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Mulheres de Camaçari: Jaqueline Andrade luta pela presença feminina na política

Mirelle Lima

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De acordo com dados da União Interparlamentar, o Brasil ocupa o terceiro lugar no rankinhg de países da América Latina com menos representatividade feminina na política. A ausência de mulheres é notória desde a composição dos partidos até a ocupação de cargos públicos em primeiro escalão de governo.

Professora de história e estudante de direito, Jaqueline de Andrade Santos, 32 anos, luta para mudar o cenário político em Camaçari. Ela tomou posse como vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no dia 21 de janeiro e pretende colaborar para o aumento da representatividade feminina.

Em entrevista ao Destaque1, Jaqueline conta que a política está presente na sua vida desde a infância. Ela acredita que ter convívio com mulheres desde cedo colaborou para que se identificasse como feminista.

“Estou na vida política desde muito nova, pois minha casa foi sede do PT e minha família sempre esteve envolvida na política. Sempre me senti responsável pela sociedade que vivo, me indigno com qualquer injustiça. Fui criada por mulheres fortes que me inspiraram, então o feminismo sempre foi presente em minha vida. Hoje milito em um coletivo feminista chamado Flor de Mandacaru criado na UNEB. Sou formada em história pela UFBA, curso direito pela UNEB, trabalhei um bom tempo com segurança pública. Sempre gostei de estar cercada de pessoas, amigos, em rodas de música e artes em geral”, explica.

A historiadora ressalta que fazer parte do diretório do partido possibilita que ela possa dar voz a diversas mulheres. “Ocupar o cargo de vice-presidente do PT é uma responsabilidade muito grande, sei que isso é importante para representatividade de mulheres na política, minha voz, o que penso e como posso intervir na política do meu partido, me torno representante de muitas mulheres, e militantes do partido. O PT hoje constrói uma candidatura feminina e ter uma mulher vice-presidente fortalece esse caminho”, destaca.

Ocupar qualquer espaço para mulheres nessa sociedade patriarcal é um desafio e na política que é um meio extremamente masculino e machista torna-se fundamental que a gente derrube essas barreiras, então quanto mais mulheres nesses espaços de poder, mais mulheres se sentirão representadas e se sentirão mais confortáveis para ocupar esses lugares, me sinto como ponte para que isso seja mais natural futuramente, pois mulheres antes de mim tiveram esse papel, como Dilma e Luiza Maia. Quero fazer o mesmo

Para ela, o dia 8 de março deve ser voltado à reflexão sobre a luta das mulheres e tudo que elas passam no cotidiano. “O Dia da Mulher como todos os dias é um dia de luta e de sobrevivência. Ser mulher no Brasil é sobreviver, infelizmente vivemos em um país extremamente violento para mulheres, sofremos todo tipo de violência diariamente, seja física, psicológica ou econômica, e esses dados ainda se tornam maior no caso de mulheres negras. Então não tem nada para se comemorar, é uma data de reflexão principalmente para homens que podem e devem se juntar a nós mulheres para enfrentar o mal que é o machismo”, enfatiza.

Jaqueline considera que o município não possui políticas públicas adequadas para atender as mulheres. “Camaçari passa por um processo de sucateamento das políticas públicas que se havia conquistado, fim da secretaria da mulher, mulheres da paz deixou de existir, o Centro de Referência está sucateado, além do poder público não oferecer nada de novo para diminuir os altos índices de feminicídio no município, creches, políticas de incentivo a mão de obra feminina. Enfim é um caos para as mulheres do município”, dispara.

Foto: Reprodução

Eu sou uma defensora de que é preciso falar de gênero e machismo em todos espaços, pois é uma ferramenta poderosa para educar homens e mulheres sobre os males da misoginia e machismo. É uma luta diária incansável, mesmo que sejamos vistas como chatas, o que não podemos é fingir que não existe. É preciso ser enfrentado.

 

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