram estado de greve caso a decisão de demitir 700 funcionários se mantenha. Na ocasião também foi colocado em votação pacote de medidas apresentado pela empresa.

Os metalúrgicos poderão paralisar as atividades a partir do dia 11 de março. “Greve por tempo indeterminado”, confirma Julio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.

Uma nova assembleia será realizada às 12h30 de hoje na porta da Ford com os funcionários. Segundo o sindicato, na sexta-feira, 8 de março, haverá uma nova reunião.

A Ford anunciou no dia 9 de fevereiro a demissão em massa, alegando uma readequação no processo de montagem dos veículos que exigiria um número menor de funcionários. Outra questão seria a projeção de lucros e perdas da companhia na América do Sul, que provocaria impacto de até UU$ 700 milhões, mais de R$ 2 bilhões, este ano. Com a medida, 450 trabalhadores diretos e 250 terceirizados serão demitidos.

O sindicato assegura que a previsão para 2019 é de aproximadamente 221 mil veículos produzidos em Camaçari. A montadora no município fabrica o Ka, nas versões hatch e sedan, o EcoSport e o motor 1.0 de 3 cilindros. Bonfim explica que o produto que gera mais lucro para a companhia são os veículos SUV e o “e hoje o EcoSport está sendo o carro com a venda já abaixo de 20%. Isso é sério”. Segundo o presidente a planta mais rentável da Ford hoje é a dos Estados Unidos por conta do volume de vendas de picapes, veículos grandes no estilo SUV.

Desde então vem sendo realizadas rodadas de negociação. O sindicalista, Julio Bonfim, afirma que foram apresentadas várias contrapropostas à empresa para evitar os desligamentos. Entre elas está a estabilidade coletiva de um ano, na qual estariam proibidas as demissões em massa. No entanto, até o momento a Ford não deu retorno positivo.

Na noite de ontem (27), a empresa divulgou através de um talk paper um pacote de medidas, que modificam direitos vigentes dos funcionários da fábrica. As propostas foram colocadas em votação na assembleia desta quinta-feira.

“Essa realidade que estamos passando hoje, essa realidade que nós não queremos ver em fábrica nenhuma. A gente sabe a dificuldade que nós passamos aqui e essa posição que a Ford está fazendo, é uma posição que retira totalmente todos os nossos direitos”, falou Bonfim durante assembleia ao lembrar que unidade de São Bernardo do Campo será fechada; fábrica que emprega cerca de 3 mil pessoas.

A Ford, entre outros pontos, que determinar jornada de 44 horas semanais, de segunda a sábado; nova tabela salarial com base de R$ 1 mil e teto de R$ 1,9 mil; não pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados a jovens aprendizes, já que estão em processo de treinamento e não são funcionários efetivados, além da fábrica de Camaçari ser a única a pagar este tipo de benefício aos jovens em todo Brasil e retirada do Cartão Cesta Natal.

Destaque1  entrou em contato com a Ford Camaçari que informou que se manifestará por meio de nota ainda hoje.

Veja abaixo a lista completa:

  • Tirar lanche das máquinas e o desjejum no refeitório;
  • Reduzir a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) para R$ 11.100,00 – atualmente é R$ 18.500,00;
  • Pagamento da primeira parcela do 13º em outubro de 2019;
  • Valor fixo para cada dependente no plano médico;
  • Aumentar a taxa de coparticipação do plano médico para 10% sob o salário mensalmente – hoje o percentual é 5%;
  • Aumentar para 6% a taxa de pagamento de refeitório e transporte;
  • Mudar cardápio do refeitório;
  • Tirar PLR dos jovens aprendizes;
  • Setor administrativo não receberá mais farda;
  • Congelar salários por 12 meses, sem database e sem step a cada 6 meses;
  • Tirar o ticket alimentação;
  • PLR das parceiras seguir o valor do setor de autopeças e não o valor praticado pela Ford;
  • Pagamento do adicional noturno baseado na legislação vigente, de 20%;
  • Prática de banco de horas;
  • Desvincular a PLR do setor financeiro com o do administrativo;
  • Demissão de 700 funcionários, sendo percentual Ford e outro percentual parceiros;
  • Demissão sem pagamento de Programa de Demissão Voluntária (PDV).

Outras contrapropostas apresentadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos são o reajuste salarial com base no INPC de 100% para aqueles que recebem até R$ 7.515  e de 50% para os trabalhadores que recebem salário maior do que R$ 7.515; PLR de R$ 19.640, com a primeira parcela a ser paga em maio; jornada de 40 horas de segunda a sexta-feira; adicional noturno de 37,14% com carga horária de trabalho reduzida e aumento de 1,5% no vale-transporte e alimentação.

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