Cinquenta e um blocos e entidades culturais tradicionais podem ficar fora do Carnaval de Salvador 2026 após a Comissão de Seleção do edital Ouro Negro deixar de aplicar o remanejamento de faixas, procedimento previsto no instrumento convocatório e utilizado nos últimos três anos. A mudança, feita sem comunicação prévia, impacta diretamente a distribuição de recursos e a permanência de grupos históricos na festa.
Entre os blocos que aparecem como suplentes nesse resultado provisório estão alguns dos mais conhecidos e representativos da cultura afro-baiana e do Carnaval soteropolitano, como Bloco da Saudade, Apaches do Tororó, Ara Ketu, Muzenza, Bankoma, Amor & Paixão, Arrastão do Samba, Filhos de Nanã, Pagode Total, Mundo Negro e Dandara. Muitos deles possuem décadas de atuação, forte trabalho comunitário e presença contínua nos circuitos oficiais.
O advogado Caio Rocha, sócio do escritório Rocha & Advogados e responsável pela elaboração de mais de 30 projetos inscritos, entrou com pedido formal de revisão e solicitou reunião urgente com a Secretaria de Cultura da Bahia.
“A alteração inesperada no procedimento, sem aviso prévio às entidades, gerou impactos graves e contrariou expectativas legítimas construídas ao longo dos últimos anos. Não se trata apenas de valores, mas da permanência histórica dessas entidades no Carnaval e do papel fundamental que desempenham na preservação da cultura afro-baiana”, afirma Rocha.
O advogado solicita que a Comissão reavalie os projetos conforme prevê o Edital de Chamamento Público nº 002/2025, que autoriza expressamente o remanejamento de faixas mediante justificativa técnica, prática que, até então, contribuía para maior equilíbrio entre as propostas avaliadas.
Além da capital, outros 40 grupos culturais também aparecem como suplentes nas demais festas contempladas pelo Ouro Negro 2026, incluindo a Micareta de Feira, a Lavagem do Bonfim, a Lavagem de Santo Amaro, a Lavagem de Itapuã e o Carnaval do Interior. Nesses territórios, a ausência do remanejamento igualmente coloca em risco a participação de entidades tradicionais que desempenham papel central na preservação e circulação das manifestações culturais afro-baianas ao longo de todo o ano.
Para os especialistas que acompanham o edital, manter esse critério é essencial para evitar que mudanças estruturais não comunicadas comprometam a continuidade de grupos culturais que sustentam ações sociais, formações artísticas e atividades comunitárias ao longo de todo o ano.




