Quem vai em um show dele, não consegue ficar parado. Felipe Ribeiro de Sousa, o Felipão, consegue mover multidões ao cantar a palavra de Deus, que hoje embala os ritmos de forró e piseiro. Nascido e criado em Barra do Jacuípe, na orla de Camaçari, o cantor migrou do estilo pop/rock gospel, por opção pessoal, com objetivo de levar sua influência vocal para atrair o máximo de público para a música gospel.

O artista explica que a relação com Deus sempre foi de muito carinho. Para ele, Jesus sempre foi quem o amparou nas horas mais necessárias e, por isso, se sente o “Xodozinho” dele. ” O apelido nada mais é do que a pessoa que se sente amada por Deus. Eu não tenho palavras para especificar Deus”.
O cantor e compositor lança sua segunda música autoral, “Xodozinho de Jesus“, nesta quarta-feira (10), às 18h, no YouTube. Dia em que, inclusive, Felipe comemora o aniversário de 33 anos. Ele participou da edição 2025 do Bahia Gospel em Camaçari e também foi confirmado na grade de atrações do festival Canta Bahia em Ilhéus, que ocorre gratuitamente na próxima sexta-feira (12) e sábado (13), no estacionamento do Centro de Convenções do município.
O filho de seu José Carmo e dona Maria sempre teve um pezinho na música. Quando criança, os olhares atentos do pequeno fiel eram sempre voltados para a banda da igreja Assembleia de Deus. Aos poucos, foi aprendendo e se inserindo na música gospel.
“Desde criança eu já tive uma curiosidade para música. Desde pequeno minha mãe sempre me levou para igreja e eu sempre sentava perto da bateria, desde criança. Curioso para aprender, para saber e buscar, ali eu fui desenvolvendo”, destacou o cantor, em entrevista exclusiva ao Destaque1.

Incentivado e ensinado pelo amigo Jessé, Felipão começou a engatinhar na música aos 13 anos. Profissionalmente, sua entrada no ramo foi aos 20 anos e hoje, quase 13 anos depois, esbanja uma longa trajetória de participações em festivais de música gospel.
Felipão é formado em Produção Publicitária e tem curso de Psicanálise, mas é a música que domina seu coração. No entanto, para ele, “por mais que seja uma profissão maravilhosa, ela [a música] não é considerada uma profissão e sim uma arte”. O cantor relata que é uma área que demanda investimento que, a curto prazo, não tem retornos significativos. Mas não pretende desistir. Atualmente, o espaço da música é dividido pelo cargo de gerente da Coordenação Social da Secretaria de Relações Institucionais (Serin).
Para ele, não existem barreiras para falar, ou cantar, a palavra de Deus. “Eu nasci e me criei na Assembleia de Deus, mas sou um cara multifacetadas. Não tenho essa questão de placas. Quando a gente conhece Jesus de verdade, a gente não olha mais o outro, nem melhor, nem pior. Se está falando de Deus ou de Cristo, a gente está ali, a gente faz parte daquele corpo, daquele movimento. Hoje eu circulo por diversas igrejas, tanto cantando quanto participando”, garantiu.
Ser acima do peso sempre foi uma questão para o camaçariense, que explicou que sofria bullying de outras crianças. “A obesidade nos afeta de diversos modos. Não só na saúde, mas na parte física e até espiritual. Eu tive que buscar muita força em Deus para não cometer nenhum tipo de agressão contra mim mesmo mais severa”, lamentou.
“A gente sabe que a obesidade na infância tem que ser combatida, mas combatida da forma correta. Com educação, com a alimentação correta, com cuidado, com ajuda psicológica, com políticas de conscientização e não por preconceito”, avaliou o cantor, que ainda explicou que a condição coloca as pessoas em “caixas” que as fazem sempre se sentir observadas ou julgadas por quem está ao redor.
Para ele, mesmo no mundo da música, o preconceito é presente através de olhares, tratamentos e comentários diferentes, mas que a luta contra a doença é um desafio. “Eu ‘tô’ lutando contra obesidade, fazendo o processo de emagrecimento, para que que consiga estar nos espaços”, salientou.
A obesidade é considerada doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pela capacidade de reincidência após o tratamento. Ainda conforme a OMS, o quadro afeta cerca de 1 bilhão de adultos pelo mundo e é caracterizado como epidemia global.
Para Felipão, faltam meios na saúde pública que auxiliem no tratamento da obesidade. Mas avanços já podem ser vistos no horizonte, como a exemplo das indicações dos vereadores Tagner Cerqueira (PT) e Kaique Ara (PT) na Câmara Municipal de Camaçari. Inclusive, a Indicação nº 1235/2025 é intitulada Projeto Felipão em homenagem ao cantor, após ataques gordofóbicos sofridos na tribuna.
O projeto foi lançado no último dia 27 de novembro e propõe a criação de políticas que assegurem os diretos básicos de pessoas com obesidade como alterações que possam auxiliar na mobilidade em transportes e ambientes públicos, somadas à ações educativas, na Saúde e Direitos Humanos.










