A ausência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na audiência pública que discutiu os serviços da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) na região oeste, realizada nesta quinta-feira (20) na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), gerou duras críticas da presidente da Casa, deputada Ivana Bastos (PSD), e do deputado Robinson Almeida (PT), proponente do debate. A reunião discutiu as falhas nos serviços da concessionária do Grupo Neoenergia, especialmente na região oeste do estado, onde produtores rurais enfrentam prejuízos devido à deficiência na distribuição de energia.
Ivana Bastos anunciou que a Assembleia emitirá uma moção de repúdio contra a agência reguladora. “Fica aqui o nosso protesto, o protesto da Assembleia Legislativa da Bahia, que representa 15 milhões de baianos, contra essa falta de respeito da Aneel”, afirmou. Já o deputado Robinson Almeida disse que a agência negligenciou o debate. “A ausência da Aneel nesta audiência pública é um desrespeito não apenas a esta Casa, mas a todos os baianos que sofrem diariamente com a precariedade dos serviços da Coelba. A agência tem o dever de fiscalizar e garantir que a concessionária cumpra suas obrigações, mas, ao se omitir desse debate, reforça a sensação de abandono e impunidade”, criticou o político.
A Coelba enviou representantes, apresentou os investimentos realizados nos últimos 12 meses e seu plano para o futuro. A companhia disse que implantou, em 2024, 29 mil postes, 1,5 mil km de rede, realizou 4,2 mil novas ligações e instalou 10 novos alimentadores, além da entrega de duas novas subestações. Entre 2025 e 2027, a Coelba disse que planeja cinco novas subestações e 15 subestações com potência ampliada para melhorar a oferta de energia no oeste.
“Ao construir esse plano, fomos às associações, fomos ao poder público, conversamos com a comunidade, visitamos prefeituras, sentamos com setores como o agronegócio, como o comércio, como a indústria, como o turismo, para que esse plano não fosse só um montante financeiro substancial, mas que atender-se realmente a cada uma das necessidades da mesorregião”, afirmou o superintendente de Operações da Neoenergia Coelba, Leonardo Alves.
O deputado Robinson Almeida também criticou a concessionária, destacando que a falta de investimentos da Coelba resultou em uma situação de “insegurança energética” no estado. Segundo ele, a Bahia deixou de ter problemas de geração de energia devido ao avanço das fontes renováveis, mas a distribuição continua ineficiente.
Produtores rurais do oeste baiano reforçaram as críticas e denunciaram os impactos das oscilações e quedas de energia na agricultura. João Jacobsen Filho, produtor de milho, soja e algodão, relatou prejuízos recorrentes causados pela má qualidade do fornecimento.
“Essa oscilação desliga os equipamentos, provoca queima de motores e bombas, e compromete a irrigação. Muitas vezes somos obrigados a replantar, e isso afeta toda a safra”, explicou o produtor. Ele também cobrou uma fiscalização mais rigorosa da agência reguladora sobre os serviços da Coelba. “A gente reinvindica que a Aneel fiscalize a prestação desse serviço concedido”, enfatizou.
O debate contou com a participação da secretária de Desenvolvimento Urbano do Governo do Estado, Jusmari Oliveira, do deputado federal Zé Neto (PT), representantes do setor produtivo do oeste baiano, do Sindicato dos Eletricitários da Bahia, do ex-deputado Oziel Oliveira e do deputado estadual Antônio Henrique (PP).



