Ultrapassando as linhas da ficção, a primeira Festa Literária de Camaçari (Felizcam) foi formada por uma série de rodas de conversas sobre temas da atualidade. No segundo dia de evento, nesta quinta-feira (4), a atriz Edvana Carvalho e a escritora Márcia Kambeba se juntaram na mesa “Brasil Afro-indigena: nossa ancestralidade, nosso presente”.
O debate foi mediado pela professora Vitalina Silva e pela cacica Renata Tupinambá de Abrantes, que fortaleceu a discussão sobre a preservação cultural e dos saberes ancestrais.
Consagrada na dramaturgia e teledramartugia brasileira, Edvana Carvalho desembarca em Camaçari com um papel que desempenhou ao longo de toda a trajetória: falar sobre representatividade. Depois de interpretar personagens recentes no filme Malês e novelas Vale Tudo e Renascer, Edvana defende mais do que nunca o uso da arte para debater temas importantes.
“Depois de tanto silenciamento, é importante que a gente utilize esses meios artísticos para a gente falar da nossa cultura, do quanto nós ajudamos a construir esse país e não aparecer somente nos noticiários presos, roubando. Porque tem uma construção muito negativa da imagem das pessoas pretas nesse país”, reiteirou a artista.
Ao lado da atriz, a escritora paraense Márcia Kambeba trouxe da Amazônia um vasto e imponente conhecimento, sustentado nos mais de 15 livros de literatura indígena publicados. “Entre a escrita que eu produzo, tem memómia, tem identidade, tem ancestralidade e como essa relação afro-indígena se estabelece dentro também da nossa escrita literária, isso é muito importante da gente trazer”, explicou.
Para ela, falar para um público composto por professores e estudantes ajuda a perpetuar sua mensagem. Mestre na Universidade Federal do Amazonas, a autora explicou que “como educadora que sou, eu penso que é nas crianças, nos jovens, que nós depositamos toda nossa confiança e esperança” e que produzirá conteúdos que serão utilizados pela novas gerações na luta pela resistência”.
Para convidadas de peso, nada mais justo que mediadoras de grande relevância para a cidade. Vitalina Silva é educadora e foi premiada por um projeto sobre educação antirracista no Prêmio do ‘Movimento LED – Luz na Educação’ da Globo, em 2024. Para a professora, o evento possibilita que os estudantes sejam incentivados pelo caminho da literatura.
“É uma festa da literatura, da escrita, da oralidade e essa aproximação que se faz entre o autor e o leitor, trazendo novos horizontes para os estudantes que compõem, que escrevem, que tem acesso a literatura e que faz isso como algo que seja um caminho para que ele também esteja nesse lugar”, comemorou.

Liderança de povos originários de Camaçari, a cacica Renata Tupinambá de Abrantes trouxe não só reflexões étnico-raciais, mas reiterou seu papel na representatividade e no empoderamento feminino, visto que o seu povo é majoritariamente liderado por mulheres.
“Falar aqui em Camaçari também, nessa primeira feira literária que está acontecendo, é falar na riqueza não só daqui de Camaçari, como de todo o Brasil. A gente está recebendo escritores, pessoas com habilidades na escrita. Eu como abrantense, tupinambá, cacica indígena fico muito feliz de estar aqui representando meu povo”, celebrou.

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