O Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb) anunciou o lançamento do Projeto Fragmentos de Memória, integrado ao programa Resgate Ancestral. A iniciativa propõe humanizar os registros de pessoas escravizadas na Bahia Colonial e Imperial, transformando descrições burocráticas em retratos póstumos através da inteligência artificial.
Conduzido pelo diretor da Apec, Jorge X, e pelo coordenador de Preservação, Adalton Silva, o projeto está atualmente na fase de coleta e organização de recursos e dados para interpretação. A metodologia combina três etapas principais, sendo elas a digitalização dos passaportes de pessoas escravizadas e libertadas, seguida de transcrição paleográfica para dar lastro às descrições que serão levantadas e interpretadas, e um levantamento iconográfico está sendo realizado, abrangendo desde os dados interpretados, pesquisas acadêmicas e trabalhos visuais.
A última etapa consiste na criação de comandos que integram dados documentais e visuais, alimentando modelos generativos que serão utilizados para a elaboração final dos retratos.
A fim de garantir a qualidade de cada etapa, o Arquivo Público firmou parcerias com o estúdio criativo Filmeiro, responsável pela tradução, a partir dos dados levantados pela equipe do Apeb e descrições textuais, dos materiais em retratos digitais por meio de IA. O ateliê Memória & Arte também auxiliará no processo, através da transcrição paleográfica dos documentos históricos.
As imagens geradas até o momento são estudos preliminares, produzidos a partir de testes de prompts e da restauração digital de fotos antigas; o resultado final só será divulgado após validação histórica conjunta com consultores e a equipe do Arquivo Público.
Entre julho e setembro de 2025, o banco de referência visual deve ser ampliado, e o projeto deve realizar as primeiras rodadas de geração em maior escala.
Em outubro, ocorrerão sessões de curadoria colaborativa e ajustes finos nos prompts. O lançamento oficial do resultado de “Fragmentos de Memória” está previsto para novembro de 2025. “Este projeto transforma documentos frios em rostos cheios de histórias. É um ato de justiça simbólica”, afirma o diretor do Apeb, Jorge X.




