Mesmo com o crescimento do setor de franquias e sonho de empreender que muitos brasileiros carregam, a decisão de investir exige cautela e planejamento. De acordo com dados recentes da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o mercado de franquias faturou R$ 273,083 bilhões em 2024, um crescimento nominal de 13,5% em relação a 2023.
O bom desempenho recente do setor, com o faturamento recorde de R$ 273 bilhões em 2024, crescimento em diversos segmentos e a retomada de consumo com melhora da renda e emprego, reforça o apelo das franquias como alternativa para quem deseja empreender. Esse cenário aumenta o risco de arrependimentos e insucessos. Em um momento de transição econômica e tributária, a cautela e o planejamento deixam de ser opcionais.
Para quem pensa em entrar nesse universo em 2026, novo ano que bate à porta, há cuidados essenciais que não podem ser negligenciados. Confira oito recomendações indispensáveis antes de assinar contrato.
1 – Leia com atenção a Circular de Oferta de Franquia (COF): esse documento contém todas as informações e condições do negócio, ignorá-la é como assinar um cheque em branco. A COF não pode ser vista como mero formalismo. É o documento que dá ao futuro franqueado a oportunidade de avaliar se o que está sendo prometido corresponde à realidade da rede.
2 – Não subestime a análise do contrato de franquia: muitos candidatos focam apenas nas cláusulas comerciais, mas negligenciam termos cruciais como rescisão, renovação, transferência da unidade e não-concorrência. Esses pontos podem determinar o futuro da operação ou até inviabilizá-la no longo prazo.
3 – Converse com franqueados e ex-franqueados: a COF deve listar os contatos de todos os franqueados da rede, incluindo aqueles que se desligaram nos últimos 24 meses, o que significa uma oportunidade de ouro para checar a consistência entre promessas e prática. Conversar com quem já está ou esteve na rede permite ao candidato mensurar os riscos e desafios que não estão no papel, trazendo maior segurança à decisão.
4 – Examine a saúde financeira da franqueadora: os balanços e demonstrações financeiras relativos aos dois últimos exercícios fiscais também é outra obrigação legal que precisa estar inserida na COF. Avaliar a situação financeira da franqueadora permite entender sua lucratividade, capacidade de investimento e crescimento e, principalmente, a análise de risco do negócio.
5 – Avalie com cuidado os custos totais e o capital de giro necessário: não basta considerar a taxa de franquia, há custo de instalação, estoque inicial, capital de giro, royalties, fundo de marketing e outras despesas recorrentes. Uma franquia não é investimento passivo. É preciso estar preparado financeiramente para pelo menos seis a 12 meses sem lucro, dependendo da operação.
6 – Verifique o suporte e a estrutura operacional da franqueadora: treinamentos, manuais, apoio em gestão, marketing e tecnologia devem existir e ser de qualidade. A reputação da marca, a rotatividade de franqueados e eventuais litígios internos devem ser avaliados com atenção.
7 – Conte com assessoria jurídica especializada: a leitura técnica da COF e do contrato pode revelar cláusulas abusivas ou desequilibradas. Não existe situação em que a assessoria jurídica especializada em franchising seja dispensável no processo de aquisição de uma franquia.
8 – Prepare-se para a mudança tributária de 2026: com as propostas de reforma tributária (como CBS e IBS), é fundamental verificar se a franqueadora atualizou suas projeções financeiras e se oferece suporte tributário, idealmente com apoio de um advogado especializado.




