Do Brasil a Camaçari: uma crítica

Ai! Como é difícil falar sobre você, minhas concepções apaixonadas parecem não me permitir tê-lo como realmente é, e sim como gostaria que fosse. Mas, de um tempo para cá passei a melhor observá-lo, permitir que as paixões se distanciassem. Lembro de ti, mas, não como lembra de si mesmo. Ainda era tão jovem e esperançoso  os que me antecederam depositava em você a esperança de um lugar melhor para os seus posteriores, mas você insiste em não mudar. Luta com todas as forças para ser sempre o mesmo velho, ultrapassado, preso a valores e vontades esquecidas no passado que você persiste em não esquecer. Seu sentimento apaixonado pelas velhas formas parece não lhes permitir ver a verdade estampada em sua face.

De verdade, a verdade é que quase não temos. A verdade tornou-se momentânea, fugas, parece ocupar o lugar dos interesses, da dúvida, das incertezas. “O que pode ser verdade aqui, já ocupa um outro lugar ali” a “verdade relativa”, de alguma forma isso produz sobre nós um estado de incerteza reprodutor de uma insegurança que atinge diversos níveis da vida humana. A reflexão sobre a verdade parece não fazer muito sentido ao falar de você, ao que tudo indo seu problema não parece ser com a sua falta, e sim com o status que desse a tal.

A verdade que você pratica, nem de longe parece com o mundo pensado pelos que me antecederam. Para eles deverias caminhar sobre verdades que consolidasse um futuro, onde o direito fosse a força maior, a inclusão, o respeito, a solidariedade, a luta contra os preconceitos a fome e a violência fosse travada de forma incansável garantindo assim um futuro de paz.

Mas, você insiste em caminhar pelas fáceis e pantanosas estradas das decisões fáceis, dos discursos simples onde o compromisso ocupa o segundo, terceiro ou quarto plano das preocupações. Não foi para isso que lhe confiamos nossa liberdade, nossa verdade. Fizemos de você livre, não como fazem os irresponsáveis, que tomam libertinagem por liberdade. Lhes oferecemos a liberdade com compromisso, recheada de responsabilidade, deveres e cuidados, acreditávamos que só livre teria tais condições, poderia enfim buscar a verdade.

A dúvida que persiste é a de saber até quando pretendes tal comportamento? Até quando tratarás a verdade como um mal que pode lhe acontecer a qualquer momento?  Talvez, quando começar a enxergar na verdade um caminho possível de nos tirar dessa vida medíocre, poderá perceber então um futuro límpido em si mesmo.

Edvaldo Jr., historiador, pós-graduando em Direito Público Municipal, professor e palestrante. Escreve as terças a cada duas semanas.

jornalismo@destaque1.com

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