Reunindo 18 obras interativas que convidam o público a refletir sobre as relações entre corpo, território e cidade, a exposição “Lugar Nenhum é Logo Ali” chega no próximo dia 14 de novembro à Caixa Cultural Salvador. Com concepção e curadoria de Tathiana Lopes, a mostra propõe uma imersão poética e crítica sobre o direito à cidade, a mobilidade social e cultural, as tensões entre público e privado, acesso e não acesso, presença e ausência.
A entrada é gratuita, e a visitação acontece de terça a domingo, das 9h às 17h30.
Integrando a programação do Play Festival, uma Plataforma Livre de Acesso às Artes, a exposição coletiva reúne seis artistas contemporâneos cujas obras reforçam a potência da arte como ferramenta de educação, escuta e participação.
Participam da mostra Vik Muniz, Marepe, Milena Ferreira, Mano Penalva, Laís Machado e Maxim Malhado, com obras inéditas criadas especialmente para esta edição ao lado de trabalhos emblemáticos de suas trajetórias. O diálogo entre diferentes gerações e linguagens artísticas amplia o olhar sobre o cotidiano urbano e seus modos de ver o mundo.
A exposição reúne 18 obras, sendo quatro delas inéditas, que convidam o público a percorrer um território sensorial e simbólico em que cada trabalho propõe uma nova forma de habitar o espaço e de pensar a cidade. Vik Muniz, reconhecido mundialmente por transformar materiais ordinários em imagens extraordinárias, recria imagens conhecidas a partir de materiais inusitados, provocando deslocamentos entre o real e a representação. Marepe, por sua vez, parte do cotidiano do interior da Bahia para criar artefatos poéticos que misturam humor, afeto e crítica social, enquanto Mano Penalva constrói narrativas visuais a partir da cultura material e do comércio popular, reorganizando objetos e símbolos da vida urbana em novas composições.
Milena Ferreira mergulha nas gravuras e ruínas como lugares de memória, criando instalações e esculturas que evocam o tempo e o pertencimento, como espaço de memória e reconstrução da coletividade. Laís Machado, artista transdisciplinar cuja prática atravessa corpo e performance, propõe experiências imersiva de presença e escuta coletiva, convidando o público a participar de pactos poéticos de memória e intimidade. Já Maxim Malhado traz a força simbólica de suas esculturas e objetos feitos de madeira, palha e linha, materiais que carregam rastros de uso e de vida, transformando a simplicidade em potência simbólica.
Como plataforma que articula arte e educação por meio da experimentação e da reflexão, o Play propõe expandir sua atuação para além do espaço expositivo, com uma programação transversal que conecta diferentes territórios da cidade. Oficinas, ações formativas e atividades públicas desdobram as experiências inauguradas pela exposição, ampliando o alcance de suas propostas e encontros.
Com mais de duas décadas de atuação nos campos da arte e da cultura, Tathiana Lopes aprofunda, nessa curadoria, uma pesquisa sobre a cidade educadora, que transita entre arte contemporânea, espaços urbanos e práticas coletivas.
“Convidei artistas de diferentes gerações e com vivências distintas da cidade de Salvador. Suas obras, algumas emblemáticas e outras criadas especialmente para esta edição, convidam a uma interação direta e lúdica com o público. São instalações com diferentes texturas, materiais e objetos cotidianos que propõem que pessoas de todas as idades circulem, interajam e brinquem pelo espaço expositivo. E, como coautores dessa experiência, se sintam provocados pelos questionamentos que esses trabalhos levantam — as tensões entre espaço público e privado, realidade e ilusão, presença e ausência — para refletir e imaginar outras formas de pensar e ocupar a cidade”, afirma a curadora.
“Lugar Nenhum é Logo Ali” reúne obras que dialogam com as materialidades do cotidiano, a memória, o corpo e as experiências urbanas. Os artistas transformam e ressignificam elementos, objetos e sensações presentes nas ruas em criações que convidam o público a interagir e se deslocar pelo espaço, tornando-se parte ativa da própria obra.
O Play edição Salvador é realizado pela Cardápio de Ideias, conta com patrocínio da Caixa Cultural e governo federal, apoio cultural da TVE e Rádio Educadora, e apoio do Estúdio Cru.




