Mesmo após movimentos como o Red Pill ganharem popularidade nas redes sociais, a titular da Secretaria da Mulher de Camaçari (Semu), Branca Patrícia, acredita que há um cenário positivo e que as pessoas estão se alertando sobre discursos considerados misóginos no ambiente digital e que há uma perspectiva forte para que esses pensamentos sejam refeitos.
“Esses grupos estão com dias contados. Porque o mundo está vendo, todos estão falando sobre isso e não acredito que seja um movimento que tenha aí uma vida longa porque as pessoas estão vendo o prejuízo com seus filhos, com suas filhas, com a sociedade em geral. Não é possível você viver no país onde a mulher morre pelo simples fato de ser mulher”, afirma a secretária.
Branca Patrícia foi a 14ª entrevistada do podcast Destaque da Política, transmitido ao vivo nesta quarta-feira (25). Com um celular na mão, a gestora opinou que esforços para garantir proteção às mulheres também devem romper com as barreiras tecnológicas devido a capacidade de influência desses discursos com os mais jovens, que dominam as telinhas.
“Essa é uma ferramenta de longo alcance, que a juventude domina e muito, e conteúdo que aqui está precisa ser regulado, precisa passar por um crivo do que é aceitável. A gente combate combate a violência contra mulher nas escolas, nos bairros, mas a criança vem aqui na internet e tem acesso a conteúdos que terminam influenciando negativamente e formando em massa. O grande perigo é esse”, lamentou.
O modus operandi de grupos como o Red Pill consiste na postagens de conteúdos que reforçam a supremacia masculina e depreciam a posição das mulheres na sociedade. Alguns desses “influenciadores” inclusive ministram palestras com discursos considerados misóginos.
“Utilizam da internet para captar jovens, cooptar jovens, na verdade, para esse movimento que é o antifeminista, que é o machismo onde não se respeita as mulheres. Eles fazem uma movimentação onde agredir é normal, onde é um movimento que mulher não tem direito de fala, que mulher não tem direito de ocupar espaços”, explicou a secretária.
Confira trecho:




