A estação mais fria do ano chegou com uma preocupação especial para quem convive com dermatite atópica. O inverno pode transformar-se em um período desafiador para os portadores dessa condição inflamatória crônica da pele, que afeta cerca de 20% das crianças e 3% dos adultos no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
De acordo com o dermatologista Dr. Gustavo Ribeiro, o frio e a baixa umidade ambiental reduzem a hidratação da pele e alteram seu pH. “Isso leva a uma diminuição da função de barreira por conta de alteração em proteínas estruturais”, detalha o especialista.
As condições também tornam a pele mais suscetível a irritantes, alérgenos e agentes infecciosos, aumentando a inflamação característica da dermatite atópica. O resultado são os temidos eczemas, lesões avermelhadas que causam coceira intensa e podem comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
A rotina de hidratação deve ser completamente reformulada durante os meses frios. É fundamental aplicar hidratantes pelo menos duas vezes ao dia, especialmente logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida.
“Hidratantes com ceramidas são particularmente recomendados no inverno, pois ajudam a restaurar a função de barreira da pele e a prevenir danos induzidos pelo frio e pela baixa umidade”, orienta o médico. Cremes e pomadas com maior poder oclusivo são preferíveis às loções, que evaporam mais facilmente.
O momento do banho requer atenção especial e deve seguir regras específicas: água morna, nunca quente, com duração entre 5 a 10 minutos no máximo, uso de sabonetes com pH neutro, hipoalergênicos e sem fragrância, além da aplicação imediata de hidratante dentro de 3 minutos após o banho. “Banhos prolongados e com água quente favorecem a desidratação cutânea, especialmente em ambientes frios e secos”, alerta Dr. Ribeiro.
Durante o inverno, pode ser necessário intensificar o tratamento medicamentoso com aumento da frequência de anti-inflamatórios tópicos ou implementação de esquemas proativos, com aplicação preventiva 2 a 3 vezes por semana nas áreas previamente afetadas. Em casos moderados a graves, pode haver necessidade de ajuste de terapias sistêmicas.
Embora a dermatite atópica seja uma condição crônica manejável, alguns indicadores exigem atenção médica imediata: sinais de infecção como pus, vermelhidão intensa, calor local ou febre; dor intensa persistente; alterações na coloração da pele; lesões generalizadas que se espalham rapidamente, e comprometimento severo do sono e atividades diárias.
“É fundamental que pacientes com dermatite atópica mantenham acompanhamento dermatológico regular, especialmente durante o inverno”, enfatiza o profissional. “Cada caso é único e requer abordagem individualizada, considerando a gravidade da doença e as características específicas de cada paciente.” Segundo levantamentos recentes, a dermatite atópica tem apresentado crescimento significativo no país, com maior incidência em centros urbanos devido à poluição e mudanças no estilo de vida. A condição não apenas afeta a saúde física, mas também tem impacto psicológico considerável, especialmente em crianças e adolescentes.




