Durante 11 anos Camaçari foi considerada Área de Segurança Nacional (ASN) pelo regime autoritário imposto pelos militares, após o golpe de Estado de 1964 e holofotes nacionais se voltarem ao município da Região Metropolitana de Salvador. Em um período marcado pela censura, repressão, perseguição política e suspensão dos direitos civil, o município teve um prefeito deposto, outros dois nomeados pela ditadura e a população sofreu consequências que devastaram o município. Como resultado de uma dissertação de mestrado, a historiadora Rafa Cardoso lança o livro ‘Conflitos, resistência e luta: uma história sobre a Ditadura Militar em Camaçari’, no Teatro Alberto Martins, no dia 26 de novembro.
Graduada em História pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e mestre em História Política pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Rafa Cardoso defendeu sua dissertação de mestrado em julho de 2024, e teve como objeto de pesquisa as estratégias de enfrentamento à ditadura, organização popular e a questão eleitoral no município. No livro, Rafaela aborda o processo de retomada democrática em Camaçari, eleições para vereador e formação de uma oposição organizada, além da violência política durante o processo eleitoral de 1985. A obra também marca os 40 anos de retomada da democracia no país.
Ao longo de quase 10 anos a professora e pesquisadora se debruçou sobre a ditadura civil-militar no município, seus desdobramentos, implicações na vida dos moradores e movimentos de resistência ao regime.
No ano passado, em alusão aos 60 anos do golpe que instaurou um regime militar no Brasil, o Destaque1 produziu uma reportagem sobre o período em Camaçari. À época, quando Rafaela finalizava sua dissertação, ela concedeu uma entrevista à equipe e falou sobre a importância de debater os anos de repressão e resgatar a história do município.
“É uma disputa histórica que eu faço é, como se na nossa cidade não tivesse existido ditadura. Quando a gente vai pegar os livros, as memórias que foram publicadas sobre o assunto, é como se fosse um período maravilhoso e como se nada tivesse acontecido”, afirmou em entrevista.
Conforme explica, a obra surge como uma forma de democratizar o acesso à história do município, e de “lembrar para que nunca mais aconteça”. “Hoje, mais do que nunca precisamos lembrar do que foram os anos de chumbo. Antes da entrevista aconteceu um dos capítulos mais sinistros da história do Brasil com a tentativa de golpe do 8 de janeiro e o Brasil tem dado uma resposta incisiva aos que golpeiam a democracia”, enfatizou.
Veja:
“A ditadura impediu sonhos, experiências e o próprio desenvolvimento do nosso país, hoje tem pessoas com ideias equivocadas daquele período como se fosse algo bom, que transmitia segurança social, contudo, quando analisamos a história, as fontes… é possível perceber quão perversa foi a ditadura e é necessário que relembremos isso para que ela nunca mais aconteça. Em Camaçari tivemos perseguições, prisões, retaliações, corrupção, etc. Não há possibilidade de acharmos isso bom, por isso, ditadura nunca mais”, finalizou Rafaela.
- Leia, abaixo, reportagem especial em alusão aos 60 anos do golpe militar e suas implicações em Camaçari:
Ditadura: há 60 anos, Camaçari era palco de disputas e tensões
O livro ‘Conflitos, resistência e luta: uma história sobre a Ditadura Militar em Camaçari’ foi contemplado pelo edital de chamamento público nº 001/2025 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) II, ‘Camaçari Multicultural’, realizado através da Secretaria de Cultura municipal. O certame selecionou 112 projetos artístico-culturais para receber apoios financeiros por meio do Fundo Municipal de Apoio à Cultura.





