‘A liberdade de amar quem se quer’ foi um dos fios condutores que inspiraram a cantora Nathalia Bellar na construção musical da canção ‘Deixa eu Colar’, que teve o clipe oficial lançado nesta sexta-feira (26). A paraibana, nascida em João Pessoa, conta que a música é uma celebração da latinidade e da força do sagrado feminino. A faixa é uma parceria com os artistas Guga Limeira e Carol Jongo, além de contar com produção musical de Hugo Limeira, trazendo uma sonoridade que mistura influências afro-latinas e nordestinas, na maior fusão dançante.
“Meu coração apontava para uma fase mais solar, mais dançante, e para o desejo de falar sobre a liberdade de amar quem se quer. Papeamos bastante a respeito de influências, referências, mercado, etc, e ele me mostrou algumas de suas criações, eu trouxe também músicas minhas que estavam ainda inacabadas. Uma delas, em parceria com a compositora mineira Carol Jongo. Fomos misturando versos e ‘Deixa eu Colar’ desabrochou”, conta Bellar.
Marcada por beats dançantes, percussões inspiradas no maracatu afro-nordestino e metais que remetem ao universo da música latina, compõem um mosaico sonoro bem característico da Nova MPB, inspirada também por nomes como Luedji Luna, Seu Jorge, Sara Tavares e Xenia.

A letra leva o ouvinte a um cenário imaginativo que fala sobre o encontro e envolvimento romântico entre duas mulheres pretas, abençoadas por uma Deusa interior que simboliza a força e a capacidade de reger o mundo, a mensagem fica clara e retrata a força do sagrado feminino. “É também sobre empoderamento, sobre assumir os desejos mais íntimos e ir em busca de realizá-los”, acrescenta a artista. Para ouvir a canção no Spotify, clique aqui.
Audiovisual
A estreia de ‘Deixa eu Colar’ também marca os 18 anos de carreira musical de Nathalia. A produção audiovisual conta com concepção artística feita majoritariamente por mulheres na linha de frente e, traz referências às deusas da antiguidade, como Afrodite e Iansã, e utiliza a maçã do amor como símbolo de encantamento e pertencimento.
Filmado nas ladeiras históricas de Olinda (PE) e no Centro Histórico de João Pessoa (PB), o clipe captura a energia boêmia e as cores vibrantes desses espaços, transportando o espectador para o universo quente e apaixonante da música. “Estávamos alinhadas com a ideia de que trataríamos desse amor quente retratado na música com delicadeza, pensando sempre no conceito da pele como espelho de todas as sensações e emoções”, revela.
Sobre Nathalia Bellar
A paraibana encontrou na música um meio de expressão e conexão com a sua identidade e ancestralidade. Bellar acredita no poder transformador da arte e utiliza suas canções para compartilhar histórias reais e emocionantes.
“A arte me devolveu a lugares que sempre foram meus, mas que me foram negados por muito tempo. Costumo dizer que foi através da música que descobri a minha negritude, quando tive coragem de assumir meus cabelos crespos e me conectar com a minha ancestralidade. Me interesso por falar sobre a minha história real, sobre o quanto o palco me cura das mazelas do mundo, me liberta das inseguranças”, enaltece.

Nathalia começou a mostrar grande interesse pela música aos 15 anos, quando ganhou de seu pai o primeiro violão. Desde então, passou a dedicar-se ao instrumento nas horas vagas, conseguindo desenvolver um bom aprendizado. Nessa época, já era influenciada pela turma da Legião Urbana, considera uma das maiores bandas de rock do Brasil.
Ela destaca que ouvia também as chamadas “boy bands”, grupos formados por garotos no final da adolescência e início da fase adulta, a exemplo dos fenômenos dos anos 90, Backstreet Boys e ‘N Sync. Esses artistas ajudaram a nordestina a se apaixonar pela língua inglesa e, mais tarde, cantar profissionalmente.
No entanto, por influência da mãe, Nathalia salienta que também passou a ouvir grandes vozes da MPB como Elis e Maria Bethânia, que ampliaram seus horizontes musicais e viriam a se tornar suas maiores influências.
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