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Careta, quem é você?, por Faustino Menezes

Respeite a arte do outro. Respeite a arte. Mantenha o respeito.

Faustino Menezes

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-

Foto: Reprodução

Não existem só Van Gogh’s na arte.

Não existem só Drummonds’s na literatura.

Não existem só João Gilberto’s na música.

Não existem só Hitchcock’s no cinema.

Não existem só Fernanda Montenegro’s na dramaturgia.

E está tudo bem. Ainda bem.

Existem também os introspectivos. Os artistas de dentro de casa, aqueles que fazem arte para si mesmo e a deixa guardada ali em seu quarto, para apenas elas mesmas admirarem e serem tocadas.

Existem também os artistas de rua. Aqueles que fazem arte como sobrevivência, levam suas habilidades para o palco mais livre que há esperando uma recompensa em troca – pode ser uma moeda, notas, aplausos, abraços ou um lanche.

Existem também artistas que simplesmente são livres para fazerem o que quiserem. Escreverem o que quiserem, sem regras, sem se importar com o que o outro vai achar. Que simplesmente pensam e criam. Adivinha: isso também é arte.

Existem inúmeros que não dá nem para listar aqui. Existe artista que nem sabe que é artista, por exemplo.

Arte não é somente aquilo que você gosta. A regra geral para a arte é não se importar com regras.

Quem engessa a arte é quem tenta classificar o que é arte e o que não é.

Se você não gosta de alguma peça artística, apenas ignore. Você fará um bem a você e ao artista. Ser recriminado, ser desclassificado, ser jogado à lama dos incapazes, mesmo de quem não tem moral nenhuma para tal, é uma das sensações mais tristes para quem faz arte.

“Meu som te cega, careta, quem é você?”, já disse Caetano, muito antes de completar 77 anos na última quarta-feira (6).

Respeite a arte do outro. Respeite a arte. Mantenha o respeito.

Não existem só gênios, deuses, mestres, cultos…

Existem Ceno’s, Macedo’s, Lara’s, Iverton’s, Jonas, Rafão’s, Tamy’s, Bruno’s, Papel’s. Verdadeiros artistas nativos, próximos, criadores de inteligência e versatilidade sem igual. De Camaçari. Que, logicamente, também podem se tornar os próximos Van Gogh’s e etc.

Mas não existem só Van Gogh’s! E eu agradeço por não serem Van Gogh, agradeço por serem quem são. Agradeço pela sua arte.

Obrigado!

Esta é uma mensagem em tom de desabafo que escrevo para todos os artistas que estão lendo e, principalmente, a mim mesmo.

*Faustino Menezes é músico, produtor e ativista cultural. 

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