Sob o manto vermelho de São Thomaz de Cantuária, padroeiro da cidade, as ruas de Camaçari foram preenchidas de fé, devoção e tradicionalismo nesta quarta-feira (7). A festa em homenagem ao santo católico foi marcada pela tão esperada procissão, que abre o calendário religioso marcado por lavagens e festividades.
No segundo ano do quarto mandato, o prefeito Luiz Caetano (PT) celebra o espaço para as celebrações religiosas criado na tradição de Camaçari. “A festa do padroeiro é sempre um momento bonito, de união e reflexão. Ela fortalece a identidade católica da cidade, preserva a história e, também, nos inspira a trabalhar por uma Camaçari mais justa, fraterna e em paz, respeitando todas as expressões religiosas”, afirmou.

Com o tema “Caminhos da missão: construindo a paz”, a pacificidade ditou o tom do evento. Para o pároco da Paróquia Catedral São Thomaz de Cantuária, padre Milton Pereira, esse é o período perfeito para falar sobre esse sentimento tão almejado pela sociedade.
“O que mais desejamos nesse tempo é paz. Diante de um contexto, de um mundo, marcado por guerras, violência e tantas outras coisas que acabam ferindo a dignidade humana, o que mais desejamos é a paz. E São Thomaz de Cantuária, esse grande arauto da paz, quer nos ensinar, portanto, como realizar essa paz”, explicou o líder religioso.

Viver a tradição é revisitar a história, e foi isso que o historiador José Fernando Santana, 73, fez durante a celebração. Em entrevista ao Destaque1, o feirense, com o coração em Camaçari há 39 anos, explicou que São Thomaz Becket, bispo de Cantuária, foi santificado após ser morto por ir contra as maldades feitas pelo rei ao povo.
O culto ao santo foi implementado na cultura de Camaçari desde o nascimento da cidade pelo desembargador Tomás Garcez Paranhos Montenegro, uma das figuras mais emblemáticas na fundação de Camaçari, que trouxe uma imagem do santo da Inglaterra. Além do nome, o especialista conta que a história do desembargador tem semelhanças com a do santo.
“Ele teve a mesma morte de São Thomaz. Mataram ele aqui na nossa região de Camaçari. Naturalmente, aqueles grupos que estavam aqui desde que começou a cidade entenderam de cultuar a imagem de São Thomaz aqui, em homenagem ao morto daqui e em homenagem a São Thomaz”, explicou o historiador, que também é devoto e passou quatro anos consecutivos ajudando a levar a imagem pelo cortejo.

Participar da festa se tornou tradição para Maria de Salete, 65. Nascida em Nova Soure, cidade no interior do estado, a religiosa participa da festa sempre que pode, desde que se mudou para Camaçari, aos 26 anos. “Eu fico muito emocionada, porque é uma fé que a gente busca em si, porque nós estamos precisando muito. Principalmente quem tem filho, quem tem tanta coisa na vida”, celebrou.

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