Celebrado nesta quinta-feira (10), o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio pretende alertar para a conscientização e a importância de debater o tema. A campanha se estende por todo o mês, o Setembro Amarelo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio está entre as 20 principais causas de morte no mundo, com cerca de 800 mil óbitos por ano, que resulta em um suicídio a cada 40 segundos.
Em entrevista ao Destaque1, a psicóloga Gislenny Benevides destaca os impactos que a pandemia do coronavírus pode causar na saúde mental. Gislenny é bacharel em Psicologia com especialização em Neuropsicologia, Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), Gestão e Coordenação Pedagógica, Psicologia Social e Saúde Mental.
A profissional enfatiza a relevância do Setembro Amarelo para alertar sobre o suicídio e a importância de procurar tratamento. “Essa é uma campanha de extrema importância, uma vez que o suicídio é um problema grave de saúde pública e que, muitas vezes, pode ser evitado. Setembro Amarelo é um movimento mundial que objetiva conscientizar a população sobre a realidade do suicídio e mostrar que existe prevenção em mais de 90% dos casos. O suicídio é considerado um problema de saúde pública e mata um brasileiro a cada 45 minutos e uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo”, explica.
Gislenny afirma que a campanha se torna mais relevante meio a pandemia, que tem causado diversos impactos na população. “Em 2020, a campanha ganhou uma nova preocupação com o fato de muitas pessoas estarem em isolamento social devido à pandemia do coronavírus. De modo geral podemos perceber que as campanhas de prevenção são de extrema importância para pessoas que consideram a possibilidade do suicídio, pois cada vez mais a medicina, a psicologia e a sociedade em geral entende que isso pode ser de fato algo evitado, prevenido. Por se tratar de um problema multifatorial devemos acrescentar também a pandemia e suas consequências sejam elas sociais, econômicas, psicológicas e emocionais, como mais um fator de agravamento de risco ao suicídio. Temos visto e vivenciado o quanto a pandemia e todas as suas nuances podem ser nocivas à saúde humana, inclusive a saúde mental. Assim sendo enfatiza-se ainda mais a importância do Setembro Amarelo enquanto uma forte arma de prevenção e combate ao suicídio”, frisa.
A especialista elenca algumas dicas que podem auxiliar a manter os pensamentos positivos em meio ao isolamento e a mudança na rotina. “Do ponto de vista de qualidade de saúde mental é importante manter a mente e o corpo ocupado com estímulos positivos, tais como: filtro das notícias, verificação das fontes dessas, boas leituras, filmes que possam acrescentar informações positivas junto as emoções, atividades de lazer com a família, amigos ou pessoas do meio íntimo. Também desenvolver novas habilidades, ouvir músicas, fazer atividade física diariamente, aumentar o consumo diário de água, manter e/ou organizar a rotina, ter uma alimentação saudável, fazer uma boa distribuição do tempo, ter interação social ainda que virtual é de suma importância, fazer planos para o futuro, praticar a sua fé e fazer a manutenção do autocuidado e do bem-estar de forma rotineira. Essas ações ajudarão no processo de liberação de hormônios ligados a sensação de bem-estar e prazer, tais como: serotonina e dopamina e assim a pessoa terá mais disposição e positividade para enfrentar as dificuldades mesmo em tempos tão difíceis”, conta.
O sentimento de frustação por interromper planos devido à pandemia tem sido algo comum em boa parte das pessoas. Para Gislenny, é preciso ressignificar esse sentimento e utilizar esse tempo organizando novos planos. “É muito difícil ter que interromper os planos e metas para o futuro, ainda mais de uma forma tão impositiva, abrupta como a que estamos vivendo. No entanto uma dica que poderá ajudar a superar a sensação desagradável de frustração é ressignificando (dar um novo sentindo) esse momento e tirando dele o máximo de proveito. Por exemplo: resista a ideia de que seus planos foram interrompidos, pense que foram adiados e desenvolva estratégias compensatórias para executar seus planos/metas de forma mais organizada e/ou passar a elaborar novos planos levando em consideração sua nova situação. O mais importante é manter-se em movimento e nunca desistir, pois em não desistir já estamos vencendo”, enfatiza.
A psicóloga destaca que o otimismo é a melhor opção para lidar com as complicações vividas na pandemia. “Não existe uma receita pronta para superarmos um momento difícil, a dor de uma perda, o medo ou a insegurança de um futuro incerto. Mas se há algo que pode ajudar, esse algo se chama ‘seguir sobretudo em frente’. Mantenha a fé e a manutenção dos bons movimentos, físicos e mentais, dias ruins também passam”, conclui.
Interessados em marcar atendimento com Gislenny podem entrar em contato através do telefone (71) 99263-9987.






