Fabiano, um dramaturgo em crise criativa, tem um encontro inusitado com a sua memória, encarnada na personagem marcante de uma professora de Literatura, Leda, que o conduz de volta à escola onde descobriu a paixão pelo teatro, nos anos 1980. À espera de um trem em uma estação europeia, ele vai projetando o passado através de lembranças juvenis, estudantis, recriando e revivendo cenas de sua história, recobrando uma consciência quem sabe apenas fictícia, ou não. A metalinguagem atravessa a narrativa, trazendo a metáfora teatral, com seus elementos, discurso e linguagem, para esse que é o eixo do espetáculo “O trem que nos leva”, peça do premiado dramaturgo Paulo Henrique Alcântara, que nessa montagem de estreia tem a encenação de Marcio Meirelles.
A trama se passa numa escola, onde professores e alunos debatem sobre teatro, cinema, personagens, papéis, dilemas e questões que, no enredo, podem soar como representações artísticas, mas que também podem ser lidas como analogias sociais e políticas. Sendo assim, entre essas fronteiras, o pano de fundo da Ditadura Militar no Brasil. No limiar entre a Arte, a Cultura e a Educação, um ambiente apaixonado e nostálgico revela no ar um desejo de transgressão e rebeldia. Entre a dramaturgia do autor e a dramaturgia universal, referências e citações de grandes ícones do teatro nacional e mundial. Nessa viagem sensível pelos trilhos da memória, Fabiano redescobre sua fonte criativa.
Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do espaço ou através do site Sympla. As sessões acontecem de 4 a 21 de setembro, de quinta a domingo, às 19h, com sessões extras todos os sábados, às 16h. A exceção é para o feriado da Independência, em 7 de setembro, quando não haverá sessão. O espetáculo acontece no Espaço Cultural da Barroquinha, na capital baiana.
Mesmo utilizando móveis de um cenário realista, o espaço cênico criado por Meirelles mantém o caráter contemporâneo de sua dramaturgia, explorando níveis, perspectivas e possibilidades de palco. Instalação onde o público se dilui e se distribui na obra. Uma cena viva, intimista e provocadora. A música original composta por Ramon Gonçalves expressa um tom de uma saudade e de um passado em suspensão. De lembranças difusas, em que fragmentos de imagens revisitadas dessa memória formam mosaicos de uma história que pode ser a de Fabiano, ou não.
O vídeo, marca estética forte nas obras de Meirelles, se instala na cena, não apenas imprimindo sua ambiência cenográfica e visual, mas, sim, expandindo a compreensão e a construção dramatúrgica.
O elenco formado por Edu Coutinho, Hyago Matos, Lucio Tranchesi, Veridiana Andrade, Vivianne Laert e Wanderley Meira transita como uma dança por essas muitas personagens e poéticas, passeando por essas histórias e cenas com a experiência e a propriedade de quem já vestiu muitas dessas personalidades em suas trajetórias artísticas.
O projeto “Minotauro em Movimento – Um trem para Marselha” foi contemplado pelo edital Gregórios – Ano IV com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Ministério da Cultura, governo federal.
O Teatro Vila Velha é mantido com recursos do Fundo de Cultura da Bahia, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Edital de Apoio a Ações Continuadas de Instituições Culturais.





