Regularização: cobrança de imposto divide opiniões entre “Ligeirinhos”

O transporte alternativo já se tornou bastante comum em Camaçari. Os chamados ligeirinhos são uma fonte de renda para muitas famílias e há sempre pessoas que optam pelo veículo por conta da rapidez. A cidade tem dezenas de pontos para o transporte, que se organiza de acordo com os bairros.

No entanto, o serviço ainda não é regularizado na cidade e o debate sobre a oficialização do transporte foi colocado em pauta novamente com a apresentação e aprovação ontem (23) na Câmara Municipal de Camaçari, durante a 10ª sessão ordinária do 2º período legislativo, da indicação nº 737/2018, de autoria do vereador Jackson Josué (PT) que visa regularizar o ligeirinho e, consequentemente, a profissão.

O debate é antigo e o assunto divide opiniões entre os motoristas. Conforme a categoria, a regularização já deveria existir desde o começo do transporte alternativo, que, segundo os profissionais, já tem cerca de cinco anos em Camaçari. Os motoristas discordam da cobrança de qualquer imposto pela regularização que não seja conforme às condições de trabalho.

Antônio Ferreira, 42 anos, trabalha há quase um ano na área e afirma que a retaliação aos condutores é constante. “Temos que parar de sermos perseguidos em todo lugar. É um trabalho honesto. Que o imposto pelo menos seja de acordo com as nossas condições, mas na minha opinião nem deveria existir”, fala.

Francisco Macedo, 38, tem dúvida do que pode acontecer com os motoristas do ligeirinho com uma possível regularização. “É difícil saber o que vai acontecer com a gente exatamente. Claro que é ótimo que nossa profissão seja reconhecida, mas o que assusta é o que teremos que fazer para esse reconhecimento. Esse meio alternativo é justamente uma forma que encontramos para ajustar a renda de casa”, conclui o motorista.

“Se a solução para essa perseguição é pagar, que seja, mas seja justo. Não podemos parar de trabalhar. Eu como trabalhador apoio que a gente seja reconhecido e valorizado. O que não pode existir é começarem a nos extorquir”, opina José Fernando, 45, atuante no setor desde janeiro.

O valor do transporte custa R$ 3 com destino aos bairros da Piaçaveira, Bairro Novo, Limoeiro, Inocoop, Verde Horizonte, Lama Preta, Gleba H, Camaçari de Dentro, Gleba A, Bomba, Gravatá, Lucaia, Verde Ville, Ponto Certo, Avenida Oeste, Phoc I, II, e III, Jaraguá e Gleba E. Além disso, os transportes também têm destino para orla de Camaçari, com passagens que variam entre R$ 7 e R$ 10.

Comparado às tarifas dos ônibus que circulam na sede, o ligeirinho sai R$ 0,40 mais caro, já que a passagem é R$ 2,60. Para orla, as tarifas do transporte público vão de R$ 2,90 a R$ 4,40, diferença de R$ 5 em média. Porém, a agilidade e comodidade do serviço fazem com que muitos passageiros optem pelo transporte alternativo.

“O ligeirinho é uma fonte de transporte rápido, prático e com o preço acessível. Espero que essa linha deles continuem. Muitas pessoas diariamente precisam”, diz a autônoma Mony Damasceno.

Assim como Mony, a feirante Mariana Rodrigues, garante que esse foi um meio encontrado por boa parte da população para executar as tarefas diárias com mais eficiência. “Minha relação com esses trabalhadores é diária. Faço uso todos os dias, chego mais rápido, não pago muita diferença em relação ao ônibus, e tem um conforto maior”.

Por Beatriz Santos

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