Psicóloga orienta como proteger crianças dos riscos da internet

Desde 2014, ao menos 56 crianças e adolescentes foram vítimas de desafios perigosos na internet.
Foto: LP Stock Adobe

Casos recentes de mortes de crianças e adolescentes ligados a desafios nas redes sociais têm preocupado famílias em todo o país. Desde 2014, ao menos 56 jovens foram feridos ou mortos no Brasil em decorrência dessas práticas, segundo o Instituto DimiCuida. A psicóloga Maryla Pinheiro, da Hapvida, aponta que o apelo desses desafios está relacionado à busca por aceitação social, pertencimento e adrenalina, comuns na fase do desenvolvimento.

De acordo com a profissional, o fascínio que os desafios virtuais exercem sobre crianças e adolescentes está atrelado a questões fundamentais do desenvolvimento: a busca por aceitação social, o sentimento de pertencimento ao grupo e o desejo de adrenalina proporcionado pela transgressão. “Essa fase da vida é marcada pela imaturidade cerebral, que dificulta o cálculo das consequências e favorece a tomada de decisões impulsivas”, explica. As redes sociais, ao amplificar rapidamente o alcance de desafios através de curtidas e compartilhamentos, intensificam essa dinâmica, tornando tentador para o jovem arriscar-se em busca de aprovação e visibilidade.

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Ainda assim, nem todos os adolescentes respondem igualmente aos riscos. Conforme explica a psicóloga, crianças com autoestima fragilizada, dificuldades de socialização ou em fases de transição emocional são naturalmente mais vulneráveis, ao passo que uma educação pautada no pensamento crítico e no diálogo sobre consequências tende a protegê-las, tornando-as mais cautelosas diante de situações perigosas.

“Os pais precisam estar atentos para sinais de alerta como mudanças bruscas de comportamento, isolamento, uso excessivo de dispositivos eletrônicos, segredos em relação às atividades online e alterações no sono ou alimentação”, alerta a psicóloga. Demonstrar ansiedade, medo ou irritação ao falar do ambiente virtual também é um indicativo de que algo não vai bem.

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Como conversar sobre riscos e fortalecer o pensamento crítico?

A prevenção começa em casa e tem como base um diálogo aberto, empático e firme, sem alarmismos ou imposições autoritárias. O segredo, aponta ela, é adaptar a conversa à faixa etária – usando, com os pequenos, histórias ou fábulas que exemplifiquem perigos e, com os adolescentes, trazendo notícias reais e incentivando discussões sobre experiências concretas. A linguagem precisa ser clara, direta e próxima do universo deles, evitando termos técnicos ou avaliações moralistas que possam afastá-los do diálogo.

Para estimular o pensamento crítico, os pais devem propor debates sobre situações hipotéticas, incentivando a análise das possíveis consequências antes de qualquer decisão. “Pergunte o que fariam diante de certa situação, como pensariam nas consequências de um desafio compartilhado em redes sociais, e esteja sempre disponível para ouvir sem julgamentos”, recomenda a especialista. É essa postura que cria um ambiente seguro, onde filhos se sentem à vontade para relatar dúvidas e vivências perturbadoras que encontrarem online.

Ações práticas para proteção: regras, confiança e ajuda especializada

Além do diálogo, a atuação preventiva dos pais inclui o estabelecimento de regras claras para o uso de dispositivos eletrônicos e acesso à internet, horários definidos para a navegação e a participação ativa nas atividades online dos filhos, incentivando também hobbies offline. O controle parental pode ser um aliado importante, desde que usado de maneira transparente, explicando o motivo do monitoramento e respeitando a privacidade, pois é fundamental construir uma relação de confiança. Se comportamentos como ansiedade excessiva, mudanças abruptas de personalidade, isolamento intenso ou dificuldades graves de socialização persistirem, buscar ajuda profissional torna-se essencial.

Para Maryla Pinheiro, as três recomendações mais importantes são: manter sempre o diálogo aberto sobre os riscos do ambiente digital, incentivar práticas saudáveis fora do mundo virtual e estar atento ao comportamento das crianças, intervindo prontamente diante de qualquer sinal suspeito. A informação, o acolhimento e a presença ativa dos pais são as maiores aliadas para garantir que crianças e adolescentes naveguem com mais segurança, autonomia e responsabilidade na internet.

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