Com o intuito de reforçar a importância da hora de ouro ou “golden hour”, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o ‘Agosto Dourado’ como o mês dedicado à realização de campanhas de conscientização sobre a importância da amamentação. Na capital baiana, o Complexo Neonatal do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) vai celebrar o período com encontros e palestras, visando fomentar as doações e aumentar o estoque do banco de leite humano da unidade.

O leite materno é considerado pela OMS como o alimento fundamental para o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê, recomendado exclusivamente até os seis meses de idade e, após a introdução alimentar, até os dois anos. Atualmente, o local tem atendido, por mês, uma média de 65 recém-nascidos prematuros ou que nasceram com um peso abaixo do normal.
Para a coordenadora de enfermagem do banco de leite da maternidade, Nilma Dourado, o estoque ainda é muito baixo. Ela estima que seria preciso 180 litros de leite mensais para atender a demanda. “Cerca de 70% das mães da unidade são casos de alta complexidade. A maior parte delas vem do interior do Estado, muitas estão doentes ou ainda não estão produzindo leite. Infelizmente só temos conseguido até 80 litros de leite por mês. Fica aqui o nosso apelo para que as mamães possam participar dessa corrente de solidariedade que salva vidas”, pontua a enfermeira.
Quem pode doar?
Conforme o HGRS, toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. No entanto, exames de sorologia (HIV, sífilis e hepatite B) são exigidos e precisam ser refeitos a cada seis meses. De acordo com a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, um litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. A depender do peso do prematuro, 1 ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez que for alimentado. Logo, não há uma quantidade mínima para doação.

As possíveis doadoras de leite humano que já se encontram em suas residências também podem doar o alimento. Eles devem estar em frascos esterilizados e, na sequência, encaminhados pela maternidade ao HGRS. A coleta pode ser realizada na unidade ou na residência.
O leite chega até o banco já congelado. Depois passa por um processo de pasteurização, um tratamento térmico de aquecimento e resfriamento. A amostra passa por um teste microbiológico e se der negativo, o leite está apto para o bebê. “É todo um cuidado higiênico sanitário para que o líquido esteja seguro para o consumo”, garante Nilma.

Onde doar
O banco de leite do HGRS funciona de segunda a domingo, das 7h às 19h. A unidade também está disponível para esclarecimento de dúvidas, por meio do telefone para ligação (71) 3117-7532 ou por mensagens de WhatsApp (71) 98225-5493.
A Bahia conta com outros oito bancos de leite humano, distribuídos entre Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista.
Veja a lista a seguir:
- Salvador – Maternidade Climério de Oliveira – (71) 3283-9264
- Salvador – Iperba – (71) 3103-9304
- Salvador – Maternidade de Referência Professor José Maria de Magalhães Netto – (71) 3111-9350
- Salvador – Posto de Coleta de Leite Humano (PCLH) na Maternidade Tsylla Balbino – (71) 3116-2086
- Feira de Santana – Hospital Estadual da Criança (75) 3602-0630
- Feira de Santana – Hospital Municipal Inácia Pinto dos Santos – (75) 3602-7156
- Itabuna – Hospital Manoel Novaes – (73) 3214-4346
- Vitória da Conquista – Hospital Municipal Esaú Matos – (77) 3420-6237
Campanha
No Brasil, a campanha do Agosto Dourado foi instituída pela Lei Federal n° 13.345, de 12 de abril de 2017. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) reforça a iniciativa em prol do aumento das taxas de aleitamento materno, conforme indicação da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Já a cor dourada foi estabelecida pela OMS, que considera o leite materno um “alimento de ouro”.
Em Salvador, durante todo o período de campanha, o HGRS estará realizando rodas de conversa com mães, acompanhantes e com a equipe multiprofissional para incentivar o aleitamento materno e falar sobre a importância da doação de leite humano.
No dia 23 de agosto, de 9h às 13h, a maternidade vai promover um seminário sobre o aleitamento materno voltado para a mulher negra, mãe com deficiência ou que se encontram no sistema prisional. Os profissionais de saúde interessados no tema poderão participar.




