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Camaçari: com TIR definitivamente extinto, usuários do transporte público questionam novo sistema

Beatriz Santos

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Desde o dia 5 de novembro de 2018, o transporte público de Camaçari passou a realizar viagens integradas em diversos pontos da cidade usando o Camaçari Card. O Governo Municipal informou na época que a fase era apenas de teste e que duraria pelo menos três meses, e neste período haveria a extinção do Terminal de Integração Rodoviário (TIR). Mais de três meses depois a mudança ainda desagrada muitos passageiros e também ambulantes.

A extinção definitiva do TIR aconteceu no dia 8 de fevereiro e pegou muita gente de surpresa. Além disso, os moradores se queixam do longo tempo de espera nos pontos de ônibus, esgotando o limite do Camaçari Card, que é de até uma hora dentro da integração.

A Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STT) e o Camaçari Card explicam que para realizar a integração as pessoas que saem do seu ponto de origem em carros com a placa amarela só podem integrar com outro veículo com placa azul. Conforme as entidades, o modelo foi adotado para respeitar a ordem das frotas, já que os roteiros serão divididos por cores.

“As cores permitem que as pessoas possam fazer a integração, caso o cartão seja registrado mais de uma vez na mesma cor de placa será como se tivesse passado o cartão no mesmo ônibus e não será possível integrar”, esclarece o superientende Coronel Alfredo Castro.

Foto: Beatriz Santos

A estudante Carol Lima, de 21 anos, conta que pegou um ônibus para o TIR e chegando lá não sabia que tinha que pagar outra passagem. “Imagine se eu não tivesse dinheiro extra, como eu ia embora? Eu não vi nenhum aviso ou placa confirmando a data da extinção do terminal. E além disso, a justificativa de melhorar a mobilidade não está se encaixando aqui. Já basta esperar horas por um ônibus lotado e ainda acabar com o TIR para que a gente pague mais, para mim é muito gasto ”, reclama.

O autônomo Lucas Santos, 27, afirma que existem algumas linhas de ônibus em que é impossível fazer a integração dentro de uma hora. “Eu uso com frequência as linhas Ford, Massaranduba e Bairro Novo. Nesse exato momento são quase 10h e eu fui informado pelo fiscal da [Viação] Cidade Industrial que o ônibus via Ford, que eu preciso, só vai chegar aqui no ex-TIR às 12h. Será que o povo não tá vendo esse descaso? Gente pelo amor de Deus, somos todos seres humanos”.

Quem também está com muitas queixas sobre as mudanças é a dona de casa Joana Barbosa, 50. Ela alega que já chegou a passar três horas esperando a linha Massaranduba/Parque Verde.“Eu tenho o cartão da integração, mas para mim não serve de nada, porque eu moro longe e só posso pegar esse ônibus para casa. O jeito é pagar um ligeirinho ou moto táxi, já que já está  pagando o ônibus duas vezes, a passagem passa de R$ 5”.

Foto: Beatriz Santos

Além dos questionamentos dos usuários do transporte público, os ambulantes também apresentam diversas reclamações sobre a extinção permanente do TIR.  É o caso do Gerlan Santos, 28, que trabalha no local há quase quatro anos e afirma que a queda nas vendas é inevitável.

Assim como Gerlan, Antônia Reis que vende guloseimas no antigo TIR há exatamente cinco anos, questiona a razão do encerramento das atividades de integração no local, o que aumentava suas vendas diárias.

“Todos nós estamos com dificuldades de aumentar os lucros e muitos vendedores estão indo embora ou vendendo em outros pontos, já que aqui as pessoas estão evitando entrar para não pagar outra passagem. Já tivemos uma época muito boa de vendas, mas hoje não temos mais. Que as autoridades colocassem o cartão da integração, mas que esse ponto continuasse ativado”, conclui a vendedora.

Mesmo com as queixas dos usuários, em nota a STT afirma que a extinção do terminal foi necessária para acelerar o processo de modernização do serviço.

Terminal de Integração Rodoviaria (TIR). Foto: Beatriz Santos

O superintendente da STT, Coronel Alfredo Castro, garante que existe uma fiscalização contínua em toda a cidade para garantir a mobilidade do serviço e justifica a extinção do TIR como uma evolução. “O encerramento das atividades do TIR é para que haja uma integração aberta em todos os pontos de ônibus da cidade. Isso também faz parte de uma evolução tecnológica  do Sistema de Bilhetagem Eletrônica (SBE)”, explica.

Castro também ressalta que haverá um acordo com as empresas para que a frota de coletivos não seja reduzida ao longo do dia. De acordo com o superintendente, as empresas que não tiverem veículos suficientes para suprir as demandas da cidade serão substituídas.

O Destaque1 tentou contato com a Viação Cidade Industrial (VCI) e Cooperativa Cooastac para saber o posicionamento das empresas com relação à proposta da administração pública municipal, mas não obteve êxito.

Durante o período de adaptação, que segue até esta sexta-feira (15), o cidadão poderá adquirir o cartão avulso em qualquer um dos cinco postos de vendas do cartão Camaçari Card, e o valor pago será revertido para uso com passagens. Os pontos de venda estão no térreo do Edifício Montblanc, no Centro, na Panificadora Manancial, na Gleba E, na lanchonete Gabriel Lanches, no Terminal de Integração Sede e Orla (Tiso), na Estação Rodoviária, e na sede, nos 46. Todos os pontos funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Aos sábados também funcionam, com exceção da sede da empresa.

O investimento pode ser feito nos valores de R$5 ou R$ 10. A partir do dia 16, o cartão passa a custar R$5 e o valor deixa de ser usado para uso no transporte.

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