A violência contra a mulher segue sendo uma das mais graves expressões da barbárie que vivemos hoje em nossa sociedade. O feminicídio, sua face mais cruel, escancara o fracasso histórico do poder público em garantir proteção efetiva às mulheres. Mesmo com avanços na legislação, a realidade mostra que ainda estamos distantes de assegurar o direito básico à vida e à dignidade.
Em 2025, o país registrou cerca de 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de aproximadamente 4,7% em relação ao ano anterior. Esses números não são apenas estatística: são vidas interrompidas e famílias destruídas. Eles revelam a urgência de políticas públicas mais firmes e contínuas, que não se limitem a ações pontuais ou discursos simbólicos em datas específicas.
A maioria desses crimes ocorre dentro de casa e é cometida por companheiros ou ex-companheiros, evidenciando que a violência de gênero está diretamente ligada a relações de poder, controle e posse. Esse cenário expõe uma falha estrutural: o Estado ainda não consegue proteger quem mais precisa, mesmo quando há sinais claros de risco.
É preciso dizer com clareza: não basta legislar, é necessário fazer cumprir. Fortalecer a rede de proteção deve ser prioridade, com ampliação das delegacias especializadas, garantia da efetividade das medidas protetivas e investimentos reais em políticas de acolhimento. Além disso, é fundamental integrar ações entre segurança pública, assistência social e sistema de justiça, para evitar que mulheres continuem desamparadas.
Outro ponto central é a educação. Combater o machismo estrutural exige investimento contínuo na formação de novas gerações, promovendo valores de respeito, igualdade e responsabilidade. Não se trata apenas de punir, mas de prevenir.
O enfrentamento ao feminicídio exige vontade política, compromisso institucional e mobilização social. Não podemos aceitar que o tema ganhe destaque apenas no mês de março, enquanto, ao longo do ano, vidas continuam sendo perdidas. Defender as mulheres é um dever permanente. E mais do que isso: é um compromisso com a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária.

Márcio Franclin é empresário e professor de História.
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