Com aumento de 36,62%, Camaçari registra 415 casos de violência contra mulher; média de quase 5 por dia

Embora o mês de março seja dedicado às mulheres, são eminentes as ocorrências de violência contra a mulher em Camaçari. De acordo com a titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Camaçari (Deam), Florisbela Rodrigues, somente neste ano já foram registrados 415 casos de violência contra a mulher no município, ou seja, em média 4,88 registros por dia. Esse levantamento foi feito entre 1° de janeiro e 26 de março de 2019.

Os registros aumentaram 36,62 %, comparado com o mesmo período de 2018, quando foram registrados 368 casos. Ainda de acordo com a delegada Florisbela Rodrigues, o maior número de queixas está relacionado a violência doméstica e abuso sexual.

Entre os casos recentes, está o da jovem Deisiane Souza, 18 anos, que foi mantida em cárcere privado durante seis meses. Deisiane acusa o namorado, o tatuador Marcos Alexandre, 35 anos, pelo crime, com quem mantinha um relacionamento há oito meses. Deisiane foi resgatada no último dia 19 pelo pai. O acusado ainda não se apresentou à polícia.

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Como tudo começou… Nós nos conhecemos na praça, no meio de alegria, com pessoas que eu amo e que me amam. Logo nos curtimos, ele me tratava bem, me fazia sentir amada, feliz, plena, realizada. Eu estava apaixonada. Dois meses depois eu senti que seria o melhor para a gente morar juntos, ele me tratava tão bem, nunca iria imaginar viver o que vivi com ele. Logos começaram as agressões, ele surtava, eu não entendia, eu não sabia o porquê estava apanhando. Ele me batia tão forte que meu corpo adormecia. Lembro-me de uma vez em que ele me bateu tanto mas isso não foi suficiente para ele, que ele bebeu o meu sangue! Ele bebeu o meu sangue enquanto dizia que me mataria! Ele escrevia nas paredes que me amava com o meu próprio sangue. Como ele poderia me amar daquela forma? Como?! Ele me batia tanto que abria feridas, feridas que ele tentava colar com cola branca, como não conseguia, ele me batia ainda mais, como se a culpa fosse minha! Mas a culpa não é minha! Eu sou a vítima, porque vocês procuram um culpado quando o verdadeiro e único culpado se esquiva da justiça?! Eu vivi amarrada, trancada, apanhei em silêncio, tive meu psicológico totalmente destruído, fiquei em situação desumana e precária. Eu não tive culpa de me apaixonar. Essas coisas acontecem com mulheres que vivem por anos com seus maridos, acontece com mulheres que se encontram pela primeira vez com seus webnamorados, acontece com muito ou pouco tempo de convivência. A culpa não é da vítima gente! Eu só peço que parem de nos matar! E peço que ajudem a me manter viva, não ajudem ele a me matar! Ele ainda está solto, por favor não permitam que ele continue em liberdade, denunciem! #todaxdeysi #somostodasdeysi

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A jovem foi encontrada com marcas de agressões em diversas partes do corpo e com o rosto desfigurado. Após as denúncias, ela conseguiu uma medida protetiva que garante que Marcos deve manter a distância mínima de 300 metros dela e da família.

Ao Correio, o advogado do acusado, Lismar Monteiro, afirmou que Marcos irá se apresentar. “Já entramos em contato com a delegacia e essa semana ele deve se apresentar. Tudo isso está sendo negociado mas precisamos ter a delegada responsável pelo caso para apresentar ele”, explicou Lismar.

Florisbela Rodrigues, delegada responsável pelo caso, informou ao Destaque1 que “o caso já foi encaminhado para a Promotoria”.

Em Camaçari, diversos grupos realizam ações de mobilização para arrecadar roupas, calçados, alimentos não perecíveis e outros suprimentos para Deisiane, entre eles está o grupo Slam das Mulé. Interessados em doar devem entrar em contato pelo Instagram. Nesta quarta-feira (27), às 15h, serão arrecadadas novas doações na Praça Abrantes. Amigos de Deisiane relataram ao Destaque1 que ela está em um local seguro.

Outro caso recente em Camaçari é o da jovem Eva Luana, que denunciou no dia 19 de fevereiro o padrasto, Thiago Oliveira, por violência física e psicológica. O acusado está preso no presídio da Mata Escura.

Existem diversas mulheres em situação de violência e apesar desses números de casos denunciados, ainda há muitas vítimas que não denunciam, por isso é de suma importância que liguem para o número 180, Central de Atendimento à Mulher, e façam a denúncia.

*Matéria atualizada às 19h12, em 26 de março de 2019

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