Segredos inconfessos, triângulos amorosos e paixões inflamadas que se cruzam com o melodrama de acontecimentos políticos do Brasil: após sete anos de sua estreia, “Vermelho Melodrama” finalmente volta para uma segunda temporada. O espetáculo mergulha no gênero do melodrama e aciona questionamentos sobre as ficções da realidade. Baseada em texto do dramaturgo Gildon Oliveira, com encenação e adaptação de Jorge Alencar, a peça agora reúne Diogo Lopes Filho, Lia Lordelo, Neto Machado, Véu Pessoa e Vinicius Bustani no elenco.

Serão 15 apresentações em cinco semanas, de 10 de abril a 10 de maio, no Teatro Gregório de Mattos, em Salvador, sextas e sábados às 19h e domingos às 18h. Ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), à venda no Sympla. Além de ocupar um espaço com acessibilidade arquitetônica, serão oferecidas audiodescrição e tradução em Libras em cinco datas: 12, 17 e 26 de abril, e 1º e 10 de maio.
O texto original, “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático que se firmou no teatro francês no final do século XVIII, caracterizado principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira.
A encenação de “Vermelho Melodrama” coloca a dramaturgia do baiano Gildon em diálogo com uma série de outros autores, como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, levantando assuntos como a emoção na contemporaneidade e o direito ao afeto.
“Remontar um melodrama hoje vai muito além de dar corpo a uma narrativa rocambolesca com suas guinadas e personagens arquetípicos. Há quem fale que o melodrama morreu. Há quem jure que suas mutações seguem infiltradas em todo tipo de plataforma contemporânea, televisão, cinema, literatura, redes sociais… Há quem reivindique (talvez a própria realidade) que as tramas políticas de nosso país superam qualquer ficção”, contextualiza o diretor Jorge Alencar, que pergunta: “Como e a quem é dado o direito de melodramar por amor? Quais são as performances de gênero aí reiteradas ou rejeitadas? Qual medida tomar para falar de sentimentos desmedidos? Quais aberturas textuais permitem a existência de outras vozes?”.
Premiado como Melhor Espetáculo do Prêmio Braskem de Teatro 2019, no qual recebeu cinco indicações e também levou o troféu de Categoria Especial pelo figurino e adereços de Luiz Santana, o espetáculo derruba máscaras com seus personagens arquetípicos, grandes revelações e reviravoltas.
A história central, inspirada no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos. O motor dramatúrgico é uma carta que não foi entregue ao seu destinatário, guardando uma revelação que pode mudar o destino de todos. Numa dinâmica entre real e simulacro, as emoções são amplificadas e colocam sentimentos à frente de um pensamento exclusivamente racionalista.
A peça tem assistência de direção de Larissa Lacerda e Marina Martinelli, colaboração artística de Ellen Mello e Jacyan Castilho e direção de arte da TANTO CRIA, Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia. A trilha sonora e direção musical são do compositor Luciano Salvador Bahia. Quem assina as canções é o músico e cantor Leo Fressato, autor da música “Oração”, tocada pel’A Banda Mais Bonita da Cidade.
Realizado pela Dimenti Produções Culturais, o projeto “Vermelho Melodrama: O Retorno (Ainda Mais Intenso e Visceral)” foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador.




