O espetáculo “Dembwa”, dos artistas da dança Marcos Ferreira e Ruan Wills, que está em circulação pela Região Metropolitana através do projeto “Dembwa – Mapear o Movimento: tempo, memória e ancestralidade”, chega ao Centro Cultural Lauro de Freitas, no sábado (26), às 17h. A entrada é gratuita.
Dembwa é uma dança sankofa, uma coreografia ancestral em atos que narra histórias de muites, construída a partir das memórias biográficas de Marcos e Ruan — homens pretos, periféricos, bixas, dançarinos e filhos de terreiro — e ergue-se como um rito de retorno e reconhecimento.
A dramaturgia investiga memórias como arquivos vivos, que se materializam também na estética: o figurino em patchwork, feito com retalhos de roupas e sobras de tecidos, simboliza a colagem de lembranças, a reconstrução de histórias e o corpo como costura de tempos. Ao longo do espetáculo, pregadores ganham novos significados, e o chão se revela guia.
As danças das religiões de matriz africana aparecem como tecnologias do tempo: a caça de Oxóssi, a espada de Ogun, o silêncio de Obaluaê, o fogo de Xangô, as águas de Oxumarê e das yabás, orixás femininos que governam as águas, os nascimentos, as curas. Com isso, Dembwa propõe um afrofuturismo da cena, que conecta rituais e danças de rua, saberes ancestrais e contemporaneidade periférica.
“Percebendo as encruzilhadas que nos aproximam, bem como nossas experiências de vida e as histórias que traçam a trajetória dos nossos familiares, e que também se assemelham às histórias de tantas pessoas pretas no Brasil, nasce Dembwa. Ancestralidade, referências, memória e retorno são palavras que deram ignição ao processo criativo da obra”, explica Marcos Ferreira.
O projeto “Dembwa – Mapear o Movimento: tempo, memória e ancestralidade” é realizado com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura via Política Nacional Aldir Blanc, PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura, governo federal.




