Estados Unidos da América: a supremacia contestada

No centro da maior potência mundial, dois dos seus mais notáveis símbolos são destruídos, logo o poder econômico e o poder militar que compreende o monopólio da exploração e da violência, que são as duas principais alavancas da supremacia das elites governantes e das classes dominantes norte-americanas no mundo, são postos em causa.

E o que parecia apenas um acidente de engenharia passa a ser um acontecimento histórico com implicações econômicas, políticas, sociais e culturais. Esse ataque deixa evidente que está em marcha a globalização do terrorismo, que assinala um aspecto de tensões sociais, ocidentalismo e orientalismo, islamismo e cristianismo, acionados pelo capitalismo.

É também um ato político que compreende guerra entre países, o uso da máquina de guerra para combater aquilo que a elite governante norte-americana chama de “eixo-do-mal”. Mesmo sem saber de onde partiram esses ataques, os Estados Unidos declara guerra a uma das nações mais frágeis do mundo e se instala no Afeganistão, ocupando uma posição geopolítica importante na Ásia Central.

Esses ataques são feitos pelos Estados Unidos com a colaboração ativa de classes dominantes das nações europeias e de outras partes do mundo, entra em curso um controle das coletividades da sociedade norte-americana, europeias, africanas e latino-americanas, reduzem-se ou eliminam direitos democráticos conquistados por lutas sociais, acentuam-se os controles jurídico-políticos, militares e policiais.

O ataque terrorista representa muito mais do que um ataque, mas o desenvolvimento de uma cultura causada por desigualdades e tensões que são usados pela indústria cultural como um negócio lucrativo. Os ataques de Nova York revelam-se como “ataque terrorista”, “ato político” e “ação revolucionária”, porque abalam quadros sociais e mentais e suscitam quais serão os lineamentos possíveis no futuro, são os impasses fundamentais do novo ciclo de globalização do capitalismo.

O que se revela é que desde o fim da Segunda Guerra Mundial, as elites governantes e classes dominantes conduzem uma guerra sem fim a todos os países e regimes políticos alternativos, vigentes no mundo, isso, desde a intervenção nas lutas sociais na Grécia em 1944, até a intervenção no Iraque em 2002. Entre tantos outros casos, como o Irã que teve o governo Mossadeq deposto, após a tentativa de expandir a companhia de petróleo do país, tudo isso causada por uma conspiração norte-americana.

No caso de Cuba, há 40 anos as classes dominantes dos Estados Unidos da América dedicam-se a bloquear, desestabilizar e mutilar o regime socialista de Cuba, na tentativa de reintegrá-la na zona de influência norte-americana. Tudo isso para impedir o florescimento de outros modos de ser, outros estilos de vida e outras visões de mundo.

Tem sido alto o custo de experiências sociais alternativas, devido às destruições desenvolvidas pelas operações diplomáticas norte-americanas, é como se a humanidade fosse constantemente mutilada em sua criatividade, pelos Estados Unidos, que não permite outros jogos de forças sociais que sejam distintos do estilo de vida norte-americano.

Edvaldo Jr., historiador, pós-graduando em Direito Público Municipal, professor e palestrante. Escreve as terças a cada duas semanas.

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