Já foi 2024: o que esperar de Camaçari nos próximos quatro anos?

A política é uma ciência com infinitas variáveis, e Camaçari é um dos laboratórios mais atípicos.
Fotos: William Rocha; Patrick Abreu/Destaque1

Quando pensei em escrever, fiquei refletindo sobre o quê de grandioso a gestão Elinaldo realizou, e eu não consigo eleger nem um top 10. Acredite, eu escrevo isso com muita tristeza. Ninguém que vive e ama Camaçari deseja que seu município tenha um gestor público que, além de insensível à dor do povo, não consiga gerir com a grandeza que a cidade tem.

Talvez nós, munícipes que se acostumaram com essa política historicamente colonialista, às vezes esqueçamos a importância de Camaçari, mas somos gigantes de dimensão, já que de extensão somos maiores que a capital, e de arrecadação temos o segundo maior PIB da Bahia, quarto maior do Nordeste. O Produto Interno Bruto (PIB) local de 2023 foi de R$ R$ 33.971 bilhões, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

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A meu ver, é vexatório o que sofremos nesses últimos oito anos. Para além da falta de um grande feito, não tivemos o básico (a tão famigerada dipirona nas unidades de saúde), e todas as vezes que cobramos dessa gestão, principalmente da saúde, que foi a área mais crítica, o jogo sempre era confundir a população que não consegue entender a divisão das responsabilidades entre os entes municipais, estaduais e federais, e todos os dias o prefeito, secretário e subsecretário faziam questão de atacar o Governo do Estado.

Para além do amadorismo que é não se esforçar para ter uma boa relação com o Governo do Estado, eu sempre repetia nas infinitas conversas que tinha: “Se o básico tivesse sido feito, o PT jamais retornaria ao poder”, e aí que está: a política é uma ciência com infinitas variáveis, e Camaçari é um dos laboratórios mais atípicos. Sempre que encontro amigos de outros lugares da Bahia e eles pedem notícias do nosso cenário político, eu sempre digo: “Minha Camaçari dá e deixa…”.

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Óbvio que ter essa receita atraente faz a disputa aqui ser acirrada, mas temos outras questões. Uma delas é a militância apaixonada. Acompanhei essa campanha ativamente, inclusive reativando meu trabalho militante, para o qual eu tanto disse que jamais voltaria, mas a vida tem tantas nuances que nos mostra que o conselho de vó está certo: a gente fala de manhã para pagar de tarde. Mesmo nesse cenário, no qual eu estava com o olhar enviesado por estar em um lado definido, penso que essa campanha deixou muitos ensinamentos, já que muita coisa foi novidade, inclusive o abuso de poder econômico.

Nesse quesito, é importante destacar dois fatores, a meu ver. O primeiro: o fator “emenda pix” foi brutal em diversos municípios, e aqui isso talvez tivesse garantido a vitória de Flávio Matos no primeiro turno, se não tivessem ocorrido tantos problemas nas urnas eletrônicas, o que eu acho uma questão fascinante, porque sobre uma variável como essa não há controle algum, pois envolve o fator humano da espera. 

O segundo ensinamento, que acredito ser o mais importante, é levar em conta o fator local, e aqui eu tentarei explicar a minha teoria. Flávio se apresentava como o novo e o verdadeiro camaçariense por ter nascido aqui, mas ao mesmo tempo usava da presença de ACM Neto como trunfo político, o que é comum nessas situações. No entanto, naquela reta final, a informação de que o ex-prefeito de Salvador estava com casa alugada aqui soou como desespero, era como se o local não estivesse dando conta, o que confirma toda a tese, negada por oito anos, de que a gestão de Elinaldo nunca teve autonomia política para com os caciques de Salvador.

Para além da grande vitória de Caetano grande não pela diferença de votos, mas pelo intenso trabalho da militância, o que muito apareceu na fala do próximo prefeito nas vésperas do segundo turno e apesar de muito escutar que ele será semelhante ao que foi nos seus dois mandatos anteriores, vejo mais cautela e determinação. Meu desejo é que ele fique igual ao presidente Lula, que na minha opinião está fazendo o melhor governo, levando em conta todas as dificuldades, inclusive na tentativa de golpe de Estado.

E para minha amada árvore que chora, eu desejo para os próximos anos só lágrimas de alegria. O cenário é muito positivo, inclusive com a chegada da tão aclamada BYD. Confio na experiência e articulação de Caetano, e acima de tudo, nesse projeto coletivo que tem mostrado tanta determinação já nesse processo de transição. Aguardo as cenas dos próximos capítulos com esperança e fé.

Já foi 2024: o que esperar de Camaçari nos próximos quatro anos?

Iana Cedraz é geógrafa e apaixonada por Camaçari, vascaína, mãe de Hector e Mel, observa o espaço e fofoca a respeito.

*Este espaço é plural e tem o objetivo de garantir a difusão de ideias e pensamentos. Os artigos publicados neste ambiente buscam fomentar a liberdade de expressão e livre manifestação do autor(a), no entanto, não necessariamente representam a opinião do Destaque1.

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