Durante participação no podcast Destaque da Política, nesta quarta-feira (9), a candidata a deputada federal Sineide Lopes (PL) explicou que, a violência contra a mulher deve ser enfrentada não apenas com punição ao agressor, mas também com políticas capazes de garantir proteção, autonomia financeira e condições para que as vítimas reconstruam a própria vida.
Ao falar sobre suas propostas para um eventual mandato na Câmara dos Deputados, Sineide destacou que pretende atuar tanto na responsabilização dos agressores quanto na criação de mecanismos de tratamento e acompanhamento para quem pratica violência.
“Eu preciso, como deputada federal, entender que existe o agressor e a vítima, mas esse agressor também precisa de tratamento. Eu não estou defendendo ele, não. Eu acredito que ele deve ser punido e pagar o preço do que ele fez para a mulher, mas ele precisa ser tratado”, explica.
A candidata também defendeu a criação de um projeto voltado especificamente para mulheres que sofreram diferentes formas de violência, incluindo agressões sexuais, emocionais e financeiras. Para Sineide, o poder público precisa ir além do atendimento emergencial e oferecer caminhos concretos para que essas mulheres retomem a própria autonomia.
“Eu preciso criar um projeto em que essa mulher que sofre violência sexual, emocional, financeira, todas as violências que está ali no Maria da Penha, e que não se trata de uma só, essa mulher tenha possibilidade de reconstruir sua vida”, explicou.

Entre as propostas apresentadas está a criação de oportunidades de trabalho e incentivo ao empreendedorismo para mulheres que enfrentaram situações de violência. Sineide citou Camaçari como exemplo e questionou a existência de políticas capazes de conectar empresas instaladas no município à necessidade de reinserção profissional dessas vítimas.
“A gente tem o Bolsa Família, é importantíssimo. Eu sou uma pessoa que não sou contra assistencialismo, sou contra a pessoa ficar dentro do assistencialismo e não sair mais dele. Porque acredito que o governo tem que aproveitar aquela oportunidade para pessoa e criar a possibilidade dela sair daquele lugar”, destacou.
“A gente tem uma cidade como Camaçari com o Polo Petroquímico, várias empresas. Qual o projeto que a gente tem aqui, de verdade, onde a gente possa realmente absorver mulheres que sofreram violência sexual? Mulheres que sofreram violência doméstica, mulheres que sofreram tentativas de feminicídio”, ressaltou.
Outro ponto abordado pela candidata foi a utilização de tornozeleiras eletrônicas por agressores. Sineide avaliou que o equipamento, embora seja uma ferramenta importante de monitoramento, não seria suficiente para garantir a segurança da vítima em todos os casos.
“Fico feliz com isso, é muito massa. Mas a tornozeleira eletrônica não impede que o indivíduo contrate alguém para tirar aquela mulher de onde aquele indivíduo, que tentou matar ela e só vai deixar de matar assim que ele conseguir. Porque se ele tentou uma vez, ele não se arrependeu. Ele vai tentar de novo”, disse.
Ao reforçar a necessidade de políticas direcionadas aos autores de violência, Sineide voltou a destacar que a defesa do tratamento não significa, segundo ela, abrir mão da responsabilização criminal.
“Eu preciso, como deputada federal, entender que existe o agressor e a vítima, mas esse agressor também precisa de tratamento. Eu não estou defendendo ele não, eu acredito que ele deve ser punido e pagar o preço do que ele fez para a mulher, mas ele precisa ser tratado”, destacou.
Na avaliação da candidata, o enfrentamento à violência contra a mulher precisa envolver também ações de prevenção e mudança de comportamento. “Não é possível que um homem, que nasceu para ser cuidador, vai violentar aquela mulher e vai ficar por isso mesmo”, disse.
Sineide também defendeu a criação de mecanismos de financiamento e incentivo econômico para mulheres que precisam recomeçar após situações de violência. A proposta, segundo ela, passa pela oferta de crédito e suporte para que as vítimas possam investir em negócios próprios e conquistar independência financeira.
“E preciso, enquanto deputada federal, garantir assistência a essa mulher. Garantir um trabalho, que ela possa investir no próprio negócio, eu preciso que tenha um banco […]. Porque a gente não monta um banco para a mulher? Então a gente precisa que essa mulher se sinta acolhida de fato e diga ‘eu posso recomeçar'”, finalizou.
Veja entrevista:




