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Educação

Aniversário de Camaçari: professores destacam importância de contar história do município nas escolas

Muitos camaçarienses não conhecem as raízes da cidade e tudo o que está por trás da Camaçari contemporânea.

Mirelle Lima

Publicado

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Ana Carla Gomes, Alexandra da Silva e Márcio Neves. Foto: Reprodução

Camaçari celebra 262 anos de emancipação política nesta segunda-feira (28). Com uma história que teve início às margens do Rio Joanes, na formação da Aldeia do Divino Espírito Santo, a cidade registrou, desde então, diversos marcos essenciais para o crescimento do município. Apesar de ter uma história tão significativa, muitos camaçarienses não conhecem as raízes da cidade e tudo o que está por trás da Camaçari contemporânea. Entretanto, a Lei 1.600/2019 prevê que o conteúdo seja obrigatório no ensino fundamental I (do 1º ao 5º ano) das redes pública e privada.

Primordial na formação de qualquer indivíduo, a escola apresenta a origem de tudo o que é conhecido hoje, mas nem sempre é falado sobre o desenvolvimento de Camaçari nas instituições locais. De acordo com dados do censo escolar realizado pelo sistema QEdu em 2018, Camaçari possui 222 escolas, entre públicas e privadas. Em entrevista ao Destaque1, educadores relatam as experiências na cidade e enfatizam a importância de contar a história do município para crianças e adolescentes.

Atuante na rede pública e privada de Camaçari, a professora Ana Carla Gomes conta que a educação sempre esteve presente no seu cotidiano. “Formar, educar, faz parte da minha vida desde as brincadeiras de criança, quando brincava de ser professora e, nessa brincadeira, já estou fazendo mestrado na Universidade do Minho, em Braga, Portugal”, relata. Em parceria com a amiga Alexandra da Silva, também professora, ela lançou o livro “Celebrando Camaçari”. Para Alexandra, que trilhou diversos caminhos ao lado da amiga e hoje também é mestranda em Portugal, a educação é um ato de cuidado. “A educação para mim é parte da minha vocação ao amor. Sou educadora por amor à infância e pelo ato de educar”, afirma.

Ana Carla Gomes e Alexandra da Silva, autoras do livro, e Cláudia Opa, organizadora da publicação. Foto: Reprodução

A ausência de materiais que retratem a história de Camaçari nas escolas fez com que Ana Carla e Alexandra criassem o livro. “Surgiu devido à dificuldade que tínhamos de trabalhar a história da nossa cidade. Não havia nenhum material para as crianças sobre o tema, o que revela uma concepção antiga sobre criança, em que não se acredita na sua potência de pautarem a vida. Precisamos escutar as crianças e pensar no poder formativo nessa fase de desenvolvimento humano”, explicam as autoras.

Após dois anos de preparação, o livro “Celebrando Camaçari” hoje pode ser lido por toda a população. “Em conversa sobre a dificuldade, percebemos que comungávamos do mesmo sentimento. Resolvemos iniciar esse processo de estudo e escrita sobre a história de Camaçari para as crianças. Foram dois anos entre estudo, escuta qualificada e escrita. Contamos com a intervenção de muitas pessoas, tanto na questão histórica quanto na estética do livro”, destacam.

“Porque só admiramos, amamos, o que conhecemos. Oportunizar às crianças conhecerem a história da sua cidade de uma forma própria para elas, lúdica e prazerosa, e isso fecundar em seus corações o amor, o cuidado e a valorização desse lugar em que nasceram, ou seus responsáveis escolheram para morar”, destacam Ana Carla e Alexandra.

Interessados podem adquirir o livro na loja de artigos religiosos Obra de Deus, que fica na Avenida Eixo Urbano Central, no edifício empresarial Mont Blanc, no Centro.  “Ao final do trabalho, ver o livro publicado foi uma grande emoção. Enxergar o ressoar da imagem de Manali e vó Julia [personagens do livro] nas crianças é maravilhoso; ouvir o quanto elas aprendem a gostar de Camaçari a partir da história e ouvir depoimentos de colegas educadores e pais sobre como ficou mais simples falar de Camaçari, é um sentimento de muita alegria”, concluem as educadoras.

Para o professor Márcio Neves, que já atuou em diversas escolas da cidade e também já foi secretário de Educação, a iniciativa de se tornar um educador surgiu com a vontade de mudar a vida das pessoas. “Tudo começou na minha adolescência, quando eu passei a dar aula aos filhos dos vizinhos menores para garantir o valor da mensalidade do pré-vestibular. Também tinha decidido que teria uma profissão que me desse contato diário com pessoas e que interferisse diretamente na vida delas. Vi na profissão de educador a realização profissional da utilidade que gostaria de ter para a sociedade”, conta.

Márcio Neves com turma de alunos no Mascarenhas. Foto: Reprodução

Ele ressalta que através da educação e conhecimento da cidade, é possível criar um sentimento de pertencimento. “Fazer com que os estudantes cultivem o sentimento de pertencimento local, pois só é possível amar e cuidar aquilo que se conhece. Precisamos conhecer a nossa história para então cultivarmos amor pelo lugar em que vivemos. É possível diminuir a depredação patrimonial, o lixo nas calçadas, quebra de equipamentos públicos, a partir da formação das pessoas, fazendo-as entender que tudo que é público também é delas”, afirma.

“Outro ponto importante é a construção da própria identidade. Para sabermos quem somos também precisamos saber de onde somos, qual a cultura desse lugar e então compreender porque somos do jeito que somos”, enfatiza Márcio.

O professor destaca que, para melhorar a educação, é preciso ouvir aqueles que são responsáveis pela construção dela. “Ninguém sabe como melhorar a qualidade da alimentação escolar como as merendeiras. Ninguém sabe das formações necessárias para melhoria do processo de ensino-aprendizagem como professores e coordenadores pedagógicos. Ninguém sabe quais projetos podem deixar a escola mais atrativa do que os próprios estudantes, e assim por diante”, salienta.

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