Fogueiras e fogos de artifício fazem parte da cultura dos festejos juninos, mas também estão entre as principais causas de acidentes durante o período, especialmente com crianças, idosos, grupos mais vulneráveis a queimaduras. O balanço mais recente da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) mostra que, apesar de ter havido uma redução no número de atendimentos a queimados no estado em 2024, com 66 ocorrências, comparado a 71 em 2023, as queimaduras continuam sendo um risco recorrente nesta época do ano.
Nesse sentido, voltam a circular receitas caseiras para o tratamento dessas lesões. Embora pareçam alternativas para o alívio rápido da dor, elas podem agravar a situação.
“Algumas receitas provocam reações inflamatórias devido ao contato com componentes que geram irritação ou alergia. Também podem levar à infecção da pele e dos tecidos subcutâneos, transformando uma queimadura superficial em uma profunda”, alerta Letícia Braz, enfermeira e professora do curso de Enfermagem da Universidade Salvador.
Essas soluções incluem desde pasta de dente e manteiga a borra de café, clara de ovo e água sanitária. Quando não são especificamente destinados ao tratamento, mesmo produtos como pomadas, cremes e loções, tendem a interferir na recuperação e processo de cicatrização.
A depender da gravidade, a intervenção deve acontecer o mais rápido possível, pois as complicações também variam conforme o grau das queimaduras. A enfermeira lembra que, no caso das superficiais, a camada externa da pele geralmente fica avermelhada, inchada e dolorida. Já as mais graves podem resultar em deformidades, problemas de mobilidade e quadros sistêmicos, a exemplo de choque térmico e insuficiência renal ou respiratória.
Independentemente da profundidade da lesão, os primeiros socorros envolvem o resfriamento da área afetada, proteção a fim de evitar infecções e busca por atendimento médico.
A maioria dos incidentes ocorre por algum tipo de negligência. Letícia Braz ressalta que uma das principais medidas preventivas é a escolha do local, uma vez que é recomendada a soltura de fogos e a presença de fogueira apenas em espaços abertos e afastados de árvores, edifícios, fios e demais estruturas. Outra orientação é manter uma distância de qualquer vegetação seca ou material inflamável.
“Além disso, vale usar dispositivos de ignição seguros, como fósforos longos ou acendedores de churrasco, e evitar líquidos inflamáveis. Também é importante ter um balde de água ou um extintor de incêndio por perto e supervisionar as crianças, mantendo-as afastadas do fogo”.




