Com a proximidade do dia 6 de outubro, data que marca as eleições municipais no país, as manifestações de militância política eram um cenário previsto durante o desfile cívico em celebração aos 266 anos de emancipação política de Camaçari, neste sábado (28). Entretanto, o sentimento de pertencimento foi destaque entre aqueles que, mesmo não tendo nascido no município, abraçaram a região, alimentando amor por sua história.

A paulista Clara Silvia representa essa acolhida. Morando há cerca de oito anos na cidade, ela já se considera camaçariense de coração. “Eu quero ficar aqui até o resto da minha vida, porque eu amo esse lugar”, enaltece.
A aposentada também destaca que, durante o tempo que reside no município, nunca perdeu um desfile. “Todo ano estou aqui, venho, trago minha família, é cultura pura. E Camaçari tem que dar andamento a esse tipo de coisa aqui na cidade, isso traz lembranças, ensinamentos para essas crianças que vêm vindo saber um pouquinho da história da cidade”, avalia.

O autônomo Eliano Gomes, que estava acompanhado da esposa Daiane Lima e da afilhada Eloá Francino, todos filhos da cidade, reforça o fomento ao conhecimento como um dos motivos que o fizeram levantar mais cedo com a família neste sábado para prestigiar o ato. O camaçariense ainda ressalta a valorização dos grupos, escolas e demais instituições que passaram pela Avenida 28 de setembro.

“A gente pode ver a diferença de cada escola. Os parentes também estão participando. É atraente e bonito”, conta.
Para os amigos Luiz Felipe e Maria Eduarda, as bandas marciais eram as apresentações mais aguardadas. A estudante, por exemplo, já integrou a Fanfarra Estudantil de Camaçari (Fanesc) e a Banda Marcial de Camaçari (Bamuca). Questionados sobre o cancelamento dos shows de Bell Marques e Kanário, que ocorreriam na parte da tarde, os jovens, ambos de 16 anos, avaliam a decisão, motivada por uma solicitação da Polícia Militar da Bahia, de forma positiva.
“Eu achei que o cancelamento foi preciso. Esses dois cantores de massa, eles puxam muito público, e eu acredito que, se tivesse ocorrido na mesma hora, com certeza iriam ocorrer brigas e violência”, opina Felipe.

Maria Eduarda complementa a fala do amigo. “Eu acho que os cantores deveriam ter sido selecionados, um mais tranquilo e um mais pesado, pelo fato de acontecer muita briga. Eu acho que o cancelamento foi necessário pela saúde da cidade”, complementa.
Cultura, artistas e homenagens
Com o tema “O Futuro em Nossas Mãos: Escola Pública como Lugar de Destino e Partidas”, o desfile deste ano também transitou por homenagens a grupos e pessoas que marcam a história cultural do município. Por meio de estudantes, o público pôde rememorar a figura da saudosa Nildes Bonfim, da Companhia de Apoio Social e Cultural Espermacete. A Mestra da Cultura Popular, que faleceu aos 62 anos, no dia 11 de junho, desempenhava um papel de valorização do samba de roda e da ancestralidade, sobretudo em Barra do Pojuca.
O guitarrista Flávio de Oliveira da Silva, mais conhecido no mundo artístico como Fafal, também foi lembrado. O músico, que atuava junto à turma da Afrocidade, faleceu em maio, aos 32 anos, após ser vítima de espancamento. Conhecido por sua “guitarra potente”, o artista participou de inúmeros eventos municipais ao lado da banda, da qual fazia parte desde a criação, em 2011.

A “poesia que transforma” também marcou presença. Por meio do Slam das Mulé, a arte periférica, por vezes estigmatizada, foi homenageada. Entre as distintas áreas de atuação, o coletivo literário ganha projeção através da arte nas praças. Anualmente, eles realizam a Batalha de Poesia, competição que passeia pela realidade urbana, estimulando novos talentos e escritores locais e regionais que, de alguma forma, buscam chamar a atenção da sociedade para temas como racismo e desigualdades sociais.
Recentemente, o movimento levou o nome de Camaçari, da Bahia e do Nordeste para o festival “Poesia Falada”, em São Paulo.
O momento ainda contou com performances de grupos percussivos, de cultura popular e filarmônicas, bem como bandas marciais e fanfarras, que recebem apoio por meio da terceira edição do Edital Evandro Amaro, através da Secretaria Municipal da Cultura (Secult), em parceria com a Secretaria da Educação (Seduc), além do apoio de outras pastas e órgãos da estrutura administrativa, bem como de instituições parceiras.
Educação
Promovido pela Seduc, o desfile, que encerra as celebrações cívicas do mês de setembro, expôs, ao longo da avenida, a essência de Camaçari refletida em mais de 2 mil estudantes.

Participaram do ato alunos das escolas municipais Denise Tavares, Edivaldo Machado Boaventura, professoras Edelzuita Barreto Bahia e Laurita de Souza Ribeiro; do Colégio Municipal São Tomaz de Cantuária; e dos centros Educacional Monteiro Lobato e Integrado de Educação Infantil (CIEI) Verde Horizonte.




