Mês Internacional do Teatro: “Transformarei minha luta em arte”, expressa o ator Philipe Pimentel

Presente nas cenas artísticas de Camaçari desde 2014, o ator Philipe Pimentel, de 20 anos, iniciou sua carreira em uma oficina na Casa da Criança e do Adolescente. Desde então Pimentel vem realizando espetáculos e performances.

Na década de 1960, a performance surge como uma modalidade de manifestação artística interdisciplinar que pode combinar teatro, música, poesia, vídeo, com ou sem público. E por ter essas características, Philipe está sempre presente na cidade com seus trabalho, seja nas ruas, nas praças ou palcos.

Estou sempre montando algo pra me manter perto da Arte.

O ator conta que sempre se viu na arte. E a vontade de expandir essa visão e ter experiências o motivou a investir e embarcar no mundo das artes cênicas. “Sempre fui ao teatro assistir espetáculos, sempre sentia que estava em minha casa, sentia a necessidade de estar nos palcos e conhecer melhor aquele universo. Todo esse desejo veio por causa dessas experiências de idas ao teatro”, conta.

Foto: Kaique Ara

Mas para seguir como ator é preciso ter  uma inspiração. Pimentel escolheu inspirar-se em si mesmo. Isso porque desde pequeno já mostrava seus dons.

“Quando era criança, vivia em diversos universos, era um ‘louco’. Imitava vozes diferentes, corpos diferentes, personalidades diferentes e sempre era julgado por parentes ou amigos. Só eu entendia e vivia o meu universo. Portanto, até hoje me inspiro naquele menino que eu era há 10 anos atrás e sigo minha caminhada levando a arte que aprendi naquela época, comigo mesmo. Toda minha história e todas as minhas lutas me motivam a seguir firme na arte, tendo a arte também como meio de escape para fazer protestos, porque se tentarem calar minha voz, eu transformarei minha luta em arte”, destaca.

Em outubro de 2015, Philipe estreou o monólogo “Menino Fruta”. Sob direção de Daniel Dali, a montagem apresenta no enredo a descoberta sexual do ator. O artista afirma que foi o trabalho mais marcante de sua carreira até hoje.

“Um espetáculo magnífico que contou a história de minha descoberta sexual na adolescência e que proporcionou pra mim uma das maiores experiências que já vivi no teatro, por ser um espetáculo solo que falava justamente sobre mim mesmo. Foi sucesso”, lembra.

Apesar de todo trabalho e toda a beleza que a arte espalha pelo município, Pimentel afirma que a cidade tem um déficit em relação à valorização dos artistas locais.  “Nossa cidade precisa melhorar bastante em relação a arte. Não só no teatro, mas em todas as outras modalidades. Temos grandiosos e excelentíssimos artistas em Camaçari que não são valorizados pela gestão atual, isso porque não acham oportunidades, parcerias e até mesmo apoio do próprio local solicitado para a realização do evento. Fora o mau atendimento dos locais públicos voltados à nossa queridíssima arte”.

Nas suas performances de rua, Philipe traz e frisa a necessidade da sociedade ser ouvida pelo estado, principalmente a voz do povo categorizado como minoria. A interpretação e reação dos populares sobre cada performance é sempre algo novo para o ator.

Muita gente distorce, muita gente entende e muitos criticam ou julgam. Acho que sempre vai existir gente distante, ou ignorante, aquela pessoa que vai julgar o ator como vagabundo e aconselhar a procurar um emprego. As pessoas ignorantes nunca deixarão de existir

Escolher a carreira de ator como uma profissão, além de encarar as críticas, ainda tem a dificuldade financeira, como relata o artista. No entanto, assim como outros profissionais de diferentes áreas, Pimentel acredita no amor que tem pelo seu trabalho para continuar caminhando e não se vê fora dos palcos.

“Não me vejo de forma alguma sem teatro. Eu sou o teatro, sempre fui desse universo e quero viver eternamente nele. É muito difícil sim se manter na arte, uma hora precisamos de remuneração e nessa hora não podemos deixar nossos outros profissionalismos de lado. Sempre busquei representar no teatro, coisas de minhas vivências, minhas lutas e sentimentos, busquei passar mensagens positivas e que deixassem reflexões”.

O ator conclui que o teatro é terapia para a vida e além de ser terapia, convida as pessoas para estarem mais presentes nas mostras e mudarem a visão preconceituosa e limitada sob um artista.

Eu convido todos vocês a participarem do universo do artista. Participar de montagens, construir personagens, memorizar textos e a construir as marcações de um espetáculo. Depois de todos esses processos citados vocês poderão me dizer se realmente teatro não é profissão, ou se não é simplesmente um trabalho.

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