“Nem todos os políticos são iguais”, dispara Curvelo sobre perfil de nova presidência da Câmara

Manoel Jorge de Almeida Curvelo, 58 anos, natural de São Gonçalo dos Campos, Região Metropolitana de Feira de Santana, mora em Camaçari há 30 anos e por aqui construiu sua carreira política.

Eleito presidente da Câmara Municipal em dezembro do ano passado, Jorge Curvelo (DEM) está no seu terceiro mandato e à frente do cargo afirma que pretende aproximar a Casa e os vereadores do povo. “O quê eu quero fazer é isso: é pegar os vereadores da nossa Câmara, colocar junto à população mostrando a importância de cada um, mostrando que o vereador é importante para o povo e o povo é importante para o vereador”.

Além do cargo político, o demista é formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Casado há 14 anos com Clarice Curvelo, pai de Cecília de 11 anos e de Catarina de 13 anos, Jorge Curvelo reside na Lama Preta e afirma que se fixou no município após vir fazer uma audiência, assim que se formou. “Como todos dizem ‘quem bebe água daqui, não sai daqui’, eu bebi água de Camaçari e resolvi fixar residência em Camaçari”, conta.

Curvelo iniciou na militância no então PFL, hoje DEM, se candidatou pela primeira vez em 2004, quando ficou na 2ª suplência, foi eleito em 2008, ano em que formava a bancada de oposição ao lado do atual prefeito Elinaldo Araújo (DEM), ambos vereadores de primeiro mandato. Em 2016 foi eleito pela terceira vez e neste ano, após 11 anos comandando o Democratas em Camaçari, deixou a presidência e transferiu o cargo para Helder Almeida, atualmente secretário da Administração.

O vereador permanece no cargo de presidente da Casa Legislativa até 2020 e em entrevista exclusiva ao Destaque1, Jorge Curvelo falou sobre sua trajetória, os desafios da presidência, seu perfil na gestão e planos políticos.

Destaque1 – O senhor é natural de São Gonçalo dos Campos, por que decidiu vir para Camaçari e como se deu sua relação com a política local?

Jorge Curvelo – Olha, São Gonçalo dos Campos eu só fiz nascer. Eu nasci em São Gonçalo dos Campos e fui morar em Salvador, lá iniciei minha vida, fiz minha faculdade e após esse período de faculdade vim para Camaçari fazer uma audiência e aqui chegando, como todos dizem “quem bebe água daqui, não sai daqui”, eu bebi água de Camaçari e resolvi fixar residência em Camaçari. Tive comércio aqui em Camaçari e comecei a advogar, e logo após entrei na vida pública.

D1 – Mas como foi isso, o senhor já procurou um partido logo de cara?

JC – Eu quando cheguei a Camaçari, cheguei como amigo do doutor Ney Cacim, que era dentista, e se empolgou também com a profissão da advocacia e abandonou a carreira de dentista e veio ser advogado também. Abrimos um escritório juntos e aí começamos a militância política conjuntamente com o ex-secretário de Esporte do Governo Tude, Gilberto D’Errico. Fizemos um trabalho, fui assessor dele, assessor e secretário à época, nós fizemos um grande trabalho na Sedel [Secretaria de Esporte e Lazer], grande secretaria do Governo Tude à época e aí com esse trabalho filie-me ao PFL [Partido da Frente Liberal], sai candidato em 2004 a vereador, fiz um bom resultado, fiquei como segundo suplente disputando com as grandes figuras políticas do município. Eu não sabia pedir votos, como até hoje não sei, não faço nada para pedir votos ou em troca de votos, eu gosto de trabalhar, simplesmente de ajudar, não peço votos, não sei pedir e tive, acho, um grande êxito. À época tive 1.061 votos, fiquei como segundo suplente do meu partido, depois disso aí eu disse: é realmente dá pra ampliar essa ajuda que eu dou à população através da política, achando que poderia ajudar bem mais aqui na política. Saí candidato pela segunda vez, filiado ao PFL, e quando saí candidato Tude já passa para mim a presidência do PFL, fiquei na presidência até a eleição passada, transferi essa presidência para Helder Almeida, que hoje continua como presidente do partido e dá sequência nisso aí, antes PFL e hoje Democratas, e essa foi a minha trajetória política: três mandatos na Câmara. Eu tive o prazer no meu primeiro mandato de ficar juntamente com o prefeito Elinaldo [Araújo], o vereador Elinaldo hoje prefeito. Nós à época tínhamos 13 vereadores, 11 da base do governo e dois oposicionistas, eu e o prefeito Elinaldo. Feito isso, brigamos, guerreamos aqui muito, partimos para uma nova eleição, fomos eleitos, trouxemos juntos o [Antônio] Falcão e o Junior Borges, ampliamos a nossa base, passamos a ser quatro vereadores oposicionistas e, também, a Câmara aumenta para 17 o número de vereadores e foi  essa sequência. E agora fomos reeleitos novamente e graças a Deus com o prefeito ao nosso lado. Porque você numa oposição pouco você consegue realizar ou quase nada. As gestões que por aqui passaram não traziam nada para a gente. Nós colocávamos projetos, projetos de qualidade que poderiam ser bastante úteis para a população, mas os gestores não realizavam. Diferente hoje do nosso prefeito Elinaldo que realiza tanto os projetos da base governista, quanto os projetos apresentados também pela oposição. É bem diferente, é muito mais prazeroso você poder trabalhar aliado com um prefeito que gosta de fazer, gosta de realizar, gosta de atender os anseios da população.

D1 – O seu slogan é “o advogado do povo”, como pretende colocar isso em prática enquanto presidente da Câmara Municipal de Camaçari? Qual será o seu perfil à frente do cargo?

D1 – O senhor já está no seu terceiro mandato e cogitou a presidência em outras ocasiões. Acredita que a conquista do cargo veio no momento certo da sua carreira política? Por quê?

JC – Olha, eu acho que tudo está na mão de Deus. Deus entendeu que esse era o meu momento, esse era o momento que eu deveria ser o presidente da Câmara e estou sendo, graças a Ele. Então, eu não gosto de antecipar as coisas, eu sou uma pessoa que tenho paciência. Para mim tudo está escrito, tudo chega na hora certa e no momento certo. E a minha vida é pautada dessa forma, sem aquela correria desenfreada, sem aquele desespero. Eu não me desespero com nada, acho que tudo na vida nós podemos contornar. Se eu tenho um problema e se esse problema tem solução, ele para mim deixa de ser um problema porque tem solução. Se ele não tem solução, eu tenho que aprender a conviver com aquele problema e penso que se tem um problema, tem pessoas que têm problemas muito maiores do que o nosso, que o nosso é uma gota d’água em relação a outros problemas que as pessoas vivem. Isso faz com que a gente consiga viver um pouco melhor. Nós vemos aí nossos amigos, nosso povo com tanto problema, sofrendo, sofrendo e nós não temos o porquê estar reclamando da vida, reclamando do que temos e sim agradecendo a cada dia o que Deus tem nos dado.

Jorge Curvelo acredita que a presença da bancada evangélica é importante em todas as casas legislativas. Foto: Hyago Cerqueira

D1 – A última gestão ficou marcada pela forte presença da religião, especificamente a evangélica, a Câmara ficou caracterizada por um viés tradicional, como mudar este cenário, tornar a Casa um espaço laico e garantir mais a presença de outras vozes?

JC – O espaço já é laico. Acho que aqui já se permite a presença de todas as vozes. A bancada evangélica ela é importante em todas as casas legislativas, em todos os governos. Eu vejo que se não fosse o trabalho das religiões, do povo evangélico, do povo católico, do povo de matrizes africanas, nós teríamos problemas muito maiores na nossa sociedade. Então, é a religião que tem feito um trabalho que muitas vezes é de obrigação do governo. É aquela história de tirar a pessoa do desvio de comportamento. Gostaria de ver eram os nossos gestores investir mais em ações junto às comunidades religiosas, podendo ceder áreas para que eles construíssem centros de recuperação, seria de suma importância, quer dizer o governo daria a área, daria recursos e com certeza eles fariam um belo trabalho junto à comunidade. Quer dizer, o governo deixaria de estar cumprindo um papel que era seu, entregaria a entidades religiosas que certamente o fariam com muito zelo e presteza, e ajudariam muito ao nosso povo.

D1 – Em 2017 o Ministério Público fez visita surpresa a Casa e constatou excesso de comissionados. O senhor pretende reduzir esse número de cargos? Existe a possibilidade de uma reforma administrativa?

D1 – Falando um pouco mais das ações. Já nos primeiros meses dos trabalhos da Casa, quais pautas pretende dar prioridade?

JC – As pautas elas são oriundas dos projetos dos vereadores. Eles colocam os projetos, nós aprovamos e encaminhamos para o nosso gestor. Prioridade nossa, que a presidência pode intervir, é no sentido de fazer visitas às obras e às escolas, postos de saúde, andar pelo município, nas ruas juntamente com os vereadores para conhecer as necessidades e os anseios da nossa população. É o que nós podemos dar prioridade. Uma sessão especial para tratar de determinado tema, atender certos grupos que venham a esta Casa buscando um auxílio dos vereadores para uma mobilização; muitas vezes uma empresa está se fechando, aqueles funcionários vêm a Casa e nós nos dirigimos ao local, nós mantemos contato com o empresário buscando a geração de emprego, buscando produzir vagas para os moradores de Camaçari, para os nossos munícipes. Então, essa demanda eu pretendo por em prática. Sempre visitar empresas para fazer com que as vagas de trabalho sejam destinadas para o povo de Camaçari. Nós não podemos forçar, mas podemos pedir, sugerir que conceda essas vagas para o povo de Camaçari.

D1 – Então, diante desse atual cenário o assunto prioritário seria a geração de emprego?

JC – Emprego. Seria a geração de emprego e renda para o nosso povo. Porque hoje nós temos uma cidade bem zelada, bem cuidada, o prefeito tem feito ações que permitem que o povo tenha uma melhor qualidade de vida, mas você não pode ter uma qualidade de vida sem emprego. E hoje, o que assola o nosso município é o desemprego.

D1 – No último biênio o senhor atuou como líder da bancada de governo, no entanto não chegou a apresentar muitas propostas em plenário. Por que a sua atuação se deu desta forma e como avalia o seu mandato nesse período?

D1 – O que o senhor considera como relevante dentro do seu mandato?

JC – O atendimento à população. Eu acho muito relevante, porque eu me sinto diferenciado nesse sentido em razão de manter a porta do meu gabinete aberta para a população. Eu quando fui fazer uma reunião, no meu primeiro mandato, uma senhora disse a mim: “vocês políticos são interessantes, vêm para casa da gente, nós abrimos as portas e quando vocês se elegem vocês fecham as portas. Muitas vezes fogem até do gabinete por uma portinha do lado”. E pensando naquilo vi que ela tinha razão. Não sou de prometer, não gosto de prometer aquilo que não posso cumprir e disse a ela, “a senhora tem razão e vou aqui lhe fazer uma promessa: se eu ganhar a eleição, o meu gabinete não vai ter porta. Eu vou arrancar a porta do meu gabinete e no dia da sessão, na primeira sessão eu vou entrar com a porta na cabeça para mostrar à senhora que o meu gabinete não vai ter porta, que é um gabinete voltado a atender o povo, cumprindo o meu papel atendendo às demandas do povo”. Pois bem, ganhei a eleição. Infelizmente não pude arrancar a porta porque a segurança da Câmara não permitia, mas desde então o meu gabinete, quando a minha secretária chega ela abre a porta, deixa literalmente aberta e só a fecha após o encerramento dos trabalhos. E a porta que ela dizia de emergência, que tinha lá no fundo que as pessoas costumavam fugir, os vereadores; eu coloquei armários atrás dela, até para não cair nessa tentação. Então, o meu diferencial é que eu atendo a população. Todos os dias eu faço atendimento das pessoas, eu busco ver os problemas das pessoas, de que forma eu posso encaminhar para resolvê-los.

D1 – Quais são os seus planos políticos para os próximos anos, pensa ainda em disputar um novo pleito como vereador ou almeja uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia?

JC – Eu sou um soldado do meu grupo político. Eu sou um soldado do meu comandante, que é o prefeito Elinaldo, do nosso comandante também que é o ACM Neto. Estou no partido, é o meu primeiro partido político, não fico naquela mudança de partido porque partido para mim é coisa séria, política para mim é coisa séria e o que o partido, o que o nosso grupo político traçar para o meu rumo político eu vou seguir as orientações do meu líder maior que é prefeito Elinaldo.

D1 – Para finalizar, o que a população camaçariense pode esperar dessa nova presidência da Câmara Municipal?

JC – O que a população pode esperar é um trabalho voltado a atender a população. As pessoas vêm aqui dizendo “esta é a Casa do Povo” e eu vou transformar aqui, a Câmara de Vereadores, verdadeiramente numa Casa do Povo. É como eu te disse, eu atendo as pessoas, eu abro as portas muitas vezes, eu abro a porta do meu gabinete para atender a população e em alguns casos eu faço até críticas a algumas pessoas que nos procuram para resolver problemas pessoais e não aproveitam o momento de estar com o seu vereador, de estar com aquele ente político para dizer assim “vereador, o senhor já buscou resolver esse problema meu aqui, mas eu também ou a minha comunidade também ou o meu bairro também tem tais e tais e tais problemas. O quê que o senhor pode fazer para ajudar?”. Essa é uma crítica que faço. Acho que as pessoas devem procurar mais o seu representante, o seu vereador e exigir dele o trabalho político para benefício de todos e não buscar só benefício pessoal. Porque você vem aqui resolve o seu problema e esquece da sua comunidade, e esquece que nós estamos aqui não para trabalhar por você ou só por você, mas para trabalhar por toda uma comunidade. Então, as pessoas que têm acesso à Câmara de Vereadores e aos vereadores devem aproveitar o momento para fazer suas reivindicações, suas reclamações para que possamos atender melhor. Até porque nós não sabemos todos os problemas existentes na nossa cidade. Então, nós precisamos do auxílio, da ajuda de cada habitante para que fazendo as suas queixas nós possamos buscar resolvê-las.

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