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“Precisamos entregar para o presidente Lula um Congresso que tenha compromisso”, defende Ivoneide

A ex-candidata a prefeita de Camaçari tenta uma cadeira na Câmara dos Deputados e oficializará a candidatura neste sábado (30).

Camila São José

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“Precisamos entregar para o presidente Lula um Congresso que tenha compromisso”, defende Ivoneide
Foto: Patrick Abreu/Destaque1

Apontada como uma das principais apostas do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia para as eleições deste ano, a pré-candidata a deputada federal Ivoneide Caetano conversou com o Destaque1 e fez um panorama do cenário político estadual e nacional, apresentou propostas e comentou as alianças formadas para o pleito.

Esposa do ex-deputado federal, ex-prefeito de Camaçari e atual secretário de Relações Institucionais do Estado, Luiz Caetano, Ivoneide nunca ocupou um cargo eletivo. A primeira eleição disputada foi a de 2020, quando concorreu ao cargo de prefeita de Camaçari. Naquele ano, conseguiu 52.569 votos, e após a campanha, confirma ter sido convocada pelo governador Rui Costa (PT) a concorrer à Câmara dos Deputados. O motivo, segundo a petista, seria assegurar que o PT Bahia tenha uma mulher na Casa. Atualmente, a bancada baiana do partido possui sete deputados federais, todos homens.

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Nessa busca por uma vaga no Congresso Nacional, Ivoneide tem percorrido, além da Região Metropolitana, cidades do extremo sul, oeste, sertão e região sisaleira do estado. Após a oficialização da sua candidatura, que ocorrerá durante a convenção do PT neste sábado (30), no Parque de Exposições, em Salvador, a petista afirma que pretende levar para debate o desenvolvimento de políticas públicas para as mulheres, geração de emprego e renda, e o combate à fome. Nesta entrevista, ela ainda rebateu as críticas feitas à saúde pública estadual, especialmente ao sistema de regulação.

Destaque1 – A senhora nunca ocupou um cargo eletivo. A primeira vez que tentou uma disputa eleitoral foi em 2020, para a Prefeitura de Camaçari. O que te motiva a tentar uma vaga na Câmara dos Deputados e o que a senhora acredita que a credencia para isso?

Assista: 

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D1 – O que a experiência nas eleições municipais, e, mais recentemente, enquanto superintendente de Assuntos Parlamentares da Assembleia Legislativa da Bahia, te agrega neste novo momento?

Ivoneide Caetano – Eu estive como superintendente de Assuntos Parlamentares, hoje eu estou afastada por conta do processo eleitoral. Aprendi muito, pude conviver com todos os deputados daquela Casa, tanto os de esquerda como os do centro, os direita. Tinha uma relação muito boa com todos eles, e eu aprendi, muito obviamente, também acompanhei os mandatos de Caetano em Brasília, andei muito em Brasília, no Congresso Nacional. E é o que eu já falei, acho que nós vamos precisar ter muita sensibilidade a partir de 2023. Nós vamos entregar o país ao presidente Lula, que tem toda uma experiência, isso ninguém duvida, da capacidade de gestão de Lula, mas temos que entregar para ele um Brasil, mas entregar um Congresso que tenha compromisso com as pautas dos trabalhadores. Então, eu espero poder contribuir. Obviamente que tem a pauta das mulheres, que é uma pauta muito minha, até por ser mulher, óbvio, mas também existem outras pautas, como por exemplo a questão da fome que o Brasil atravessa hoje, que vamos poder ajudar o presidente nessa construção.

D1 – A senhora adiantou que foi convocada pelo governador Rui Costa. Dentro do partido, integrantes a apontam como uma das principais apostas para as eleições deste ano, podendo estar entre as pré-candidatas a deputada federal mais bem votadas do PT. A senhora aposta nisso? Por que o partido tem essa confiança na sua pré-campanha e campanha?

IC – Eu estou construindo, eu não gosto dessa fala de mais votada. Eu quero poder estar lá e não quero chegar sozinha. Eu tenho falado isso, eu quero chegar com outras mulheres. O nosso partido hoje, nós somos de uma federação, o PT, o PCdoB e o PV. Temos nomes muito fortes em nossa federação, deputados conceituadíssimos, de cinco, seis mandatos, então seria uma audácia minha dizer que serei a mais bem votada. Claro, a gente tem trabalhado, eu tenho andado por toda a Bahia. A nossa campanha está concentrada, além de Camaçari e na [Região] Metropolitana, no oeste da Bahia, no extremo sul, no sertão da Bahia, na região sisaleira. É uma campanha realmente muito grande, até porque nós fazemos nossa campanha hoje dentro de uma base que já vinha com Caetano desde 2014, e potencializou agora pelo fato de ser mulher, que é incrível isso.

As mulheres, até por força do que o país vive hoje, elas estão mais conscientes da questão da participação delas na política, mesmo que não venham como candidatas, mas participar mesmo, ir para as ruas. Estou recebendo muito apoio, muita gente que me liga: “vou estar com você, Ivoneide, porque eu quero votar em mulher”. E eu estou muito feliz com isso, não importa se vai ser a primeira, a segunda, não importa. O que importa é que a gente tenha um espaço lá, porque vai ser muito importante para Camaçari, inclusive no processo eleitoral de 2024, a gente sabe disso, e para a Bahia.

D1 – A senhora está levantando essa pauta de mulheres e representação política. De que forma pretende debater isso, de assegurar mais espaços para as mulheres, e a questão da proteção contra a violência e assédio, como foi o caso mais recente que aconteceu aqui na Câmara Municipal com a vereadora Professora Angélica? Como a senhora pretende se posicionar também com relação a isso no período de campanha?

Assista: 

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D1 – Dentro da bandeira de políticas públicas para as mulheres, como pretende traduzir isso dentro da sua campanha? O que seriam essas políticas públicas e quais são as demandas mais urgentes da população feminina baiana?

Assista: 

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D1 – A senhora acredita que é necessário fazer um recorte específico para a população negra feminina? Como isso pode ser trabalhado, visto que neste período pós-pandemia e durante a pandemia, no período mais intenso, elas foram as mais afetadas economicamente?

IC – Com certeza. Nós estamos aqui em Camaçari inaugurando a nossa Maternidade, que o governador Rui Costa está entregando para Camaçari e Região Metropolitana. Eu estive lá visitando a obra, estive conversando. Ontem mesmo eu liguei para a pessoa responsável que vai estar nas contratações, e a gente falava sobre isso, da importância de colocar um corpo técnico que tenha competência, que seja preparado para cuidar. Porque tem um tipo de violência, que é a violência obstétrica, que atinge especialmente as mulheres negras, e eu fico assim arrepiada, porque é muito triste falar. Toda vez que eu vou em um hospital, maternidade, eu recebo mulheres me relatando coisas terríveis.

Então, é preciso ter esse olhar, é preciso que haja respeito. A gente viu recentemente uma mulher ser agredida na hora do parto. Agredida não, violentada, e esse foi um caso que a gente ficou sabendo, imagine quantos outros a gente não tem conhecimento. Então, eu acho que nós precisamos estar juntas. Inclusive li seu artigo, quero lhe parabenizar, quando você falou lá da questão da vereadora. E aí quero aproveitar e falar com toda a imprensa que a gente tenha esse olhar para todas as mulheres que sofram violência, que não precise ser uma vereadora, que precise ser alguém com o poder econômico um pouquinho melhor, mas que a gente esteja realmente atenta para fazer as denúncias e que possamos ampará-las.

D1 – A senhora já entrou na questão da saúde, então vou adiantar um pouco. É uma das suas bandeiras e tem sido um dos principais alvos de ataques da oposição, principalmente a fila da regulação. Como analisa o cenário da saúde ofertada na Bahia e como tornar mais ágil e menos crítico o trabalho da regulação estadual?

Assista: 

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D1 – E no recorte Camaçari, como vê a saúde ofertada aqui no município, o serviço prestado também pelo Hospital Geral? E o que a cidade tende a ganhar com a Maternidade Regional, após oito anos desde o primeiro anúncio?

Ouça: 

 

D1 – A gestão municipal acusa que, por conta do HGC ter fechado o atendimento de demanda aberta, tem sido sobrecarregado o sistema municipal. Então, a senhora acredita que hoje o serviço prestado pelo HGC tem sido de qualidade?

IC – Com certeza. Porque assim, existem as competências do município e do estado. Todo mundo sabe que ao município compete a questão da saúde dos postos médicos, saúde da família, e ao estado a alta complexidade. O que o Estado fez foi investir no hospital. O hospital está apto para receber qualquer tipo. Infarto, por exemplo, quando alguém infarta em Camaçari não vai para a UPA, vai para o hospital, e o hospital recebe. Agora, não dá para o hospital receber lá alguém, por exemplo, que está com febre ou uma coisa que resolve no posto, que resolve na UPA. Quando acontece isso, você sobrecarrega o hospital. Quando chegam os casos graves o hospital está cheio e as pessoas acabam vindo a óbito.

D1 – Então, como resolver esse cenário? É investimento na atenção básica?

IC – O prefeito fazer o investimento no que compete a ele, reabrindo UPAs. Existe hoje um regulamento que, a cada 50 mil habitantes, já pode ter uma UPA. Se nós temos hoje 200 mil habitantes, são 220 mil na sede, nós podemos ter até quatro UPAs. Então, vamos reabrir as UPAs, vamos equipar os postos médicos, vamos pegar os agentes de saúde, dar para eles a condição para que façam o trabalho deles nos bairros, cuidando das famílias, que aí vai diminuir o incidente para que aquele paciente chegue até o hospital, que é alta complexidade.

“Precisamos entregar para o presidente Lula um Congresso que tenha compromisso”, defende Ivoneide

Foto: Patrick Abreu/Destaque1

D1 – Agora indo para outro ponto, a questão da geração de emprego e renda. A senhora já falou um pouco, mas Camaçari tem uma forte dependência do Polo Industrial. A saída da Ford impactou muito na arrecadação do município, deixou milhares de desempregados, e até o momento não há previsão para a vinda de uma nova empresa. Como fortalecer outros setores econômicos do município, a exemplo do comércio, serviços e turismo? E também assegurar a vinda de uma nova empresa em substituição à Ford?

IC – A saída da Ford foi um prejuízo enorme para Camaçari. Aliás, foi um prejuízo para o Brasil. Nós tínhamos a Ford em São Paulo, que tinha 100 anos, salvo engano, e saiu agora com o governo Bolsonaro. É uma tristeza isso. Camaçari, eu lembro que quando anunciou a saída da Ford foi uma coisa muito repentina. A gente acordou e a Ford não estava mais aqui, a gente não conseguiu achar o prefeito para dialogar, o prefeito estava fora da cidade, continuou de férias fora da cidade. Eu lembro que eu fui para a porta da fábrica com Caetano e com outros companheiros, vereadores Tagner, o próprio Dentinho, e outros, e não houve um apoio, não houve uma discussão, então certamente faltou esse empenho. O prefeito tem que tomar conta da sua cidade, e é bom lembrar que o presidente é aliado dele. Então, a Ford foi embora e trouxe prejuízo para a cidade, mas a arrecadação continuou boa. Esse ano Camaçari arrecada R$ 2 bilhões, mas o prejuízo foi para o trabalhador, que perdeu seu plano de saúde, que está desempregado. O que acontece é que a gente começou a sentir isso agora, o trabalhador começou a sentir isso agora, porque recebeu a rescisão, e aí de onde se tira e não bota faz falta, óbvio. Muitos fizeram seus investimentos, empreenderam, uns deu certo, outros não deu certo, e outros ficaram comendo mesmo com aquele dinheiro. Agora acabou o dinheiro e o município não se preparou para esse momento.

É triste de falar, mas tem mães hoje em Camaçari que ainda não conseguiram matricular os seus filhos porque não tem vaga na escola. Semana passada eu estive no pátio da prefeitura, apoiando a greve dos professores, e fui na secretaria com uns professores que queriam usar o banheiro, e a secretária não deixava usar o banheiro. E chegando lá eu encontrei uma mãe que disse que estava desde janeiro andando para a secretaria para tentar matricular o filho e não conseguiu matricular, porque não tem vaga nas escolas. O prefeito não conseguiu entender que, com a saída da Ford, a demanda ia aumentar, ele precisava abrir mais demandas para a cidade. Então, na escola impactou, nos postos médicos, impactou na UPA, porque o pessoal perdeu o plano de saúde e busca a UPA. Isso foi muito ruim para Camaçari. O governador tem discutido com várias outras empresas. Eu acredito que a qualquer momento vamos ter uma surpresa agradável. A gente tem discutido isso, já tem tido várias reuniões e eu estou torcendo.

Agora, a gente não pode mais pensar Camaçari só do ponto de vista da economia do Polo, da indústria, a gente tem que entender que nós também temos outras potencialidades. O turismo, por exemplo, é uma coisa fantástica que a gente tem aqui em Camaçari. Nós temos 42 km de praia, temos uma beleza natural extraordinária, que começa desde Busca Vida. A gente precisa de fato se preocupar com isso e essas outras coisas, o turismo rural, o turismo ecológico, tem um mundo de coisas aí que a gente discutiu muito em 2020 no nosso plano de governo, mas a cidade decidiu reeleger o prefeito.Vamos agora esperar que passe o mandato dele, e em 2024 a gente volta a discutir com a cidade e buscar trazer um tempo com mais desenvolvimento. Essa semana mesmo passei no comércio e vi várias lojas fechadas. Deixamos de ter o Camaforró, por exemplo, foi muito ruim para o comércio. Eu lembro que na gestão de Caetano aqui em Camaçari, chegava o São João e ele pagava o servidor antes do São João para que ele pudesse comprar no comércio, aquecer o comércio. A gente fazia o Camaforró e todo mundo ganhava, desde o comerciante ao menino que vendia ali o refrigerante, a cerveja.

D1 – Se eleita deputada federal, como acredita que pode contribuir para essa mudança, esse desenvolvimento econômico de Camaçari?

Ouça: 

 

D1 – Uma questão puxa a outra. Sobre a fome, o Brasil voltou ao mapa da fome, milhões de brasileiros vivendo em situação de insegurança alimentar. Como os deputados federais, o Senado, pode intervir para que mude essa realidade também diante da inflação dos alimentos que a gente vivencia hoje?

IC – Eu não consigo entender como o Brasil, que é hoje o terceiro país do mundo que mais produz alimento, e a gente voltou para o mapa da fome. Eu tenho, nas minhas discussões, conversado muito e ouvido do meu presidente Lula, eu ouço muito, eu atendo muito com ele, um dos caminhos que nós temos para acabar com a fome no país, por exemplo, é investir na agricultura familiar. O Rui Costa tem feito muito isso, investiu mais de 3 bilhões [de reais] aqui na Bahia, mas o governo federal retirou recursos da agricultura familiar. Quando ele [Jair Bolsonaro] assumiu o Brasil, ele saiu tirando recurso de tudo, da educação, que começou lá com Temer, que foi o congelamento dos gastos públicos, parou de investir em tudo, e o resultado é o que está aí. Nós precisamos retomar com essa pauta, porque primeiro para poder levar comida para a mesa do povo, segundo para levar comida saudável, porque aí vamos evitar também a doença, que a gente pare na UPA e no hospital.

Eu conversando onde eu passo e vendo a política de Bolsonaro de ter liberado tantos agrotóxicos, muitos para poder beneficiar um grupo específico de apoiadores dele, está acabando com a gente, é muita gente com câncer. Você chega na região de Irecê é uma coisa absurda. Irecê hoje é a primeira cidade do Brasil que mais tem casos de câncer por conta da questão da cebola e outras coisas que eles produzem lá, e a quantidade de agrotóxicos. Inclusive, o governador Rui Costa vai inaugurar agora lá um hospital só para cuidar do câncer, eu achei uma atitude muito bacana, porque esses pacientes saem hoje de Irecê em um ônibus para poder vir para Salvador. Imagine que é uma doença terrível, passam a noite andando naquelas estradas até chegar. Rui vai minimizar a dor, mas o que a gente tem que fazer mesmo é fazer com que o Brasil comece a consumir os alimentos saudáveis, para que a gente possa reduzir esses números de câncer e outras doenças. Crianças obesas, crianças já com diabetes. Tudo isso é por conta da alimentação.

Eu tenho visto o presidente Lula muito empolgado, falando muito sobre isso, e eu estou muito otimista, mas de início para acabar com fome tem que fazer um programa social ousado, que contemple a todos, que não seja um programa eleitoreiro, que não seja um programa só na época da eleição, que é o que a gente está vendo hoje, o “pacote de bondades” do Bolsonaro com esse auxílio. Por que começou agora? Por que ele está há quatro anos no Brasil e agora que começou esse programa? Temos que ter um programa. A transição do Bolsa Família para o Auxílio Brasil, só na Bahia, deixou 1 milhão e 600 mil pessoas fora do programa, são 1 milhão e 600 mil pessoas que não têm um real no bolso. Então, tem que fazer esse cadastro direito, ver de fato quem é que precisa, que é uma política emergencial – não é o que a gente quer.

A gente quer ter um país que seja desenvolvido, que tenha uma política econômica que dê certo, que os preços não sejam os que estão aí, que a gente possa ter salários e entrar no mercado e escolher o que a gente quer comer, porque a gente não escolhe mais. Hoje a gente entra no mercado e escolhe o que a gente pode levar para casa, e não pode ser assim. Eu tenho falado muito sobre essa questão das cestas básicas. Eu digo que elas são importantes, mas é triste para uma mulher sair de casa e buscar uma cesta básica, ela já vai com a autoestima baixa, triste. A gente não quer viver de cesta básica, o nome já fala: “cesta básica” – é o básico do básico. O que a gente quer é ter o nosso emprego, é ter dignidade, é chegar no mercado, encher o carrinho e levar para casa para dar para os nossos filhos.

D1 – Sobre estratégias políticas, como tem percebido o desempenho do seu grupo, principalmente aqui na Região Metropolitana de Salvador, onde a maioria dos prefeitos declararam apoio a ACM Neto?

IC – O Jerônimo tem sido uma surpresa. Por onde ele passa tem encantado a todos, e a questão não é o Jerônimo, é o grupo que Jerônimo pertence. Jerônimo pertence a um time que deu certo no Brasil, que deu certo na Bahia. Essa eleição é uma eleição que, eu não tenho dúvida, vai ser uma eleição nacionalizada – igualmente a de prefeito. A eleição de prefeito o eleitor vai para a urna votar no prefeito, e por consequência vota nos vereadores. Igualmente vai ser agora, o eleitor vai votar no presidente Lula e vai escolher do time de Lula os seus governadores. Então, assim, ele tem crescido muito nas pesquisas.

Nós hoje estamos com 290 prefeitos na Bahia fechados com o nosso time, e com mais de 100 da banda B, como eles chamam, que são aqueles ex-prefeitos. Aqui em Camaçari, por exemplo, tem o prefeito e tem o nosso grupo. Nós tivemos quase 53 mil votos, e ele [Elinaldo] teve 68 [mil]. Temos várias cidades nessas condições, que estão fechadas com Rui por tudo que Rui fez para a Bahia, que começou com Wagner. E tem uma coisa interessante, que eu ouço muito, ninguém quer arriscar. A gente não quer arriscar na Bahia, porque arriscamos no Brasil, e o resultado foi desastroso com o presidente que está aí. Então, acredito que Jerônimo vai ganhar e vai ganhar bem.

A Região Metropolitana eu tenho andado muito, eu tenho priorizado também a nossa campanha na Metropolitana, hoje nós estamos com nossa campanha em Mata de São João, Catu, Lauro de Freitas, Simões Filho, Candeias, Dias d’Ávila, e onde eu passo o povo está muito ligado. Agora assim, a campanha exatamente começa em setembro, as pessoas ainda não estão muito assim nessa questão de decidir agora, de estar externando agora. Vamos ter a convenção dia 30 [de julho], dia 16 [de setembro] a campanha, e aí que o eleitor vai se empolgar mesmo para poder ir para rua fazer o “L”. Mas, assim, eu estou gostando muito.

“Precisamos entregar para o presidente Lula um Congresso que tenha compromisso”, defende Ivoneide

Foto: Patrick Abreu/Destaque1

D1 – A senhora afirma que é a única representante do time de Lula em Camaçari. Pesquisas já apontaram que, quando vinculados a Lula, os pré-candidatos aumentam as intenções de voto nas pesquisas eleitorais, como é o caso do pré-candidato a governador Jerônimo Rodrigues. Acredita que essa é a principal estratégia para vencer as eleições deste ano, tanto para deputada federal quanto governador? Por quê?

Ouça: 

 

D1 – Acha que hoje o cenário é diferente das eleições de 2018, que vincular o nome a Lula só tende a somar?

IC – É, 2018 Caetano fez isso na campanha dele. Ele continuou vinculando o nome dele ao nome de Lula porque nós somos desse partido, não é só no tempo bom. O político tem que ter lado e a gente tem lado. Mas é óbvio que hoje estar ao lado de Lula é muito bom e é melhor ainda quando está de verdade, quando não está só porque ele está bem. Porque tem político aí na Bahia que não diz de que lado está, diz que é de qualquer um, mas não é de qualquer um. Você não pode seguir em um caminho e em qualquer caminho, a gente segue em um caminho aonde a gente quer chegar.

D1 – E por que Jerônimo Rodrigues é o melhor nome para representar a Bahia?

IC – Eu não tenho dúvida disso. Pela sensibilidade dele, pela história dele. Jerônimo é uma pessoa que, como eu e como a maioria do povo da Bahia, nasceu no interior da Bahia, pisou o chão, veio da agricultura familiar. O cara que saiu de baixo e que veio para a cidade para estudar, que hoje é doutor, que é professor universitário, que conhece as dores do povo. Diferente do outro candidato, que, como diz o vereador Tagner, eu acho interessante a fala de Tagner, que diz assim: “o outro candidato nasceu no Corredor da Vitória. Já nasceu com dois, três seguranças”. Nunca foi em uma UPA, nunca frequentou escola pública, por mais que ele tenha sensibilidade nunca viveu isso. Então, é diferente. Jerônimo tem um poder de escuta muito grande, você não tem noção. Foi interessante, eu estava com ele lá na Lapa, a gente fez o trabalho, e a gente foi para o hotel. Quando eu entrei no quarto estava ele: “obrigado, Ivoneide, pela sua companhia”. Ele faz isso com todo mundo, e eu não sei como ele consegue. Então, isso é o cuidado que ele tem com as pessoas, e esse cuidado faz a diferença para qualquer governo, fez a diferença com Rui Costa e vai fazer com ele. Ele vai fazer melhor do que Rui, porque quando Rui assumiu a Bahia, fez melhor do que Wagner, porque Wagner tinha organizado para Rui seguir, e agora, com tudo que Rui fez, Jerônimo chegando, com Lula presidente… então não tenho dúvida que a Bahia vai avançar muito, e eu quero estar aqui para ver esse progresso.

D1 – Aqui em Camaçari, tem feito a dobradinha com o deputado estadual Júnior Muniz, que é de Jacobina e foi vereador de Salvador. Ele é o melhor nome para representar o município na Assembleia ou aposta que há outros possíveis candidatos que podem ocupar essa cadeira?

Assista: 

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D1 – Fora essa questão de Lula, ter esse apoio, que é algo que tem destacado bastante, esse quadro que seu grupo político tem apresentado, de nomes tanto a deputado federal quanto estadual, a senhora considera forte? Por quê?

IC – Não tenha dúvida, são pessoas muito comprometidas. Tanto o Osni Cardoso quanto Marcelino Galo, como Júnior Muniz, têm um mandato hoje de excelência, representam bem o povo da Bahia. O Dentinho está no segundo mandato de vereador e também tem um mandato muito bom. O Cafu Barreto foi prefeito de Ibititá, basta lhe dizer que lá é uma cidade que arrecada 43 milhões [de reais] por ano, veja que aqui são 2 bilhões [de reais], e ele construiu um hospital municipal, e funciona com excelência. Ele tem um trabalho muito bom na região de Irecê. Então, acredito que são pessoas que vão representar bem Camaçari, vão representar bem a Bahia.

D1 – Sobre o lugar que deseja ocupar, que é a Câmara dos Deputados, como avalia o desempenho da Casa nesses últimos quatro anos e o que acredita ser necessário modificar para um melhor desempenho dos trabalhos? O que pretende fazer se eleita?

IC – Eu estava vendo uma postagem essa semana que a nossa companheira Olívia Santana, nossa deputada estadual da Bahia, ela dizendo: “Anitta, quero que você me ajude a acabar com o Centrão”. E ela respondeu: “eu não sou milagrosa, Olívia Santana”. E eu achei interessante, porque hoje aquele Congresso é um Congresso que tem um Centrão que domina tudo e que está lá, passa por todos os governos e continua mandando. Infelizmente, hoje são eles que governam o país, não é mais Bolsonaro, que também não teria grande diferença, são do mesmo perfil. Então, acho que o grande desafio é a gente eleger uma Casa nova, a gente eleger para aquela Casa pessoas que tenham compromisso mesmo, que entendam o que o país está vivendo.

A gente fala muito de partido progressista, de partido de direita, mas não é questão de ser PT ou não ser PT, é questão de que o negócio não está bom. Um litro de óleo hoje mais de R$ 10 é um absurdo, a gente não come mais carne nesse país, o botijão de gás R$ 135, o salário mínimo não consegue sair do lugar. O país passa por uma crise gravíssima. O combustível, vendeu nossas distribuidoras todas, dolarizou o combustível. Eu até brinco, porque eu digo que esse preço agora é para os deputados fazerem a política, porque estava muito caro o combustível, então eles deram um jeito lá de baixar por conta da questão eleitoreira. Então, o desafio é esse, é entregar ao presidente Lula um Congresso que tenha realmente compromisso.

D1 – A senhora aposta que de fato haverá essa renovação?

IC – Eu acho que vai. O eleitor está muito bem informado. Acho que a pandemia também ajudou nesse aspecto, porque ensinou muita gente a usar as redes sociais. A minha mãe com 76 anos aprendeu a usar o WhatsApp e não sai mais de lá, do “zap”, do Instagram, do Face. Então, essas pessoas que até então não estavam, tipo assim, sabendo do que estava acontecendo, agora já sabem. Vamos ter um voto mais qualificado.

D1 – Então, acredita também que a campanha, assim como foi a municipal, vai ser muito via rede social.

IC – Sim, não tenha dúvida. Muito embora eu goste muito da campanha corpo a corpo, olho no olho. Eu gosto muito de andar, de conversar, olhar no olho do eleitor. Eu acho que é bom e faz toda a diferença, que é a questão da escuta. Mas vai se dar muito pelas redes sociais.

“Precisamos entregar para o presidente Lula um Congresso que tenha compromisso”, defende Ivoneide

Foto: Patrick Abreu/Destaque1

D1 – Na disputa para presidente, como tem percebido o cenário com forte acirramento entre o ex-presidente Lula e Jair Bolsonaro, tendo o seu correligionário à frente em todas as pesquisas? Acredita que pode haver alguma surpresa, espaço para uma terceira via?

Ouça: 

 

D1 – E diante do ataque às urnas eletrônicas, à Justiça Eleitoral, o que a senhora pensa que os candidatos podem fazer para assegurar a defesa da democracia e do processo eleitoral democrático e seguro nas eleições deste ano?

IC – Já foi comprovado que as urnas são seguras, não há o que falar de fraudes em urnas. Muito me assusta, muito me deixa perplexa ver o presidente falar disso, ele que foi eleito tantas vezes com urna eletrônica. O que a gente tem que fazer, e aí eu falo de Camaçari, é colocar uma fiscalização que dê conta. Já começamos a organizar essa fiscalização. Camaçari hoje, já temos uma turma grande de advogados que se voluntariaram para participar do dia da eleição, para garantir a lisura, para garantir a ordem. Porque em 2020 foi uma coisa terrível, a gente viu o voto corrente na cara da gente, que era o eleitor entra com o celular, filma o voto, sai e o vereador paga. É um absurdo isso. Então, temos que garantir que a democracia possa ser exercida, que o eleitor possa estar na urna e possa dar seu voto a quem ele quiser. É muito triste a gente ver uma cidade como Camaçari, com o potencial que a cidade tem, com a arrecadação que a cidade tem, a gente pegar e entregar a cidade para uma condição de tanta vulnerabilidade e depois se valer dessa miséria que o governo estabeleceu para poder comprar a consciência das pessoas, para poder oferecer R$ 150, R$ 100 no dia da eleição. Isso passa por uma organização grande no dia da eleição, e nós vamos organizar.

D1 – Por fim, gostaria que deixasse uma mensagem e fizesse suas considerações finais.

Assista: 

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