Petrobras inicia processo de arrendamento das Fafens de Camaçari e Laranjeiras

As fábricas de fertilizante da Petrobras em Camaçari (BA) e Laranjeiras (SE) serão desativadas no dia 31 de janeiro, na chamada hibernação. Sendo assim, a companhia deu início ao processo de arrendamento das unidades conforme havia anunciado anteriormente como alternativa para evitar o completo fechamento.

Em comunicado à imprensa, a Petrobras informa que deu início ao procedimento de pré-qualificação que consiste em “habilitar empresas que manifestarem interesse em participar em licitações futuras destinadas ao arrendamento das fábricas, incluindo os terminais marítimos de amônia e ureia no Porto de Aratu (BA)”.

Logo em seguida, a licitação deverá ser aberta, estando sujeita à aprovação da Diretoria Executiva da estatal. “A transferência da operação depende da existência de interessados habilitados na etapa de pré-qualificação e da realização do processo de licitação, ainda sujeita à aprovação da Diretoria Executiva da Petrobras”, informa a nota.

A venda se dá, entre outros fatores, ao fato de empresa não ter mais interesse em atuar no setor. Em comunicado ao mercado em março do ano passado, a Petrobras afirmou que juntas, as duas unidades deram prejuízo de R$ 800 milhões em 2017.

Porém, a Petrobras está impedida de vender suas empresas sem autorização do Legislativo. A decisão está definida em liminar expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. A medida atende a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada por entidades sindicais que integram o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, a liminar continua válida até que os demais ministros do STF se posicionem sobre a ADI.

Contrária ao arrendamento e ao processo de hibernação, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) garante que “a saída da Petrobrás do segmento de fertilizantes, além de comprometer a soberania alimentar, coloca o país na direção contrária de outras grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão”. Para a entidade o fechamento das Fafens deve contribuir para o aumento em até 15% no preço do fertilizante.

“O abandono do segmento de fertilizantes impacta diretamente a cadeia produtiva do setor agrícola, tornando o país dependente dos preços internacionais”, complementa em comunicado a FUP.

No dia 4 de janeiro a fábrica de Camaçari paralisou as atividades, de acordo com informações da federação, fazendo com que sindicatos alertassem para antecipação da hibernação da Fafen no município. Nos anos 2000, duas fábricas da Fafen começaram a ser construídas uma em Uberaba e outra no Mato Grosso do Sul, que chegou a ter 85% das obras concluídas, mas foi paralisada pela gestão de Pedro Parente.

As unidades

A Fafen em Camaçari é uma unidade de fertilizantes nitrogenados com capacidade de produção total de ureia de 1.300 toneladas por dia. A fábrica comercializa também amônia, gás carbônico e agente redutor líquido automotivo (Arla 32).

Já a Fafen-SE é uma unidade de fertilizantes nitrogenados com capacidade de produção total de ureia de 1.800 toneladas por dia. Também comercializa amônia, gás carbônico e sulfato de amônio – usado como como fertilizante.

Os terminais marítimos de amônia e ureia no Porto de Aratu são unidades portuárias com capacidade de armazenagem e carregamento de 20.000/t de amônia e 30.000/t de ureia.

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