Mulher em campo: “Eu não me vejo sem o futebol, é o que eu amo fazer”, declara Dilma Mendes

Ocupando um espaço de grande relevância social e majoritariamente masculino, a filha de Camaçari, atual treinadora do Vitória Camaçari Fut 7 e agora no comando da Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7, Dilma Mendes, 55 anos, se destaca no cenário esportivo baiano e nacional pelo conhecimento técnico, tático e experiências em diferentes modalidades. Além militância e trabalho social desenvolvido dentro do esporte.

A ex-jogadora de basquete, vôlei, atletismo e futsal feminino, atua como treinadora há 18 anos e já passou por diversas equipes de futebol e fut7 nas mais diversas categorias masculinas e femininas. Para além disso, Dilma faz parte das que lutam pela visibilidade da mulher no futebol brasileiro.

Além de tocar a Seleção Brasileira Feminina de Futebol 7, Dilma tem novos projetos em mãos para 2019. A treinadora busca patrocínio para a equipe Camaçari Fut7, participa do Campeonato Baiano Adulto Masculino e Feminino, Campeonato Baiano de Base, Copa Bahia Fut7 Masculino, Campeonato Brasileiro Adulto Masculino e Feminino, Copa Nordeste Masculino e Liga das Américas Masculino e Feminino.

No dia 10 de fevereiro a equipe masculina adulta disputará a final da Copa Nordeste de Fut7,  na categoria aspirante, contra o Real Itapuã, no Aéreo Futebol Clube, Salvador.

Em entrevista ao Destaque1 , Mendes revela como começou sua relação com o esporte, seus principais desafios, talentos revelados através do seu trabalho e principalmente suas maiores realizações.

Destaque1 – Como surgiu seu interesse pelo futebol?

Dilma Mendes – Eu sou a caçula da família, entre cinco homens e uma mulher. Quando eu era ainda criança, minha irmã já estava naquela fase de casamento, então não tinha com quem brincar, ou eu convencia meus irmãos a brincar de boneca ou eu brincava com eles de bola. O jeito foi eu me aliar aos meus irmãos e ir jogar bola. Sempre foi difícil para a família aceitar, e eu compreendo o posicionamento deles sobre isso. A formação deles é pensar que mulher não poderia jogar futebol porque era coisa pra homem. E eu, compreendo isso, porque é outra formação de pensamento.

D1 –  Em 1976 você criou a primeira equipe de futebol feminino de Camaçari. Como nasceu a iniciativa de criar uma esquipe local?

DM –  Tínhamos uma grupo de meninas que jogavam bola no Cantuária. Eu passei e ia ser treinadora e também era jogadora e decidimos criar a equipe. Não era fácil a mulher jogar bola, mas a gente embarcou em firmar a equipe. Hoje temos conquistas inéditas em Camaçari no segmento do futebol feminino. E isso é um trabalho nosso, eu nunca assinei nenhum contrato com nenhuma gestão do município. Todo o trabalho sempre foi com apoio de patrocínios e pais. Mas ver o resultado já é uma realização imensa.

D1-  A atuação da mulher é criticada em diversas áreas, entre elas o esporte. Você começou ainda na década de 70 no futebol e estamos em 2019. O que mudou de lá pra cá com relação ao trabalho desempenhado por técnicas e jogadoras, a valorização dessas profissionais? Como passar a ocupar essas funções e driblar o machismo?    

DM –  O preconceito e machismo hoje é tão forte quando em épocas atrás. Ainda não é fácil uma mulher como treinadora dizer para um homem como ele tem que jogar e como ele tem que se posicionar. O que mudou é que as mulheres estão lutando mais pelo que elas querem. A fibra e força da mulher que está sempre tomando as ‘porradas’, mas ao mesmo tempo levantando fortalece. Tem momentos que temos que transformar a disciplina pelo hábito. Se fosse pela minha própria motivação sozinha, eu não teria chegado até aqui. Dentro do meu próprio eu tive que transformar minhas motivações em hábitos, porque não é fácil.

Foto: Hyago cerqueira

D1 –  Entre descobertas de talentos intermediadas por você estão a meia-atacante Formiga, da Seleção Brasileira Feminina e Tatiély Sena, considerada a melhor jogadora sub-23 do Fut7. Além dessas, quais os seus maiores talentos revelados até agora? E qual a importância de dar oportunidade para novos talentos e incentivar a participação de jovens atletas no futebol? 

DM –  Além de Formiga e Tatiély, que são atletas a nível mundial, passou por aqui muita gente boa que está até fora do país. Entre esses outros estão Thainá Barbosa, campeã da Copa América de Fut7 pela Seleção Brasileira, Miler Alves, campeão da Copa América e Copa do Mundo Fut7, também pela seleção. E muitos outros atletas profissionais como Baco, Fausto, Araújo, que joga na Arábia, Eltinho e Fabiana da Seleção Brasileira que está nos EUA. No futebol temos também Tânia Maranhão e Cátia Silene. Quando a gente reconhece um talento, a gente acolhe. Essa é a importância que eu dou de continuar aqui na cidade. É possível sim a gente ter bons atletas que saem daqui, desse projeto nosso. E por isso eu não pretendo sair da minha cidade. Esse espaço de revelação faz com que esses meninos se descubram.

A treinadora entre os inúmeros títulos conquistados. Foto: Hyago Cerqueira

D1 – Falando agora de Fut7, área que você trabalha atualmente, a Bahia hoje pode ser considerada um estado revelador de talentos para a modalidade?

DM – É um estado revelador com certeza, mas é preciso fazer algumas ajustes pedagógicos para que a gente tenha mais tranquilidade no futebol 7. O futebol 7 é uma das modalidades que mais cresce no país hoje, vários atletas que não tiveram oportunidades no futebol de campo tradicional e acabam se revelando no fut7. É possível ver aqui, diversos empresários que assistem os jogos para captar atletas que já tenham uma base. A Bahia sempre vai ter esse lado revelador de talentos para o futebol.

D1 – Você assumiu recentemente a Seleção Brasileira de Futebol 7. Como você pretende atuar nesse novo desafio?

DM – Eu atendi essa ligação imensamente feliz. Mesmo muito feliz, eu fiz a  proposta para a Seleção que eu não iria morar fora de Camaçari e eles aceitaram. E essa nomeação faz parte de um reconhecimento de todo um trabalho que eu venho fazendo durante todos esses anos. Encarar isso vai ser um grande desafio. Esse ano vai ser fechado com chave de ouro pra mim, porque é a realização de um sonho, disputar um mundial como treinadora da seleção feminina e eu espero que dê tudo certo.

D1 – As escolas também são responsáveis por incentivar aos alunos na prática de atividades físicas. Qual sua visão sobre a importância de investir no esporte como medida educativa?

D1 – Existe Dilma sem futebol?

DM – Dilma sem futebol, é igual a música de Claudinho e Bochecha, Dilma sem futebol não existe. Eu não me vejo sem o futebol, essa é minha praia. É o que eu amo fazer.

2 comentários em “Mulher em campo: “Eu não me vejo sem o futebol, é o que eu amo fazer”, declara Dilma Mendes

  • quinta-feira, 17 de janeiro de 2019 em 20:29
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    Mais um belo trabalho meu sobrinho amada, parabéns por mais essa arte.

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  • domingo, 27 de janeiro de 2019 em 06:14
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    Parabéns que Deus cintinue lhe fortalecendo e dando sabedoria, para que sim tenhas ainda mais êxito.. E que os empresários e o poder publico venham sempre a estar lhe apoiando, pois assim levaremos um pouco mais de cidadania a nossa cidade.

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