Bolsonaro afirma que MEC estuda “descentralizar” investimentos nas faculdades de ciências humanas

Em sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) revela que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, estuda “descentralizar o investimento em faculdades de filosofia e sociologia” para investir em cursos que na sua visão geram retorno imediato como veterinária, engenharia e medicina.

Conforme Bolsonaro, a medida não afetaria os alunos já matriculados nessas graduações ligadas às ciências humanas.

Segundo o presidente, “a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”.


Na live feita nas redes oficiais do presidente na noite desta quinta-feira (25), o ministro Weintraub defendeu que a função da educação pública é ensinar às crianças e aos jovens “habilidades, de poder ler, escrever, fazer conta”. Além disso, “a segunda coisa mais importante: um ofício. Um ofício que gere renda para a pessoa, bem-estar para a família dela, que melhore a sociedade em volta dela”.

Segundo o titular da pasta da Educação, a medida de diminuir os recursos destinadas às faculdades de ciências humanas segue o exemplo do Japão, que em 2015, após determinação do ministro Hakuban Shimomura, enviou cartas a 86 universidades federais japonesas pedindo que tomassem passos ativos para abolir as ciências sociais e humanas das instituições ou convertê-las para melhor atender às necessidades da população.

“O Japão que é um país muito mais rico que o Brasil, ele tá tirando público do pagador de imposto de faculdades que são tidas como faculdades para uma pessoa que já é muito rica ou de elite como Filosofia. Pode estudar Filosofia? Pode, com dinheiro próprio. E o Japão reforça que esse dinheiro que vai para faculdade como de Filosofia, Sociologia, ele coloca em faculdades que geram retorno de fato: enfermagem, veterinária, engenharia, medicina”, defendeu Abraham Weintraub.

Críticas

Também no Twitter, Bolsonaro foi criticado por centenas de internautas, entre eles políticos como o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). “O ataque aos cursos de Filosofia e Sociologia é a cruzada de um presidente fanático contra o pensamento. É um projeto de mediocridade para o país”, disparou.

“O fato de Bolsonaro ser incapaz de formular 3 frases seguidas com nexo não lhe dá o direito de privar milhões de jovens que desejem estudar Ciências Humanas. Aliás, se tivesse um bom conselheiro, poderia se matricular – junto com Sérgio Moro – numa boa Faculdade de Letras”, criticou o ex-candidato à Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL).

A hashtag “Filosofia e Sociologia” está no trend topics da rede no Brasil.

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