Coletivo do PT questiona ‘acordão’ para o PED em Camaçari; grupo cogitou saída em massa

Insatisfeito, um coletivo formado por 32 militantes do Partido dos Trabalhadores em Camaçari entregou uma carta à direção da legenda neste domingo (4). O documento apresenta diversas críticas à condução do Processo de Eleições Diretas (PED) no município. O PED é responsável por eleger os presidentes e as direções do partido.

O grupo cogitava o afastamento em massa da legenda. Mas, após várias discussões o coletivo resolveu apresentar as insatisfações através do documento.

A carta deixa claro a insatisfação do grupo com o acordo que levará o professor Marcio Neves à presidência do partido [ver aqui]. “Apesar de compreender a necessidade de sairmos fortes e unidos deste PED, a obrigação de convergir sobre todas as estruturas internas do PT eram necessárias, isso não foi feito”, diz trecho da carta.

Formado majoritariamente por jovens, o grupo ainda cobra reflexão dos dirigentes partidários. “É chegado o momento de repensar os caminhos que devem ser seguidos daqui pra frente, ainda acreditamos no PT e na nossa força junto ao povo. Mas se faz necessário que aqueles que desrespeitaram nossa vontade de construir um partido forte, também reflitam sobre tais posturas”.

Confira a carta na íntegra. 

 

CARTA À DIREÇÃO MUNICIPAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DE CAMAÇARI

Ao Sr. Presidente e o DM do PT Camaçari,

Jackson Josué e à toda executiva.

04 de agosto de 2019

 

Companheiros e companheiras, o Partido dos Trabalhadores, maior partido político da América Latina, com maior número de filiados e militantes, partido responsável pela maior transformação social já vista no Brasil, na Bahia e em Camaçari. Desde o início do mês de Julho deu-se início ao processo de construção da suas eleições de direção interna (PED). Nenhum partido político do Brasil tem uma ferramenta tão democrática para legitimar sua direção.

Em Camaçari muita coisa se distância do que deveria ser real. Em meio à um governo municipal desastroso comandado pelo DEM e seu programa à direita que retira direitos dos trabalhadores e desidrata programas sociais, nós o PT, tínhamos uma tarefa gigantesca, MOBILIZAR A NOSSA MILITÂNCIA para a discussão sobre qual partido queremos para a nossa cidade. O debate sobre nossa política de formação, comunicação, política de finanças e principalmente sobre estratégia de condução sobre nossas candidaturas de vereadores e vereadoras e à prefeito ou prefeita. Pois bem, nos deparamos com o pouco acumulo sobre tais políticas essenciais para a vida orgânica do PT.

Apesar de compreender a necessidade de sairmos fortes e unidos deste PED, a obrigação de convergir sobre todas as estruturas internas do PT eram necessárias, ISSO NÃO FOI FEITO. Defendemos desde o início a chegada da primavera no partido dos trabalhadores; uma primavera que florescia da juventude, que sempre esteve na defesa do nosso projeto político, mas que também contagiava, mulheres, trabalhadores e todos aqueles que sonham com um PT avançado.

Apresentamos inicialmente a candidatura da companheira Professora Jaqueline Andrade, militante que nasceu dentro deste partido e que sempre acompanhou seu pai o fundador do PT, seu Tati. Mulher, jovem, negra, LGBT, Pró Jaque era a expressão do PT, do povo e da militância. Seu primeiro movimento foi convocar a militância para um diálogo sobre o nosso partido e a nossa cidade. Nunca antes na história do PT qualquer candidato ou candidata à tal cargo tenha feito esse movimento. A militância foi ouvida e prestigiada.

A convergência sob a unidade na chapa registrada na última sexta-feira (26) aponta diversas fragilidades no que tange o futuro do PT. Além de não condensar um programa dirigente para aqueles que irão compor nossa direção, tal convergência foi construída com a narrativa que nós jovens deveríamos disputar esse partido contra aqueles que ajudaram a construir nossa história até aqui, JAMAIS faríamos isso. O PT contra o PT só fortalece aqueles que querem nos destruir. Na verdade o que apontamos desde o início foi a necessidade de novas ideias na construção de um novo partido, energizado e de luta para enfrentar os desafios que a cidade nos propõe.

É chegado o momento de repensar os caminhos que devem ser seguidos daqui pra frente, ainda acreditamos no PT e na nossa força junto ao povo. Mas se faz necessário que aqueles que desrespeitaram nossa vontade de construir um partido forte, também reflitam sobre tais posturas. É com essa compreensão que apontamos ao conjunto do PT nossas insatisfações e defendemos que uma nova postura deve ser adotada por aqueles que irão conduzir nosso partido para o próximo período, além disso, que a militância seja ouvida e prestigiada para que tenhamos um PT forte e capaz de transformar os sonhos de uma Camaçari melhor, em realidade.

Atenciosamente, aqueles que jamais se envergonharam de defender os seus sonhos:

Alan Lenon Silva Dourado

Alef Jordi Tavares de Souza

Aleson Duan dos Santos Barbosa

Amanda Bittencourt

Ayra Weber

Danrley de Copque Souza

Emerson de Jesus Saantos

Gesivaldo Avelino

Gilvania Gonçalves da Silva

Hemyle Victoria Ribeiro

Hyago Cerqueira

Inaura Maria de Andrade Santos

Isabel Silva Andrade

Josefa Milena Santos Barbosa

Josenildo Barros

Juliana Valle

Lorenna da Silva Souza

Maria das Graças Mendes

Marla Caroline

Matheus Medeiros Rocha

Mércia Silva

Monalisa Freitas de Lima de Jesus

Philipe Pimentel

Rafael Resende

Ricassia Nunes Alves

Sara Andrade dos Santos

Tatiana de Andrade dos Santos

Thaize Pereira

Vinicius Levi da Silva Lamberto

Vinicius Levi Lamberto

Vinicius Santana

Vitor Gabriel Santos Damasceno

Yasmin Santos Damasceno

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