O Sindicato dos Borracheiros de Camaçari, Salvador e Região Metropolitana (Sindborracha) realizou uma assembleia na Bridgestone, na manhã desta sexta-feira (1), para discutir pautas que têm impactado o dia a dia dos trabalhadores. O encontro teria sido uma advertência à empresa, segundo a entidade, devido a irregularidades nas condições de trabalho.

De acordo com o presidente do Sindborracha, Josué Pereira, os funcionários estariam enfrentando condições precárias de trabalho, falta de treinamento, acúmulo de tarefas e episódios de assédio moral. “Hoje a gente está fazendo uma assembleia de advertência para a empresa, porque nós não vamos ficar sentados em mesa de reunião todos os meses, apontando que tem coisas erradas aí dentro, e ninguém toma providência”, disse o sindicalista.
O Sindborracha deve oficiar a empresa solicitando respostas às denúncias feitas, com um prazo de 30 dias de retorno. Caso não haja resposta, a entidade deve realizar uma paralisação de 24 horas na fábrica.

“A gente tem uma mesa aberta para discutir com a empresa sempre, porém tem muita coisa que tem morosidade para se resolver. Os trabalhadores estão trabalhando, às vezes, em condições difíceis, em más condições de trabalho, e a gente não pode ficar esperando, tem assuntos que têm que ser urgentes”, afirmou Josué em entrevista ao Destaque1.
Assista:
Uma audiência com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na Bahia foi marcada para a próxima quarta-feira (6). A expectativa do Sindborracha é que o órgão, junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT-BA), promova uma mediação do diálogo com a empresa.

“A gente vai levar cópias de todos os jornais que o sindicato denuncia as coisas aqui dentro, de perseguição, de assédio, de revisão, de máquina quebrada, de falta de farda, tudo!”, enfatizou Josué. A mobilização realizada na manhã desta sexta paralisou as atividades na fábrica por cerca de duas horas e meia.
O Destaque1 tentou contatar a Bridgestone para solicitar um posicionamento com relação às denúncias, mas até o fechamento desta matéria, não obteve êxito. O espaço segue aberto para pronunciamentos.

A assembleia também debateu a votação do Plebiscito Popular 2025, que acontece em todo o país até 7 de setembro.
Na ocasião, os sindicalistas falaram sobre a importância da participação da classe trabalhadora na consulta, que debate a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, além da taxação dos super ricos e isenção do Imposto de Renda.
“A luta por direitos da classe trabalhadora é o que nos movimenta e é o que nos une. Estivemos aqui todos em unidade contra a precarização do trabalho presente nessa fábrica”, disse a dirigente da Central Única dos Trabalhadores da Bahia (CUT-BA), Ana Carla Fagundes.
Veja:
A consulta pública é uma iniciativa dos movimentos sociais, centrais sindicais, entidades e partidos para ouvir a população brasileira sobre temas considerados urgentes pelas organizações. A votação inicia nesta sexta-feira (1), presencialmente e de forma online em todo o país.

O Sindborracha levou uma urna para que os trabalhadores da Bridgestone pudessem participar do pleito.
“Aqui foi um momento muito importante. Além de fazer o debate, dialogar e pressionar o patronal aqui pela qualidade de vida da classe trabalhadora, trazer essas pautas é muito importante, e é isso que faz valer a luta do movimento sindical”, completou Ana Carla, que também é dirigente do Sindicato dos Professores da Rede Pública Municipal de Camaçari (Sispec).
Os resultados da consulta devem ser entregues ao presidente da República, à Câmara dos Deputados, ao Senado Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento visa “pressionar o governo e Congresso por políticas que beneficiem a classe trabalhadora”, segundo a Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, que organizam o movimento.
Neste sábado (2), as entidades sindicalistas promovem um mutirão de votação em Camaçari, na Praça Montenegro, a partir das 9h. O Plebiscito Popular é aberto, e qualquer pessoa pode participar.

Participaram da mobilização na Bridgestone, nesta sexta-feira, representantes dos sindicatos dos Metalúrgicos; dos Vigilantes de Camaçari e Região (Sindmetropolitano); dos Trabalhadores em Empresas de Refeições Coletivas do Estado da Bahia (Sintercoba); dos Trabalhadores da Indústria química, petroquímica, plástica e farmacêutica do Estado da Bahia (Sindquímica); e o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e Região (Sindticcc).



