De acordo com dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), em 2022 a Bahia estava em sétimo lugar no ranking de estados com maior número de registros de acidentes de trabalho, com 17.264 ocorrências. O mesmo levantamento conclui que, a cada quatro horas, um brasileiro morre em razão desse tipo de acidente.
De acordo com a médica do trabalho e especialista em Saúde e Bem-Estar Ana Paula Teixeira, muitas dessas fatalidades poderiam ter sido evitadas com o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI), conforme as Normas Regulamentadoras (NRs).
“A prevenção é sempre o melhor remédio, em qualquer situação. E nada melhor do que promover uma reflexão como essa, neste mês que é marcado pelo Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, em 28 de abril. É salutar e urgente o debate sobre esse tema, como forma de alertar para os riscos de condutas e práticas de trabalho que não estejam em conformidade com o que a legislação recomenda”, pontua.
O ranking é liderado por São Paulo, com 204.157 casos; seguido de Minas Gerais, com 63.815; Rio Grande do Sul, com 50.491; Santa Catarina, com 46.813; Paraná, com 44.786; e Rio de Janeiro, com 38.363.
Apesar do quantitativo de mortes ser preocupante, outra questão chama a atenção de consultores e profissionais da área da Medicina do Trabalho: os acidentes ocupacionais, que, apesar de não serem fatais, causam impactos significativos na qualidade de vida dos trabalhadores, e podem dificultar até mesmo uma recolocação no mercado de trabalho, devido às limitações adquiridas a partir do acidente em questão.
O próprio estudo já apresenta agravos e segmenta as ocorrências. De acordo com os dados coletados pela plataforma SmartLab, desenvolvida por meio de uma colaboração entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Bahia se encontra em sétimo lugar, em relação ao número de acidentes no trabalho, com um total de 17.264 casos. Isso porque os estados com maior concentração industrial e urbana tendem a registrar mais acidentes.
Os profissionais mais afetados são os técnicos de enfermagem, alimentadores de linha de produção e faxineiros. Fratura, corte, laceração, queimaduras e lesões imediatas são alguns dos principais problemas apontados. Além disso, os acidentes costumam lesionar mais membros como dedos, pés, mãos e joelhos, o que impossibilita ou prejudica o retorno imediato às funções, em virtude de uma mobilidade reduzida.
Para ajudar a prevenir situações como essas e reduzir ou descartar o risco da mortalidade devido ao ambiente de trabalho, Ana Paula Teixeira separou alguns pontos de atenção, tanto para o empregador quanto para o empregado.
Confira abaixo:
- Investimentos para evitar situações precárias para o exercício profissional;
- Realização de capacitação ou qualificação continuada para atualização dos colaboradores;
- Presença de práticas que corroborem para um ambiente mais saudável e produtivo;
- Avaliação constante dos gestores com relação ao estado físico e psicológico dos seus subordinados;
- Recorrer a consultores e especialistas na área, que possam viabilizar soluções mais assertivas e com menor potencial de riscos à saúde do trabalhador;
- Deixar de impor metas que, muitas vezes, são inalcançáveis;
- Prover o descanso adequado para recuperação do trabalhador, respeitando as leis trabalhistas.





