Este filme que está em cartaz você não vai querer ver, por Faustino Menezes

Cuidado: este texto contém spoiler, mas acho que você já sabe.

Já que o cinema é considerado sétima arte e arte é cultura, então essa coluna abre espaço para falar de um filme que está em cartaz há algum tempo.

A história, de terror, chama-se “Brasil” e coincidentemente é o que vivemos há mais ou menos seis anos e que continua não só em cartaz como em produção simultânea até hoje.

Capítulos novos e quentíssimos esquentaram – jura? – esse drama político intenso que tem como protagonistas um presidente abobalhado que não sabe muito bem como foi parar ali e o que fazer enquanto é guiado por uma turma perigosíssima.

Há quem assista isso com um olhar apaixonado pelo chefão, o vilão que se faz de mocinho enquanto tenta, de todos os jeitos, sequestrar o coração da mocinha indefesa e inocente que é a “pátria amada Brasil”.

E para esses, o fim do filme esperamos que seja de extrema tristeza.

Estamos há sete meses sem rumo, mas com o roteiro mais aterrorizante dos últimos tempos. Cenas de tragédia e fantasmas do passado voltam a assustar dia após dia toda a sala do cinema. Está osso assistir isso sem pedir para o lanterninha parar o filme a cada capítulo. Mas, logicamente, ele não para.

Parece que jogaram a chave do cinema fora e para sobreviver a esta tragédia anunciada só mesmo uma revolução dos cinéfilos. Afinal, quando todos se unem, tudo tende a dar certo para o povo. Correto?

Mas, como toda trama hollywoodiana, e até mesmo as novelas à la Manoel Carlos, há infiltrados que traem a união do grupo em prol de seus próprios interesses. Estes parecem e se sentem vitoriosos, mas, como todo final de enredo, que os deuses tenham piedade deles. (Ou não!)

O vilão… ah, o vilão… Este continua rindo à toa e fazendo suas atrocidades venenosas que inflamam toda a audiência e dividem opinião. Afinal, para seus fãs, ídolos não mentem!

Os coadjuvantes até que tentam roubar a cena, mas o vilão é muito egocêntrico para dividir a tela com qualquer um. Suas cores se misturam com as do orgulho nacional, porém, sua tinta já vem borrada de fábrica pelo sangue derramado em nome do seu triunfo.

Do outro lado, há um herói que conquistou a amada, mas também a ira de quem sempre o invejara. Colocaram-o atrás das grades e todos os seus lutam e contam os dias para que ele retorne, derrote o vilão e reconquiste a amada que ele sempre sonhou em fazê-la feliz.

E assim, finalmente, irão viver felizes para sempre… até a próxima temporada.

Enquanto isso, os espectadores esperam agoniados na sala enquanto vão avaliando a empreitada. A nota que deram nas urnas foi baixíssima: 1,7. Ninguém aguenta mais este filme.

 

Faustino Menezes, músico, produtor e ativista cultural. Escreve as sextas a cada duas semanas. 

jornalismo@destaque1.com

 

 

 

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